Formação

Quem é Jesus, afinal?

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Maria Emmir Oquendo Nogueira

 

     Recentemente dediquei dez dias a reler os Evangelhos naordem em que foram escritos: Marcos, Mateus, Lucas, João. Foi uma leituracursiva, é verdade, com vários capítulos por dia, sem me deter demoradamente emnenhum texto, nem fazer comparações entre passagens ou dedicar-me à LectioDivina. Tudo muito simples, como quem lê os Evangelhos pela primeira vez. Meuobjetivo era um só: buscar o Rosto de Jesus.

Impressiona-me a facilidade com que eu e, pelo que percebo,outras pessoas, acabamos por nos afastar deste rosto que os evangelistasdelineiam com tanto amor e precisão. Aos poucos, vamos como que percebendoapenas “partes” do Rosto do Filho do Homem, exatamente aquelas que mais nosimpressionam ou agradam. Aos poucos, vamos esquecendo pequenos detalhes das atitudesde Jesus, de seu itinerário, do seu jeito de formar os discípulos, daincomparável coerência interior do texto, da clareza que tinha de Sua missão.

     É fantástico perceber a Pessoa de Jesus surgindo, nodecorrer da leitura, de cada palavra da Palavra. Belo ver o Espírito Santosempre trabalhando para fazer visível o Rosto do Filho Amado e, Nele, do Pai deAmor e de Bondade, Pai de Misericórdia. A Palavra vai tomando vida e vaidesvendando a Pessoa de Jesus que nos aparece revestida de novo fascínio, denova vida, de novo amor.

Talvez você pense que conhece este Rosto Bendito. Este jeitode ser, esta maneira de viver, de obedecer ao Pai, de servir ao homem, deanunciar o que lhe preenche o coração. É possível que você se tenha contentadoem ler sobre os Evangelhos, sobre Jesus, sobre as virtudes evangélicas, sobreos conselhos e preceitos do Evangelho.

O problema, porém, é que ler sobre o Evangelho, ou sobre aPalavra em geral, embora seja muito bom e proveitoso – quanta beleza nosdiscursos do Santo Padre, quanta riqueza nas exegeses do Frei Cantalamessa, doscomentários dos Padres da Igreja! – é como uma notícia de segunda mão. Umacoisa é estar presente a um fato, vê-lo presenciá-lo, vivenciar em primeirapessoa cada detalhe. Outra coisa é saber do fato pela mídia e pelos jornais,por mais fidedignas que sejam as descrições, por mais nítidas que sejam asfotos e os filmes. Nada substitui uma notícia em primeira mão!

    O Evangelho, apesar de ser a Boa Nova, é, porém, muito,muitíssimo mais que uma notícia em primeira mão. É uma Pessoa em primeira mão.Ora, se uma notícia em primeira mão já faz toda a diferença, o que se dirá deum contato pessoa a pessoa, sem intermediários? Pois é exatamente este o frutoque retiro a cada vez que tiro cerca de duas horas por dia para reler, em dezdias, os Evangelhos: o contato pessoa a pessoa, o abraço abandonado, jogado nosbraços do Amigo querido há tempos não encontrado na visão dos quatroEvangelhos, um novo fervor e ardor na oração pessoal e comunitária, um novo sentidoe novo ânimo para o apostolado e a vivência da caridade.

   

    Nestes dez dias dedicados aos Evangelhos, é impossível nãoprogramar mais dez dias, daqui há alguns meses, para ler os Atos e as Epístolase nelas encontrar companheiros de caminhada no discipulado a Jesus Cristo.Impossível, também, não se perguntar por que será mesmo que os pregadores nãoutilizam mais a Palavra em suas pregações. Impossível, finalmente, compreenderporque todo o mundo, de vez em quando, não se dedica à busca deste Rosto na Palavra.

Falta de tempo? Aqui vai um segredo nada espiritual, masmuito prático: para ler os Evangelhos de forma corrida só tenho a noite e,convenhamos, além dela, muito cansaço e sono. Aprendi, na Malásia, que chuparpastilhas de hortelã, canela ou de frutas amargas ajudam a ficar acordado. Poisbem: leio os Evangelhos madrugada adentro, chupando uma pastilha atrás da outraou caminhando pela casa, pois preciso estar bem acordada para não inventar, aospoucos, um rosto de Jesus à minha imagem e semelhança, mas para conhecer esteRosto a cuja imagem e semelhança fui criada.


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