Formação

O que o corpo faz a alma… sente!

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Quem tem por volta de 25, 30 anos, com toda certeza conhece a música que dá título a esse texto.

E é ao ritmo desse pagode romântico (ooown… que lindo!) que vamos conversar um pouco sobre essa frase: o que ela diz é verdade?? A alma está isenta do que o corpo faz? Nossas ações, quaisquer que sejam, atingem só uma parte, um nível do nosso ser?

Pensar assim pode facilmente nos levar à conclusão de que sim: é verdade o que diz essa frase; sim, não há consequência para os nossos atos, e sim, de fato somos seres fragmentados, e o que diz respeito ao corpo, só o corpo sente, o que diz respeito à alma, só à alma, e o que o espírito faz, ele que se entenda com ele mesmo.

Quando falamos de castidade é quase que automático pensar em simplesmente não ter relação sexual, ou não se masturbar, ou algo do tipo, e quase nunca pensamos que a castidade envolve o nosso ser por inteiro.

Ao nos fazer a proposta da castidade (e aqui vale frisar que é uma proposta evangélica, e não um conceito moral inventado pela Igreja!), Jesus no fundo está nos propondo que sejamos pessoas inteiras, unificadas, que sejamos uma “coisa” só, que todo o nosso ser – espírito, alma e corpo, como nos ensina a Palavra de Deus e o Catecismo da Igreja (362-368) – esteja e seja integrado, que seja harmonioso.

O bem real que a castidade nos traz, não por ela mesma, mas por Jesus que é o parâmetro, é o de nos fazer unificados, ou seja, nos fazendo pensar, falar e agir “uma coisa só”, de forma integrada, para que não haja divisão entre o pensar, o falar e o agir.

Já viram pessoas assim: pensam e concluem que estão acima do peso; falam que não se veem tão gordinhas assim e que estão até bem na foto, mas querem levar uma vida mais saudável e na próxima segunda vão começar essa vida com dieta e exercícios, e quando menos esperam, estão “se acabando” num hambúrguer duplo com fritas, sorvete, e um refrigerante zero para amenizar a culpa?

Pois é… isso é um exemplo simples de uma pessoa “aos pedaços”, fragmentada, sem unidade em seu ser, porque a inteligência, intenção e ações ainda não falam a mesma língua, não se comunicam bem, não se integram.

Um homem ou uma mulher que vive somente pensando no seu corpo e em o satisfazer, se esquecendo que ele também é um ser espiritual, que tem alma e espírito, que é um ser apto para a transcendência, vive dividido em seu interior e como consequência, o que ele faz reflete esse ser dividido e fragmentado.

E como é uma pessoa que vive achando que é um ser meramente corporal e que o que ela faz não tem repercussões para eternidade?

Bom, não é difícil identificar: luta para ser o sarado do pedaço e sua vida é quase dentro da academia, “pega” todo mundo na balada e não vê mal nenhum transar com quantas pessoas der, ouve qualquer tipo de música, não ligando muito se a letra está denegrindo alguém ou se a coreografia é mais deprimente ainda, lê qualquer tipo de literatura, compra revista pornográfica, come com exagero, bebe até cair, só faz o que lhe dá prazer ou que lhe agrada e rejeita o que pode causar dor, sofrimento ou vai gerar esforços, sacrifícios, assistem qualquer tipo de filme, programa de Tv, seriados, e etc, etc, etc. Ou seja, vivem para satisfazer os seus sentidos, para dar ao corpo só o que ele quer receber…

Aqui é claro também que não existe nessa pessoa a disciplina dos sentidos, que são canais diretos por onde entram o que vai formar, bem ou mal, nossa consciência, e por consequência, determinar nossas escolhas. Os sentidos bem guardados nos asseguram uma vida mais livre de superficialidades, menos fútil e imatura, nos livra de fazer escolhas  somente à partir dos afetos, emoções, sensações, nos faz senhores de si, e seu interior deixa de ser uma praça pública, onde se encontra de tudo, se entra e sai a hora que quer e não tem dono.

Ao contrário do que você possa pensar, não estou condenando a pessoa que vive para se satisfazer, mesmo sem pensar nas consequências de suas escolhas – não é isso! Deus o livre! Mas estou querendo deixar claro que essa pessoa é fragilizada e fragmentada em todo o seu ser, e claro, ela não tem condições de amar, sua capacidade de amar está totalmente comprometida (e atenção! O amor aqui não é por sentimento, mas por decisão, sem interesse ou desejo de recompensa, se doando aos outros, entendendo outros quem se ama ou não, conhecidos ou desconhecidos, próximos ou não).

Não sei se você está percebendo, mas a castidade é este dom que nos unifica, nos faz inteiros para potencializar a capacidade de amar que há em nós, em todos nós, e você pode ter certeza que uma pessoa fragmentada a esse ponto não está apta a começar um relacionamento de namoro, por exemplo, porque aí ela só verá oportunidade de se fazer feliz e se satisfazer, e talvez uma satisfação meramente sexual. Ela não estará muito interessada em se dar, e se preciso, perder para o bem do outro, para que o outro seja feliz. Não peça a ela compromissos duradouros, definitivos… Não vai ter!

A castidade me capacita a amar a Deus sobre todas as coisas, de todo o coração, de toda a alma, com toda a inteligência, e ao próximo, como a mim mesmo (Mc 12, 29-30). Ela não tolhe minha humanidade, nem me priva de uma experiência de amor intensa, ao contrário, me leva a  potencializar absolutamente tudo o que eu sou, cada área do meu ser para uma vida verdadeira. Essa é a “visão de futuro” para o homem, para todo homem em qualquer tempo, lugar, cultura e nação! O que Deus mais quer é que o ser humano viva esse amor, que plenifique o seu ser homem, ser mulher no amor, na doação total de si a Ele e aos outros.

Deus quer que vivamos aqui nessa terra com os olhos nEle, no céu, voltados para a eternidade.
Quando se vive para si e visando só o corporal, a vida é muito medíocre, muito rasa…
Quando se vive de forma autêntica esse amor em qualquer âmbito de relacionamento, nossa vida ganha uma amplitude e sentido inimagináveis.

Se o corpo (a pessoa) ama de forma desinteressada, para fazer o outro feliz, a alma sente sim, sente Deus e a eternidade bem perto.
Se o corpo “vive” para si, para se fazer feliz e se satisfazer somente, a alma não perdoa, porque ela deseja que o corpo viva com ela aqui na terra o mesmo e único desejo pelo céu, embriagados de plenitude.

Você acredita que o seu corpo, alma e espírito foram feitos para o céu, e que o corpo do outro também foi feito para o mesmo fim?

Débora  Pires


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