Formação

Para que serviu o Ano Paulino?

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Para responder a esta pergunta, lembremos o objetivo que os Bisposde Portugal propuseram para ele na Nota Pastoral de 6 de Maio de 2008.

Proposta dos Bispos de Portugal

Começaram por constatar: “Este Ano Paulino coincide, no tempo, comuma outra proposta feita pelo Santo Padre a toda a Igreja: a convocaçãode um Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.” Eavançaram: “Esta simultaneidade sugere-nos a convergência dos doistemas nas propostas pastorais. Paulo, grande Apóstolo da Palavra, podeser o nosso guia para descobrirmos, mais profundamente, o lugar daPalavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Basta pensar que ele é oautor sagrado mais frequentemente lido na Liturgia.

“Paulo foi, assim, convidado a despertar-nos para o Sínodo iminentee a preencher uma carência de formação no campo bíblico, há muitosentida entre nós. O primeiro sinal disso, foram as Cartas e Notaspastorais dos Bispos titulares às suas dioceses, dizendo o que nuncatinham dito acerca do valor da Palavra de Deus e da figura e escritosde Paulo, enquanto discípulo e apóstolo enamorado de Cristo, para avida dos cristãos como crentes e evangelizadores.

Programas e ações de todo o gênero

Uma voz tão uníssona, repercutiu-se em programas e acções de todo ogênero e em todos os setores: Semanas Bíblicas nacionais e regionais,Semanas de Estudo nas Universidades e Institutos, nos Centros Pastoraise nas paróquias, a nível acadêmico, científico, pastoral e espiritual;ciclos de conferências semanais e mensais ao longo de todo o ano, anível diocesano; Escolas Bíblicas paroquiais e inter paroquiais; gruposde leitura, estudo e oração a partir das Cartas de S. Paulo e dos Actosdos Apóstolos; itinerários de catequese e celebração para os temposfortes do ano litúrgico: Advento/Natal, Quaresma/Páscoa; exposições depintura e escultura a nível diocesano e local, sobre S. Paulo e outrosapóstolos e evangelistas relacionadas com ele; edições de livros, CD’se DVD’s, cadernos, cartazes e pagelas; números monográficos derevistas; programas de rádio e de televisão; encenações sobre a vida dePaulo e leitura pública das suas Cartas; Dias da Bíblia, incluindoexposições de livros, procissão pelas ruas, Tenda da Palavra aberta aopúblico para leitura contínua de toda a Bíblia; peregrinações ouvisitas de estudo aos “Lugares de S. Paulo”, nomeadamente na Turquia,na Grécia e em Roma; ações de solidariedade com os mais desfavorecidos,na espírito das Coletas do Apóstolo para algumas Igrejas (como oofertório na “celebração nacional” em Fátima); encenações e musicais decaráter popular e experimental. E “uma grande celebração nacional”, emFátima, no dia 25 de Janeiro…

E agora, Paulo?

Terminado o ano “oficial”, e pensando no objetivo inicialmenteproposto, importa-nos reter o essencial e permanente para lhe darcontinuidade.

1. O melhor foi ler, estudar e rezar as Cartas de Paulo, conhecer asua vida e paixão por Cristo e pelo Evangelho, sintonizar com o seucoração de Apóstolo. E constatar que fazê-lo não é difícil, dá gosto ecria sólidas raízes. Urge continuar, pois o desconhecimento inicial eragrande! Cada comunidade precisa de um grupo aberto para ler, estudar,partilhar e comprometer-se com a Palavra.

2. Foi importante o que os Bispos disseram sobre a Palavra de Deus ea figura de Paulo. Importa agir em consequência, através de umaanimação bíblica de toda a pastoral, pois a Igreja continua a viver asua aventura num “mundo secularizado”, como diziam na sua Nota Pastoral(nº 9)…

3. Criaram-se ritmos e dinamismos que devemos secundar: a Bíblia daParóquia, a Bíblia da Família, os encontros com vizinhos para a leituraorante da Bíblia, o Dia da Bíblia com acções públicas de evangelização,transcrição das Leituras no boletim dominical e referência a elas nahomilia.

4. Produziu-se bom material de apoio: rever/ler/ouvir o mais atual eoportuno, permutar com outras pessoas, oferecer à biblioteca paroquial.Paulo continua a ser proclamado; precisamos de o compreender para vivera sua mensagem.

5. Criou-se o apetite: garanta-se a alimentação permanente, pois é aPalavra que agrega a Igreja e a conduz à fé na Pessoa de Cristo. Mudaro leme para outra opção pastoral, neste momento, seria frustrar muitogrão semeado e muita esperança germinada. E, talvez, correr o risco deficarmos em Paulo, sem darmos o passo seguinte para Cristo.

O “Ano Sacerdotal” não pode fazer-nos regredir ao mero pietismo nãoevangelizado. Aliás, a Palavra levará os sacerdotes à raiz da suaaliança e comprometê-los-á na evangelização das suas comunidades,tornando-as ativas, corresponsáveis e lúcidas, capazes de ver, julgar eagir com critérios de Evangelho.

Frei Lopes Morgado, ofmcap
Chefe de Redação da revista “Bíblica”


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