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Reflexão para o 18º domingo do tempo comum

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A liturgia de hoje nos fala da providência e da prodigalidade de Deus. Ao mesmo tempo nos remete à situação de penúria e fome em que um bilhão de pessoas passa fome, ou seja, um sexto da Humanidade. Nestes dias a atenção do Mundo está voltada para a região chamada Chifre da África, onde 12 milhões de pessoas são atingidas pela pior seca dos últimos sessenta anos na região e é considerado atualmente o pior desastre humanitário pelo qual o mundo está passando .

Como unir a Providência pródiga a essa situação catastrófica?
A falha não é do Criador. Se o banquete da vida se tornou privilégio de poucos, deveremos refletir e revisar a disposição que nos leva à celebração semanal da Vida, ou seja, a celebração onde é realizada a partilha do Pão.

Em Isaías – a primeira leitura deste domingo – Deus subverte o “status quo” convidando os pobres a saírem da penúria e a vivenciarem a partilha da criação. Esse convite é para uma libertação, libertação da dependência dos produtores de alimentos, daqueles que se assenhorearam dos bens da criação e exercem poder sobre o direito das pessoas de se alimentarem como Deus, nosso Pai, pensou, oferecendo-nos uma natureza dadivosa. Deus não quis irmãos explorando irmãos e matando-os de fome, mas criou tudo para todos.

No Evangelho, Jesus faz exatamente a vontade do Pai. Não deixa ninguém passar fome. Ao contrário, não é apenas pódigo com a comida material, mas no futuro se fará nosso alimento, quando nos der, através do pão e do vinho, seu corpo e eu sangue como alimento eterno.

Mas vejamos o contexto em que se realiza o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. São Mateus nos fala, inicialmente, do banquete de Herodes, banquete onde apesar de se consumir alimentos, não se celebra a vida, mas a morte. Seus comensais estão ali com o intuito de exercer poder, de pressionar, de jogar interesses. Não pensam no outro, mas em si mesmos, em se manterem, mesmo a custo do sofrimento e da morte do inocente. O grande inocente morto nesse banquete herodiano foi João Batista. Sua culpa foi não aceitar a vida devassa do potentado.

Já o banquete que Jesus proporciona ao povo se dá a céu aberto e realizado com bastante compaixão, após falar do carinho do Pai e curar os doentes que ali estavam. É o banquete da Vida, que sacia plenamente aqueles que dele participam. As desigualdades foram supressas, todos saciados, curados e amados.

A solução apresentada por Jesus não foi um milagre econômico e nem religioso, mas a partilha dos bens da Criação.

Em outra passagem do Evangelho, Jesus diz que aos pobres é revelado o Reino de Deus e eles entendem a mensagem do Reino. E é verdade! No tocante à partilha dos bens, ninguém entendeu melhor que eles. Dentro de sua pobreza e até miséria, o pobre sabe dividir o que possui.

Nossas celebrações eucarísticas deveriam deixar de ser mero ritual e passar a ser aquilo a que se propõem e que é querido por Jesus, isto é, partilha da Vida. Partilha do Pão da Vida, que é Jesus e partilha do pão que dá a vida material, partilha essa que indica a autenticidade de nossa celebração Eucarística.

Ainda considerando as palavras de Jesus – quem fizer algo ao menor dos meus irmãos, a mim estará fazendo – podemos ter a consciência de que ao partilharmos com o pobre, mesmo sendo uma pessoa desconhecida e que jamais a conheceremos, vale a palavra de Jesus. Não importa se o gesto de partilhar poderá nos tornar mais pobres, importa agradar Jesus e viver o espírito da segunda leitura: nada nos poderá separar do amor de Deus, seja, bem-estar, fome, nudez, conforto.

Que nossas Eucaristias realizem de fato o que pretendem: a partilha da Vida, o sentar-se à mesa, com o irmão, na Casa do Pai.

Como consequência não haverá mais carentes, sejam materialmente, afetivamente ou espiritualmente.

E dirão sobre nós: vejam como se amam! E consequentemente, o Senhor aumetará o número de nossos companheiros.


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