Formação

Por que o Cristo é rejeitado?

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O evangelista Marcos no capítulo 6, 1-6, nosrecorda como os concidadãos de Jesus, habitantes de Nazaré, o rejeitaram ,fecharam-lhe a porta. E ele se afastou da sua cidade, admirado e triste com asua incredulidade.

 

Desaprovamos o comportamento dos nazarenos, mas ao mesmotempo compreendemos que tantos em todos os tempos têm rejeitado o Senhor.

 

Também nós com os nossos pecados fazemos o mesmo.Perguntemo-nos então até que ponto estamos dispostos a acolher o Senhor.

 

No livro do Apocalipse 3, 20 lemos a palavra colocada naboca de Jesus: “Vê, estou à porta chamando. Se alguém escuta e abre, entrareiem sua casa e cearei com ele, e ele comigo”. No Evangelho, Jesus de Nazarédirige-se a seus concidadãos, bate às suas portas e eles não lhe abrem.

 

O centro onde Jesus transcorreu quase toda a sua vida,existe ainda hoje, cidade de dez mil habitantes, uma paróquia comum. Era aresidência de José e de Maria, e dos parentes. Não gozava de grande reputação,segundo o juízo de Natanael: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”.

 

Jesus é chamado o carpinteiro, marceneiro, sinal que tinhamrecebido a profissão a de seu pai adotivo, José. E Jesus haveria de exercitá-ladurante sua vida oculta. O evangelho fala de irmãos e irmãs de Jesus. Osestudiosos explicam que na língua aramaica de então, pobre de vocábulos, tinhaum termo para indicar irmãos verdadeiros e próprios, e também primos e parentesem geral. Aíse tratava de parentes. Marcos nomeou quatro. A família patriarcal de então: parentese vizinhos e longínquos eram considerados e se chamavam todos irmãos.

O episódio narrado por Marcos verifica-se quando Jesuscomeçou a anunciar o Reino de Deus. Anunciava o seu Evangelho, “a boa notícia”,e acompanhava a pregação com sinais, as curas miraculosas. Nós com facilidadeesperamos efeitos positivos ao máximo. Como será possível escutar o Senhor, enão acolher a sua palavra? Também as reações do povo eram as mais disparatadas,e não raro hostis.

Pessoas bem dispostas tornavam-se discípulos, e Jesusescolhe entre essas os Doze. Outras eram somente curiosas, olhavam Jesus comoolhamos os prestidigitadores. Não poucos eram precisamente hostis: fariseus,escribas, saduceus, e em Jerusalém os sacerdotes do Templo; em geral, um poucoem toda parte, os chefes. O episódio do evangelho acrescenta à lista dos hostistambém os nazarenos.

Para nós é um problema. Como é possível que Jesus nãoconsegue persuadir? Talvez nós, animados de boa vontade, queremos persuadir osoutros? Uma primeira explicação dessas dificuldades encontradas por Jesuspoderia estar no fato que Jesus não constrange ninguém, somente oferece a suaVerdade e respeita a liberdade. Ele está à porta e bate, mas a porta somente seabre do interior. Assim o problema continua. Livres sim, mas como dizer não aoSenhor? A um grupo de intelectuais franceses que falavam de Cristo e docristianismo e exprimiam a persuasão que eram invenções dos padres,conhecidosdo padre Guillaume Pouget, ele responde: “Não se inventa o Cristo, porque ele émuito incômodo”. A verdade nua e simples é que se nós os homens tivéssemosinventado o Cristo, nós o teríamos construído mais acomodador, conciliador comnossas fragilidades, menos exigente, sem as Bem-aventuranças, sem a lei do amorao próximo, com algum desconto sobre os dez mandamentos.

O fato é que encontramos Jesus assim: incômodo. Exigente.Totalitário. Radical. De si dá tudo, de nós se acontenta com o que lhe damos,mas pede tudo.

Para os escribas, fariseus, chefes do povo, aceitar a lei doSenhor, o espírito das bem-aventuranças cristãs, o amor fraterno, comportavarenunciar aos privilégios, aos primeiros lugares, a uma existência cômoda ereverenciada. Deveriam mudar estilo de vida. A mudança é sempre incômoda.

Para poder continuar a própria vida preguiçosa com todatranqüilidade, para não mudar os próprios hábitos e seguranças, não há nada afazer senão ignorar Jesus, ou combatê-lo, desacreditá-lo, marginalizá-lo,colocá-lo fora.

Para nós, resta somente ver se temos coragem de abrir bem anossa porta, do nosso interior, ao Senhor. Há 2.000 anos Ele continua afascinar, a chamar, a convencer a muita gente a segui-lo!


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