Formação

Pai, você é importante para mim

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Refletiremos sobre a importância do referencialmasculino de autoridade e afeto na educação dos filhos, buscando valorizar eaprofundar a vivência do papel do pai no contexto familiar.

A figura do pai, apesar de manifestar-se,atualmente, mais afetiva, deve ser responsável por colocar limites e tambémimpulsionar os filhos a enfrentarem os desafios da vida.

A mãe tem uma tendência natural a proteger demais aprole, transmitindo-lhe valores como acolhimento, cuidado e proteção. O paiestimula a independência dos filhos e corta o excesso de proteção da mãe. Seupapel é muito importante na construção da autonomia da criança. A diferença éque, antes, a autoridade paterna era acompanhada pelo medo que as criançassentiam frente a uma figura tão severa e distante. Hoje, esse processo ocorrede maneira mais saudável, já que os papais não se fazem entender apenas no grito.O que não pode acontecer é o pai “amolecer” demais e se tornar muitopermissivo.

Quando a permissividade acontece, as criançasacabam se tornando desobedientes, autoritárias e inseguras. Por isso, pai,esteja atento! Ser paciente, carinhoso e atencioso não significa abrir mão dadisciplina. Dar limites é, também, uma importante demonstração de amor, poissem esses limites os filhos ficam desorientados.

A participação do pai é importante em muitos outrosaspectos. Ele serve como modelo de comportamento para os meninos e tambémpermite que as meninas conheçam e compreendam o universo masculino.

 A figurapaterna é um importante referencial de conduta, fortalecendo, nos filhos, osvalores morais. Práticos, objetivos e racionais, os homens podem mostrar àscrianças uma nova forma de encarar a vida, diferente do ponto de vistafeminino. Além dessa ótica mais racional e objetiva diante da vida, o pai, commais proximidade afetiva, deve proporcionar um maior suporte emocional para osfilhos. Um pai participativo e atencioso representa mais autoestima, confiança,segurança e equilíbrio na vida do filho. Não se deve pensar, entretanto, queuma criança que não pode conviver com o pai, por qualquer que seja o motivo,será necessariamente infeliz ou problemática.

E na ausência do pai?

Na ausência dafigura paterna, esta pode ser amenizada por um tio, um avô ou outro adulto dosexo masculino que participe, ativamente, da vida da criança. É importante queexista esse referencial masculino com seus importantes valores para o desenvolvimentosaudável da criança.

E as diferenças, podem atrapalhar?

É normal quesurjam dificuldades, conflitos de ideias, costumes e valores entre o casal.Porém, é necessário o diálogo para que sejam estabelecidos critérios comuns naeducação dos filhos a fim de evitar confusão e insegurança na cabecinha deles,bem como a manipulação dos pais em vista de conseguirem satisfazer suasvontades. As diferenças, quando bem administradas, tornam-se instrumentos quepossibilitam a busca do diálogo e da análise das situações, enriquecida depontos de vista diferentes, o que aumenta a margem de acertos na maneira deeducar os filhos.

No diálogo,reafirmamos nossos valores, questionamos nossas inconsistências eredirecionamos o caminho na unidade.

Algumas mães,mesmo inconscientemente, não querem “perder” para o pai o amor e admiração dofilho, alimentando condutas competitivas. Outras não acreditam que um homempossa assumir essa responsabilidade e desqualificam qualquer tipo de ajuda queo pai queira dar aos filhos ou enfraquecemsua autoridade paterna no lar, criticando-o negativamente na frente dascrianças, por exemplo. Com isso, o pai pode tornar-se uma figura apagada eincapaz de exercer influência importante na vida do filho.

Àquelas que educamseus filhos sem uma efetiva participação do pai, uma palavra de ânimo econfiança, pois os filhos são sempre uma bênção de Deus. E com este Pai do Céu,podemos sempre contar diante dos desafios da vida. Poder contar também comaquela figura familiar – do tio, do avô, etc –, que seja referência masculinade amor, presença, retidão e firmeza, torna-se uma importante ajuda para odesenvolvimento integral do seu filho.

Ajudando o pai a assumir o seu papel.

É importante que afigura masculina seja fortalecida na sua missão de educar. A mãe pode ajudarmuito nesse processo, sinalizando ao pai os aspectos importantes da suaparticipação no contexto familiar, pois a família toda só tem a ganhar com essaparticipação – ainda que existam falhas –! Afinal, ninguém é perfeito.

É muito pertinentedizer que a mãe, diante da tarefa de educar, pode somar com as atitudesimportantes e favoráveis que o pai tenha, fortalecendo a imagem dele para ofilho naquilo que é bom e saudável. Suas fragilidades e deficiências não precisamser negadas, porém, é importante que não sejam sempre enfatizadas. O fato é queexiste uma contribuição real e importante da autoridade masculina. É uma outraleitura no processo de educação do filho, a qual enriquecerá seudesenvolvimento, uma vez que os dois querem o melhor para a criança.

A importância do “desmame”.

Içami Tiba, psiquiatra, especialista emrelações familiares, refere que não se pode esquecer o que ele denomina de “desmame do ser humano”. “Desmame”,que nunca acontece naturalmente, já que o vínculo afetivo sempre permanece porinfluência das próprias mães, que confundem afeto com assistência material, em“fazer coisas”, para agradar seus filhos e lhes oferecer proteçãoincondicional, não importando em que faixa etária estejam.

Conforme Içami Tiba, isso poderia ser evitadose, desde a infância, os filhos fossem educados de forma que sempre setornassem responsáveis por seus atos, especialmente na interação fora de casa,uma vez que se torna cada dia mais comum os pais acobertarem os erros dosfilhos a fim de que não sejam punidos socialmente.

O psiquiatra utiliza o termo “pães” paraexplicitar o que vem acontecendo com a figura paterna na atualidade. Para oautor, esses “pães” nada maissão que aqueles pais omissos, ausentes, o que muito tem favorecido para oavanço do comando dos lares pelas mães. Os motivos para esse distanciamentovariam muito, passando, especialmente, pelo alcoolismo, consumo de drogas,separação ou abandono do lar, além do aumento de transgressões e atos ilegais.Nessas situações, nada mais resta às mães a não ser buscar a autossuperação,pois, em situações de crise, são elas que, apesar dos maiores desafios,perseveram ao lado dos filhos. O autor faz questão ainda de frisar que “os filhos respeitam a mãe que se respeita eque, jamais, acatarão ordens de quem não se impõe.”

Tiba afirma que, “só quando as mulheres reunirem suas forças,ajudando os pais a assumirem seu papel, expressando sua importância eresponsabilidades, e fazendo com que os filhos assumam as consequênciasde seus atos, é que a família poderá cumprir autenticamente sua missão deprincipal núcleo de formação sociocultural”.

O pai éo primeiro “outro”.

Estudoscientíficos mostram que o papel do pai começa desde cedo. A sua participação eo seu envolvimento devem ter início no momento mais precoce possível. Sabe-se,inclusive, que, ao participarem do parto, os pais se sentem extremamente úteis.

Apesar do papelmaterno, nos primeiros anos de vida, prevalecer sobre o papel do pai, sabe-seque a importância da figura paternal é altamente notória no desenvolvimentocognitivo, emocional e social da criança. Por outro lado, a relação estabelecidacom os filhos ajuda no desenvolvimento pessoal do homem enquanto pessoa e pai.

Vários são osespecialistas que defendem que a quebra do vínculo afetivo com o pai pode gerarsentimentos de abandono e de rejeição por parte da criança, com repercussão nasrelações por ela desenvolvidas no futuro, comprometendo a formação de novosvínculos. Guy Coreant, psicólogo, afirma que “o pai é o primeiro outro’ que a criança encontra fora doventre da mãe”, sendo essa a presença que vai lhe servir como suporte e apoio,possibilitando o seu desprendimento da mãe e a passagem do mundo da famíliapara o mundo da sociedade: “A figurapaterna é a que permite à criança entrar num horizonte de novaspossibilidades”.

A construção derelações afetivas, duradouras e saudáveis, seja com o pai ou com a mãe, e,especialmente, com os dois juntos, só traz vantagens para o desenvolvimento dacriança e do adolescente, fortalecendo o “tônus” emocional para superaremdesafios, persistirem nos seus objetivos e conquistarem seu espaço nasociedade.

Laura Martins
Assistente social, psicopedagoga e missionária da Comunidade Católica Shalom


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Bibliografia:

COSTA, C. Ana. O Olhar da Psicologia. Portal. 2009. O Papel do Pai.


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