Formação

O Santo Nome de Deus

No livro do Êxodo, quando Deus escolhe um homem para salvar o seu povo amado que era oprimido por uma dura escravidão no Egito, este homem eleito chamado Moisés pergunta ao Senhor: “Se quando eu disser aos filhos de Israel: o Deus de vossos pais me enviou a vós. Se me perguntarem: qual é o seu nome? O que lhes direi?” (Conf. Ex 3,13). Ao que Deus responde: “Eu sou aquele que sou.” Assim falarás aos filhos de Israel: Eu sou me enviou a vós. É este o meu nome para sempre.” (Ex 3,14s).

Esta resposta apimentada que Deus dá a Moisés, que numa leitura superficial pareceria que Deus estivesse dizendo que “não é da conta de Moisés saber o nome dele”, na realidade, mesmo sem perder o caráter exortativo da resposta, expressa a amorosa revelação do mistério pessoal de Deus. Deus ao dizer o Seu Nome revela quem Ele é a seu eleito para que esse mistério seja revelado a seu povo.

Para compreendermos a revelação que Deus faz de si mesmo ao dizer o Seu Nome é importante saber que na Tradição hebraica o nome revelava o mistério e a missão da pessoa. Por exemplo: João Batista significa o abençoado precursor; Saul significa aquele que pede, ou aquele que é pedido, em referência ao fato que o povo de Israel pedira a Deus um rei. O nome próprio do Salvador, Jesus, é Deus salva. Então, o Deus Todo-Poderoso, para explicar o seu mistério pessoal, para dizer quem Ele é, usa o tetragrama sagrado: YHWH. Que significa “Eu sou” na primeira pessoa, ou “Aquele que é” na terceira pessoa.

Você pode se perguntar então: qual é o mistério pessoal que Deus revela no “Eu sou”? Quando Deus diz “Eu sou” está explicando que Ele simplesmente “é”. Deus“é” e basta. As nações circunvizinhas de Israel costumavam nominar os seus deuses com nomes que diferenciavam o deus nacional dos deuses das outras nações. Como por exemplo, os babilônicos tinham o deus Marduk, os assírios Assur, os cananeus El e o seu filho Ba´al. Mas o verdadeiro Deus, o Deus de Israel, não pode ser nominado como esses deuses criados pela razão humana.

Deuses esses que são frutos da elucubração racional dos povos que no desejo pelo transcendente criavam seus ídolos. O nosso Deus simplesmente “É” Deus que por amor se revela a seu povo. Não fora criado por seu povo como o foram os outros deuses por seus respectivos povos, mas fora Ele que criou o seu povo e a este se revelou por amor.

Sendo assim, quando Deus responde à pergunta de Moisés dizendo que seu nome é “Eu sou” primeiramente Ele está explicando a Sua transcendência, a Sua superioridade sobre todos os outros tipos de divindades jamais vistas nas circunvizinhanças de Israel. Em segundo lugar, é também como se Deus estivesse dizendo a Moisés: não queira me comparar aos outros deuses, mas saiba Moisés, Eu Sou e basta.

O tetragrama sagrado, YHWH, indica também o verbo ser no sentido de ser presente. Como o verbo esserci da língua italiana. Então, Deus, ao dizer que é Aquele que é está explicando que é Aquele que é presente. Deus é aquele que é presente aqui, presente neste momento, presente na minha vida e na sua vida. A sua presença está disponível a todos os homens, em todos os tempos e em todos os lugares. Porque Deus simplesmente é presente.

Eis então o grande e insondável mistério pessoal de Deus revelado em seu nome: Deus é soberano e presente na vida do seu povo.

Sendo Deus tão grande e ao mesmo tempo tão presente na nossa vida, o seu Nome merece todo respeito e admiração. Tanto que no Segundo Livro dos Reis, capítulos 7 e 8, Salomão edifica o Templo Santo em honra ao Nome de Deus. Deus habita nas alturas, ou seja, é transcendente, mas o seu Nome habita o Templo e pelo seu Nome Ele recolhe as orações do seu povo.

Sendo assim, o segundo Mandamento proíbe o uso indevido do Nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos Santos. Pois Jesus é Deus com o Pai e o Espírito Santo. Maria Santíssima e os Santos porque testemunharam com a própria vida a santidade do Nome de Deus. Realizando em suas vidas o pedido da Oração do Senhor: santificado seja o vosso Nome. Ou seja, se deixaram santificar pelo Nome de Deus.

Como acabamos de lembrar, o primeiro dos pedidos que fazemos no Pai Nosso é que o Nome do Pai seja santificado. No entanto, Deus é o Santo e Santo é o Seu Nome. Então, não há como fazer o Nome de Deus crescer em santidade. Assim, o que pedimos no Pai Nosso é que a santidade do Nome de Deus penetre as nossas vidas, que o nosso ser seja santificado pelo Nome de Deus e que essa santidade divina, através de nós possa se irradiar sobre o mundo. Quando pedimos santificado seja o vosso nome, não estamos intercedendo por Deus, mas por nós mesmos, para que sejamos fiéis à nossa vocação de testemunharmos a santidade do nosso Pai.

A Santa Mãe Igreja nos apresenta formas para honrarmos o Nome de Deus testemunhando sua santidade ao mundo. Uma delas é o cumprimento das promessas feitas em nome de Deus. Todos os cristãos têm promessas. Promessas batismais são feitas por todos ou em nome de todos os cristãos. Por isso, honrar as promessas feitas no Batismo é um modo de honrar o Nome de Deus. Aqueles que já contraíram Matrimônio ou que receberam o Sacramento da Ordem têm graves promessas a serem cumpridas em vista da honra do Nome de Deus. Como também, aqueles que servem a Deus por meio de uma especial consagração sempre fazem promessas em vista da honra do Santo Nome. Também, devemos cumprir todas as promessas feitas a outrem em nome de Deus. Pois honrar essas promessas glorifica o Santo Nome, ao passo que desonrá-las O desonra.

O que desrespeita o Nome de Deus?

Desrespeita o Nome de Deus a blasfêmia que consiste em proferir contra Deus palavras de ódio, de ofensa, de desafio, falar mal de Deus, faltar-lhe deliberadamente com o respeito ou abusar do seu Nome. É considerado blasfêmia, também, recorrer ao Nome de Deus para encobrir práticas criminosas, reduzir povos à escravidão, torturar ou matar.

Lançar pragas fazendo intervir o Nome de Deus em vista do mal de alguém é falta de respeito para com o Senhor de todo o bem e de todo o perdão. Como também é pecaminoso usar o Nome de Deus em práticas de magia.

O juramento falso é outro pecado contra o Santo Nome. Pois o juramento, na luz de Deut. 6,13 existe para pôr em relação a palavra humana coma verdade divina. A Tradição da Igreja, seguindo São Paulo (2 Cor 1,23),entendeu que as palavras de Jesus não se opõem ao juramento quando feito por uma causa grave e justa. No entanto, quando falso, o juramento invoca o Nome de Deus para ser testemunha de uma mentira. Isso é um pecado grave contra Aquele que é a Verdade.

Qual a importância do nome para o cristão?

No Batismo o Nome de Deus Uno e Trino santifica o homem que recebe da Igreja o próprio nome. Então, é a Igreja que dá o nome a seus filhos. Sendo assim, é da responsabilidade não só dos pais, mas também dos padrinhos e do pároco darem aos filhos da Igreja nomes que testemunhem o senso cristão, ou que, pelo menos não lhe sejam alheios.

Por exemplo, o nome de um santo oferece para a pessoa um modelo de caridade de alguém que viveu fielmente a sua vocação. Criando também,entre o santo e o batizado, uma afinidade espiritual que servirá para o segundo de grande sustento na caminhada. O nome cristão também pode expressar uma virtude ou um mistério da vida cristã. É importante que pais, padrinhos e pároco tenham a consciência de que o nome próprio é também uma forma de testemunhar a grandeza do Santo Nome de Deus.

Enfim, o nome recebido é um nome eterno, no Reino o caráter misterioso e único de cada pessoa marcada com o seu nome resplandecerá em plena luz (Ap 2,17).

Sílvio Scopel
Missionário da Comunidade Católica Shalom


Comentários

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  1. Você leu Exodo 6,3-4 você já leu Salmos,83;18?e a oração modelo de Jesus em Mateus 6;9? Quem é o pai de Jesus? Difícil de entender por causa da confusa trindade.