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O uso da Libras para evangelizar aqueles que não compreendem a linguagem falada

A Língua brasileira de sinais se faz cada vez mais necessária, por isso, a Comunidade Católica Shalom tem utilizado este meio de acessibilidade na evangelização.

comshalom

No dia 24 de abril é comemorado o Dia Nacional da Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Esse dia foi escolhido para celebrar a data de publicação da Lei nº 10.436/02, que regulamentou a Língua Brasileira de Sinais. 

A Comunidade Shalom realiza um trabalho de evangelização com a comunidade surda há doze anos em Fortaleza- CE, por meio de grupo de oração e proporcionando a acessibilidade em Libras durante as missas no Centro de Evangelização da Paz, bem como, na transmissão de alguns eventos através do canal do YouTube ComShalom e na transmissão da Missa das 18h com janela de intérprete.

Confira a seguir o testemunho de Lena Barroso, consagrada da Comunidade de Aliança em Mossoró-RN, que serve nesse ministério de evangelização da comunidade surda:

“Sou Lena Barroso, consagrada com promessas definitivas na Comunidade de Aliança da Missão de Mossoró-RN. Sou casada e mãe de Ana Júlia (08 anos). Meu esposo, também é membro consagrado na comunidade. Desde a infância tive contato com a língua de sinais, pois minha única irmã é surda. A partir dessa experiência, iniciada com minha irmã, gostaria de partilhar com vocês a inspiração evangelizadora junto à comunidade surda da missão de Mossoró. 

Em 2018, apesar de, na oportunidade, não possuir o nível de conhecimento exigido para atuar como intérprete de Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, fiz o primeiro convite para que os surdos participassem do retiro de carnaval promovido pelo Shalom. Contagiada pela alegria que eles manifestaram no evento, fiz o possível, junto com alguns intérpretes que convidei, para transmitir cada momento com a melhor qualidade possível. 

Durante os dias de retiro, percebi no rosto de cada surdo o desejo e a sede de experimentar o amor de Deus. Durante uma adoração, Deus motivou-me a aprender mais sobre os sinais religiosos, retirando toda vergonha e timidez que eu possuía para realizar as interpretações, chamando-me à missão de evangelizar os surdos. Movida pelo Espírito Santo, participei de diversos cursos, além de dedicar-me a aprender os sinais específicos relacionados aos temas religiosos, praticando-os junto à comunidade surda. 

Logo, passei a convidá-los para todos os eventos que ocorriam na missão, realizando, com ajuda de algumas conhecidas, a interpretação. Assim, Deus foi confirmando que não havia mais qualquer medo ou vergonha, dando-me a graça de evangelizar seu povo amado. O interessante é que um ano antes, em 2017, eu havia iniciado um discernimento junto às minhas autoridades no sentido de estudar libras para poder trabalhar nessa área, mas os planos de Deus iam além, e foram sendo apresentados aos poucos. Ficou claro que, além de me capacitar para ser intérprete no meio secular, Ele pretendia me capacitar para evangelizar aqueles que não podiam compreender a linguagem falada na evangelização.

E no novo de Deus, passei a participar das Missas nas paróquias onde estavam os surdos, realizava curso bíblico e fazia momentos de oração somente com eles. Assim, fui percebendo as características próprias da cultura surda, como se dava a socialização entre eles e a importância que dão ao contato físico, pessoa a pessoa. A pandemia os fez sofrer, pois o isolamento e o distanciamento entre eles é ainda mais doloroso, dadas as características de sua convivência. 

Em tempos de pandemia, a providência inspirou a comunidade a iniciar o terço da misericórdia no formato online na missão, naquele momento, uma irmã de comunidade me questionou: Lena, você já pensou em traduzir o terço para os surdos? Na hora fiquei paralisada, mas recordei da adoração no Renascer de 2018 e da missão que Deus me confiava. Superando as adversidades, com a graça de Deus, comecei a interpretar todos os dias o terço. 

Desde então, a cada momento Nosso Senhor foi apresentando novas oportunidades de evangelizar e de me aproximar da comunidade surda. Hoje, auxílio no grupo de oração, aos sábados, que ocorre em conjunto com a missão de Fortaleza, do qual participam cerca de 30 surdos. Rogo a Deus que Sua imensa sabedoria continue a nos inflamar, pois, sem dúvida, há vocações em meio à comunidade surda e precisamos acolher esse povo em nosso meio. 

Sou grata à Comunidade por, como Igreja inclusiva, proporcionar à comunidade surda a experiência com o Cristo Ressuscitado. Peço a todos que intercedam por essa missão de evangelização, que não é só minha, mas é nossa, e para aqueles que desejam lançar as redes neste lado do mar, saibam que será um caminho que os fará plenamente felizes. 

Para conhecer um pouco mais sobre esse trabalho de acessibilidade em LIBRAS em prol da evangelização da comunidade surda, acesse: https://beacons.page/surdosshalom

 


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