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Pregador do Papa anima a «nos apropriarmos» das bem-aventuranças

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Dado que as bem-aventuranças constituem um «auto-retrato de Jesus», o pregador da Casa Pontifícia considerou nesta sexta-feira, ante Bento XVI e a Cúria Romana, que não só estamos chamados à sua imitação, mas também a nos apropriarmos delas.

E isso é uma «boa notícia» que se traduz — afirmou o Pe. Raniero Cantalamessa O.F.M. Cap. — «em que na fé podemos beber da mansidão de Cristo, assim como de sua pureza de coração e de qualquer outra virtude sua».

«Podemos orar para ter a mansidão, assim como Agostinho rogava, por sua parte, para ter a castidade: ‘Ó Deus, vós mandais que eu seja manso; dai-me o que pedis e pedi-me o que quiserdes’», propôs.

Na presença de Bento XVI, na capela «Redemptoris Mater» do Palácio Apostólico do Vaticano, o Pe. Cantalamessa prosseguiu nesta sexta-feira suas pregações de Quaresma no contexto das Bem-aventuranças Evangélicas, nesta ocasião sobre a seguinte: «Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra».

Longe de ser um bom programa ético de um mestre para seus discípulos, as bem-aventuranças são o auto-retrato de Jesus: «Ele é o verdadeiro pobre, manso, puro de coração, o perseguido por causa da justiça», recordou o sacerdote franciscano, apontando o mandato de Jesus: «Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).

Para abarcar o sentido pleno da mansidão, sublinhou duas associações constantes da Bíblia e das exortações cristãs antigas: mansidão e humildade, assim como mansidão e paciência.

«Uma evidencia as disposições interiores das quais brota a mansidão; a outra, as atitudes que leva a ter ante o próximo: afabilidade, doçura, gentileza», declarou o Pe. Cantalamessa. E os Evangelhos «são a demonstração da mansidão de Cristo, em seu duplo aspecto de humildade e paciência», afirmou.

«Prova máxima da mansidão de Cristo se vê em sua Paixão»: «nenhum gesto de ira, nenhuma ameaça»; «mas Jesus fez muito mais que dar-nos exemplo de mansidão e de paciência heróica», alertou o pregador do Papa.

«Fez da mansidão e da não-violência os sinais da verdadeira grandeza» — afirmou –, de forma que «esta já não consistirá mais em elevar-se solitários sobre os demais, sobre a massa, mas em inclinar-se para servir e elevar os outros.»

Talvez a dos mansos seja o exemplo mais claro da «relevância inclusive social das bem-aventuranças», apontou o Pe. Cantalamessa, aludindo à «extraordinária relevância» dessa bem-aventurança «no debate sobre religião e violência».

«O Evangelho não dá lugar a dúvidas — observou. Não há nele exortações à não-violência misturadas com exortações contrárias.»

E o seguinte passo em sua pregação dirigiu-se ao coração, onde se decide a mansidão. Advertiu, recordando o Evangelho, que é do coração de onde procede a maldade, as explosões de violência, guerras e conflitos, mas também a violência dos pensamentos.

Mas podemos perceber isso — expressou, recorrendo à experiência dos Padres do deserto –, porque «nossa mente tem a capacidade de prever o desenvolvimento de um pensamento, de conhecer, desde o início, onde irá parar: se ao perdão do irmão ou à sua condena, se à glória própria ou à de Deus».

Daí a tarefa de fechar-lhes a passagem quando não são conformes à caridade, assinalou.

Antes de concluir, o Pe. Cantalamessa recordou «a promessa ligada à bem-aventurança dos mansos» — «possuirão a terra» –, que «se realiza em diversos planos, até a terra prometida definitiva, que é a vida eterna».

«Mas, certamente, um dos planos é o humano: a terra são os corações dos homens. Os mansos conquistam a confiança, atraem as almas», confirmou.

Fonte: Zenit


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