Formação

Palavra de Deus e Santidade Social

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São Paulo na Carta aos Efésios (Ef 2,19) indica à comunidade que eles como homens
e mulheres que conheceram a Palavra de Deus pertencem a Cristo e caminham na
terra sob duas perspectivas distintas, mas unidas e reais, como peregrinos na terra e
como concidadãos do céu. Assim, se nos cabe como cristãos manter nosso coração
no céu almejando sempre a plenitude do Reino, é responsabilidade nossa, de igual
modo, a construção do nosso mundo à luz dos valores do Reino de Deus neste tempo
que se chama hoje. Os cristãos não são alienados de sua realidade humana, muito pelo
contrário, quanto mais têm o coração conquistado por Cristo que se encarnou assumindo
inteiramente a condição humana existencial, mais são capazes perceber as realidades e
necessidades humanas – em especial as mais sofridas e difíceis – e abraçá-las com todo
vigor e amor.

É por isso que Jesus indicada aos discípulos: buscai primeiro o Reino de Deus e sua
Justiça e tudo mais vos será dado em acréscimo (Mt 6, 33-34). O cristão mais do que
ocupar-se de si mesmo, antes, como Jesus deve-se colocar à disposição do outro, ser
com o outro, promover o outro e, assim colaborar com a graça na construção do Reino
de Deus. Buscar o Reino exige empenho diário, contínuo, constante e determinado pela
realização da Vontade de Deus expressada pela Palavra de Deus a cada dia e em todo
tempo e lugar.

O cristão, como nos dizia o Papa João Paulo II, deve ser um homem ou uma mulher
que sabe dar razões a sua fé, seja por uma vida coerente com a sua fé; seja ainda por
manifestarem uma adesão consciente (que conhece a fé praticada) e que é capaz de
formar as consciências ao seu redor, dos filhos, dos amigos, dos companheiros de
trabalho, etc. Por isso, Jesus afirma que a luz não pode ficar escondida debaixo da cama,
mas é para ser coloca em cima da mesa para ser vista (Lc 8, 16-18).

A Declaração Dignitates Humanae, do Papa Paulo VI, afirma com grande atualidade:
Com efeito, o discípulo tem para com Cristo seu mestre o grave dever de conhecer
cada vez mais plenamente a verdade d’Ele recebida, de a anunciar fielmente e defender
corajosamente postos de parte os meios contrários ao espírito evangélico.

Cabe ao cristão com sua vida coerente com a fé professada construir, por meio do
anúncio da pessoa de Jesus Cristo uma sociedade nova que terá a pessoa humana, sua
dignidade e desenvolvimento integral, como valor intangível e fim verdadeiro. Ora,
isso requer uma visão humanista real onde a pessoa humana seja considerada sob a
perspectiva de Cristo e não encarada somente como meio de produção, de consumo
ou como instrumento para obtenção de benefícios ou bens. O homem pertence a
Cristo e não às coisas, às políticas, à economia, às ideologias. Assim, o cristão não
instrumentaliza o homem em vista de obter benefícios, mas sim promove-o à estatura
de Cristo, eleva-o acima dos instrumentos criados para a promoção do bem comum,
reconhecendo que a pessoa humana imagem e semelhança de Deus tem valor em si mesma.

Assim, por exemplo, um empregador cristão ou um gerente cristão não têm em vista
apenas objetivos econômicos, mas antes considera cada pessoa humana como a
prioridade de suas ações.

De igual modo, um cristão ao decidir sobre seu voto, não olhará seus objetivos
pessoais, mas a Palavra de Deus estará em seu coração e sua decisão sempre em
vista da implantação do Reino de Deus, do bem integral da pessoa humana e seu
desenvolvimento e dignidade, do bem comum de todos os homens numa sociedade
justa, baseada na Verdade e no Amor. Quem decide olhando para seus próprios
interesses, não decide à luz da Palavra de Deus, que afirma que o amor é um gesto
concreto de doação de si. O voto cristão escolhe quem defende a Verdade de Cristo, a
Palavra de Deus, a vida humana, a família, e o bem comum!.

Sem duvida, não são decisões fáceis, e na grande maioria das vezes nos sentimos
remando contra uma grande correnteza. Hoje, é difícil, muito difícil defender a Verdade
de Cristo, a Palavra de Deus e a Santa Igreja, pois o dito “politicamente correto” é a
vivência de valores anticristãos (aborto, eutanásia, manipulação genética de embriões,
produção independente de filhos, casamentos “abertos”, pílulas abortivas, etc). Se antes
os vícios se dobravam diante das virtudes dos cristãos, hoje, lamentavelmente o que
vemos são as virtudes corarem diante dos vícios que vão assumindo uma condição
endêmica na sociedade, e passam até despercebidos ou pior socialmente aceitos e
desejados.

Os cristãos sentem que são atingidos por um rolo compressor que pela mídia vai
invadindo os lares e famílias criando uma cultura anticristã de morte, deformando a
educação de jovens e crianças com verdades ilusórias e passageiras que os fazem perder
o sentido da existência humana, e socorrerem-se às cegas de mecanismos de morte para
satisfação de sua necessidade de sentido, em coisas que não podem corresponder-lhes e
pior podem matá-los e fazer perder totalmente a sua dignidade.

É por isso que o magistério da Igreja conclama os cristãos católicos a terem consciência
real e ativa, que se decide por Cristo de forma concreta na construção do “mundo
santificado”, onde a presença do Sagrado retome seu lugar de centralidade em todas as
decisões pessoais, mas também nas coletivas institucionais e políticas. A Constituição
Dogmática Lumen Gentium, nos diz: "A todos os leigos, portanto, incumbe o preclaro
ônus de trabalhar para que o plano divino da salvação atinja sempre mais a todos os
homens de todos os tempos e de todos os lugares da terra. Conseqüentemente, sejam-
lhes dadas amplas oportunidades para que também eles participem ativamente na obra
salvífica da Igreja, de acordo com suas forças e as necessidades dos tempos”.

O empenho no Plano de Salvação do mundo na construção de uma sociedade santa,
não é algo que fique retido nos presbitérios das Igrejas, ou nos seus bancos, mas deve

invadir a sociedade de hoje, por meio de cristãos que tenham uma experiência viva
do encontro com Cristo, e plena consciência de sua missão permanente em favor dos
homens e mulheres deste tempo, com a edificação da sociedade justa, fraterna, fundada
na Verdade de Cristo e na Palavra de Deus. O mundo precisa de cristãos ativos e
determinados que sejam sinais de ação profética para o mundo de hoje. Cristãos que
conheçam e vivam da e na Palavra de Deus.


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