Formação

O ser espiritual

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Breno Gomes Furtado Alves

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     Perguntaram ao grupo de jovenscatólicos apinhados na salinha branca de uma comunidade carismática quem ostinha formado espiritualmente de forma mais intensa. A pregadora, experiente osuficiente para captar a realidade da platéia sob seu comando, teve a deliciosaidéia de conseguir as respostas jogando a esmo um bombonzinho de chocolate.Aquele que fosse alvo do doce seria o escolhido a responder e também jogar a outro,que também teria de responder. E assim foi, tendo surgido respostas das maisvariadas, sendo citados mais freqüentemente os pais, os pastores de seus gruposou uma ou outra pessoa ligada à vida escolar ou afetiva. Nesse meio, coube a umrapaz sentado um pouco à frente ser alvo do chocolate, e por isso mesmo,informar aos outros aquele que o tinha formado. Ele, entre envergonhado eassustado, soltou quase um sopro: “Nossa Senhora!”. Os outros, no momento, nãose manifestaram, e o bom-bom continuou a voar de jovem em jovem até à conclusãoobtida pela palestrante. Ao final da exposição, vieram as saraivadas: “Rapazespiritual!”, “Sentindo cheiro de rosas na oração pessoal, hein!?” ou “Cuidadosenão você levita”. O rapaz, consciente de haver dado a resposta mais sincerado mundo, ficou casmurro e encabulado, guardando em si a reflexão sobre o queacabara de manifestar. “Ora, bolas, mas foi ela mesmo… O que eu posso fazer?”

     Da história acima, cabe uma reflexão ligeira a respeitoda vida espiritual não só dos jovens mas de todas as pessoas que, pelaexperiência crucial com o Cristo ressuscitado e “ressuscitante”, aderem-se àsua receita de perdão e compaixão, vivenciando nas suas vidas a verdade queemana de seus ensinamentos. Aquele que se classifica como cristão é o queguarda para si todos os ensinamentos de Jesus, acalentando e praticando na vidacotidiana a sua essência e seus efeitos. O rapazinho, ao responder à perguntaformulada, sentiu a necessidade de expor, à luz dos ensinamentos passados porDeus em sua vida espiritual, aquele quem os havia transmitido maisapropriadamente a ponto de o fazer ser imitador do Pai, e ser cristãorealmente. Dizendo “Nossa Senhora”, mostrou que, em sua vida, havia sido ela amestra da sua caminhada rumo ao encontro Daquele que se doa total eamorosamente numa Cruz. Formar é reconstruir a própria identidade, pois opecado nos aniquila aquilo que nos é próprio, que nos individualiza, para nostransformar em farsa, em cópia mal-acabada, retirando de nós a Graça que nosqualifica como filho no Filho de Deus. Torna-se, assim, sinônimo de restaurar anossa humanidade pela intimidade com Deus, que não só nos qualifica como tambémtraz o novo, o inédito, numa sempre constante declaração de amor.

     Cabe, outrossim, destacar o que é realmente umaexperiência de amor com Deus. Não entendendo o rapaz ou não percebendoexatamente aquilo que ele disse, os outros o julgaram “espiritual” demais, aponto de se julgar formado pela Mãe de Jesus. Afinal de contas, o que é rezar?Na acepção mais clara da palavra, significa entrar em diálogo com Deus,transação e comunhão de vida que nos fornece o subsídio para a renovaçãoproposta por Cristo. Ora, conhecer Cristo e partilhar com Ele é aprender aGraça onde ela se origina, e, dessa forma, nos tornarmos semelhantes à Trindade.O rapaz disse ter sido formado por Nossa Senhora pelo simples e grandioso fatode ela o ter feito semelhante ao Pai, na sintonia do Amor que é a oração. Isso,ao que se sabe, não cabe aos exageradamente espiritualizados (e, portanto,cegos à Graça), mas aos que se apequenam diante do transbordamento da Misericórdia.Se não se chega à intimidade de Deus e dos santos pela via da oração, entãoesse conceito se esvazia, falece. Faz-se necessário afirmar que amar édialogar, e que através desse jogo de amor, estamos tão perto de Deus que nosdeixamos abandonar na sua Sabedoria, a fim de sermos novamente filhos, pelaexaltação de nossa humildade e pela assunção das nossas misérias.

     Assim, não é espantoso dizer-se formado por Deus, hajavista que a formação é uma das maravilhosas conseqüências de nossa amizade comEle. Não é sábio julgar que oração e vida de intimidade com o Pai são idéias emapartado, pois corre-se o risco delas desnaturarem, e ser estancado o caminhodo crescimento. Ser formado por Jesus ou por um dos santos significa moldar-sea Deus pela via de santidade própria deles e objeto de devoção nossa, e aíreside, realmente, a sabedoria da perfeição de acordo com os ensinamentos deCristo.

     E quanto à formadora escolhida? Bem, é lícitoimitarmos Dom Bosco: “É ela que tudo fez, é ela que tudo faz”. Em seus passosde silêncio, Maria Santíssima (ou, carinhosamente, Nossa Senhora, com afamiliaridade dos seus amigos), percorre o caminho da cristandade, do gozo àdor, da dor à glória, restaurada pela luz Daquele que vive novamente eiluminada pelo Espírito que superabunda em si. Nela, a Igreja se vê refletida e desejaaprender essa gratuidade de amor e entrega filial ao Esposo, para assim chegartambém à Glória. Amá-la e vivenciar o seu amor de filha, mãe e esposa,permite-nos alcançar a santidade pela via mais maravilhosa possível, dada porCristo no ápice da sua paixão. Como os Padres da Igreja, aprendamos a rezar à“onipotência suplicante” para, de Cristo, receber abundantes graças. Quem nãodeseja isso?


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