Formação

Os sete êxodos

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Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina/PR

A missão além-fronteiras é fundamentalmente uma saída, um êxodo, umaperegrinação, um caminho para fora e para longe. Como o amor de Deus ésem fronteiras, assim deve ser o anúncio desta boa notícia. Overdadeiro missionário é homem/mulher da fronteira, que vai em frente,sem margens, sem limites, sem geografia, porque sua moradia é o mundo.É um cigano do mundo.

Missão além-fronteiras implica em sete grandes saídas, sete êxodos. Então, vejamos:

1. Saída de si. Este é o primeiro êxodo. Sair desi, dispor-se, desapegar-se, estar livre, de qualquer amarra interior.A missão além-fronteiras começa num “coração sem fronteiras”, esvaziadode si, cheio de gratuidade e povoado pelo desejo e esperança de partirpara longe, para a outra margem.

2. Saída de casa. Deixar a família, libertar-se dosliames afetivos; amar mais a Jesus que o pai e a mãe implica o “cortedo cordão umbilical”, uma conquista da liberdade afetiva. O missionárioalém-fronteiras coloca Deus e a missão em primeiro lugar e sobre todasas coisas. Quem pensa no além-fronteiras deixa a novela, o noticiário,os projetos pessoais e se põe na estrada, vai ao povo, bate nas portas,visita as casas. Estas pequenas saídas preparam a grande partida.

3. Saída da paróquia. Sair da sacristia, do templo,da paróquia, da diocese e ir para longe, não é fácil. Pessoas apegadasà diocese, paróquia ou congregação, não se dispõe a ir para fora e paralonge. O outro lado da medalha é a inculturação, a adaptação, ainserção na nova realidade. Quem não se adapta à comida, aos costumes,à cultura de outros países, não agüenta a carga da missão.

4. Saída da pátria. “Deixa a tua terra!”, Deus diza Abraão. Deixar a pátria para assumir outra requer coragem eesvaziamento de si. Jesus deixou a glória, esvaziou-se de si, fez-sehomem, escravo, até a morte de cruz. Eis o fundamento da saída daprópria pátria. Só uma espiritualidade profunda, uma místicamissionária, um amor sem fronteiras conferem condições para abraçaroutro povo.

5.Saída dos costumes. Hábitos, costumes, tradições,heranças, são realidades culturais arraigadas até em nossoinconsciente. Acostumar-se com o jeito diferente, a religião diferente,a língua diferente, etc., é aceitar uma mudança radical. Só um amormaior dará ao missionário a coragem, a valentia, o ímpeto evangelizadornecessários para sustentar a missão em fronteiras diferentes.

6. Saída dos velhos esquemas. “Renovai a vossamente”, pede o apóstolo Paulo. “É preciso abandonar as estruturasultrapassadas”, diz o Documento de Aparecida. A missão além-fronteirastem capacidade de adaptação, inculturação, compreensão. Dispõe-se aaprender. Sabe valorizar. Promove criatividade. Eis a morte mística, adescentralização de si, o esvaziamento do próprio ego e o respeitopelos dons do Espírito presentes na nova realidade. É preciso superar apastoral da conservação para uma evangelização missionária.

7. Saída desta vida. O missionário oferece a vida,abraça a cruz até ao martírio, isto é, aceita morrer, aniquilar-se,desgastar-se em favor da missão. Todo missionário faz um ato de féradical na ressurreição e na esperança da glória. A pátria maislongíngua e a viagem mais longa são as que nos levam à pátriadefinitiva. Para a missão além-fronteiras, o céu, a glória, a salvação,constituem a maior motivação missionária. Missão é salvação, cujapátria definitiva é a vida eterna.


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