Formação

O Reino dos Céus é ainda semelhante a um comerciante …

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Nesta brevíssima parábola, Jesus toca de maneira muito forte a imaginação dos seus ouvintes. Todos sabiam o valor das pérolas que, na época, ao lado do ouro, eram o que de mais precioso se conhecia.
Além disso, as Escrituras falavam da sabedoria, ou seja, do conhecimento de Deus como algo que não podia ser comparado nem mesmo “à pedra mais preciosa” (Sb 7,9).

Mas o que vem em evidência na parábola é o acontecimento excepcional, surpreendente e inesperado que, para aquele comerciante, significou o fato de ter visto, talvez num mercado, uma pérola cujo valor inestimável somente seus olhos experientes descobriram e da qual, portanto, ele poderia tirar um ótimo lucro. Daí porque, tendo feito as contas, ele decidiu que valia a pena vender tudo para comprar a pérola. E quem, no lugar dele, não teria feito o mesmo?
É este, portanto, o profundo significado da parábola: o encontro com Jesus, ou seja, com o Reino de Deus entre nós (é esta a pérola!), é aquela oportunidade única que não se pode deixar escapar, aplicando para isso todas as próprias energias e tudo aquilo que se possui, até às últimas consequências.

"O Reino dos Céus é ainda semelhante a um comerciante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.".

Não é a primeira vez que os discípulos se sentem postos diante de uma exigência radical, ou seja, diante daquele tudo que é necessário deixar para seguir Jesus: os bens mais preciosos, como os afetos familiares, a segurança econômica, as garantias para o futuro.
Mas essa exigência dele não é infundada e absurda. Por um “tudo” que se perde existe um “tudo” que se encontra, inestimavelmente mais precioso. Todas as vezes que Jesus pede alguma coisa, ele também promete dar muito, muito mais, numa medida superabundante.

Desse modo, com esta parábola Jesus nos assegura que teremos nas mãos um tesouro que nos deixará ricos para sempre. E, se pode parecer um erro deixar o certo pelo duvidoso, um bem seguro por um bem apenas prometido, pensemos naquele comerciante: ele sabia que aquela pérola era muito preciosa e esperava confiante o lucro que ela lhe renderia ao vendê-la.

Da mesma forma, quem quer seguir Jesus sabe, vê, com os olhos da fé, o ganho enorme que será participar com Ele da herança do Reino por ter deixado tudo, ao menos espiritualmente. Deus oferece a todos os homens uma ocasião como essa na vida para que saibam agarrá-la.

"O Reino dos Céus é ainda semelhante a um comerciante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.”

É um convite concreto a deixar de lado todos os ídolos que podem ocupar o lugar de Deus no coração: carreira, casamento, estudo, uma bela casa, profissão, esporte, diversão.
É um convite para colocar Deus no primeiro lugar, no vértice de todos os nossos pensamentos, de todos os nossos afetos, porque tudo na vida deve convergir para ele, e tudo deve provir dele.

Fazendo assim, procurando o Reino, segundo a promessa do Evangelho, o resto nos será dado por acréscimo (cf Lc 12,31). Colocando tudo em segundo plano pelo Reino de Deus, recebemos o cêntuplo em casas, irmãos, irmãs, pais e mães (cf Mt 19,29), porque o Evangelho tem uma evidente dimensão humana: Jesus é homem-Deus e, além do alimento espiritual, nos garante também pão, casa, roupa, família.

Talvez tenhamos que aprender com os “pequenos” a confiar mais na Providência do Pai, que não deixa faltar nada para quem dá, por amor, todo o pouco que possui.

No Congo, um grupo de jovens fabrica há alguns meses, com casca de banana, cartões artísticos que depois são vendidos na Alemanha. Inicialmente eles ficavam com tudo o que tinham lucrado (com isso alguns conseguem sustentar a própria família). Agora decidiram colocar 50% do lucro em comum e 35 jovens desempregados receberam uma ajuda financeira.

E Deus não se deixou vencer em generosidade: dois destes jovens deram um tal testemunho na empresa onde trabalham, que diversos comerciantes, precisando de mão-de-obra, foram procurar essa empresa. Deste modo, nada menos que 11 daqueles 35 jovens encontraram um trabalho fixo.


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