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Paz: dom ou fruto do Espírito? Saiba a diferença

Frei Raniero Cantalamessa é quem explica a distinção entre uma e outra.

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A paz é dom e também fruto do Espírito, no entanto, existe uma diferença entre uma e outra coisa. Quem explica e aprofunda o tema é Frei Raniero Cantalamessa em uma pregação, feita para o Papa Francisco e Cúria Romana, no advento de 2014. 

O frade lembra que São Paulo elenca a paz como o terceiro entre os frutos do Espírito, em Gl 5,22. “Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade”. O Apóstolo situa o tema dos frutos do Espírito dentro da dimensão da luta entre carne e espírito. “Na expressão ‘frutos do Espírito’, ‘Espírito’ não indica o Espírito Santo em si mesmo, mas o princípio da nova vida, ou ‘o homem que se deixa guiar pelo Espírito'”, explica do Pregador do Papa. 

Quando falamos em carisma estamos nos referindo a algo dado exclusivamente pelo Espírito Santo. Nisto consiste a principal diferença dos frutos do Espírito, que “são o resultado de uma colaboração entre a graça e a liberdade”. Outra diferença é que os dons do Espírito são diferentes de pessoa a pessoa, enquanto os frutos do Espírito são iguais para todos. “Nem todos na Igreja podem ser apóstolos, profetas, evangelistas; mas todos indistintamente, do primeiro ao último, podem e devem ser caridosos, pacientes, humildes, pacíficos”, esclarece Frei Raniero.

Frei Raniero Cantalamessa.

“A paz fruto do Espírito é, portanto, diferente da paz como dom de Deus. Ela indica a condição habitual (habitus), o estado de ânimo e o estilo de vida de quem, mediante o esforço e a vigilância, chegou a certa pacificação interior. A paz fruto do Espírito é a paz do coração”, diferencia o frade. Portanto, a Paz como fruto do Espírito nós recebemos quando combatemos a carne, o homem velho. “‘Se, mediante o Espírito, fizerdes morrer as obras do corpo, vivereis’. Neste sentido é que se diz que a paz é fruto do Espírito; é o resultado do nosso esforço, possibilitado pelo Espírito de Cristo. Uma mortificação voluntarista e confiante demais em si mesma pode se tornar, ela própria, uma obra da carne (e se tornará com frequência)”.


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