Formação

Santidade

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Dom José Alberto Moura

Muitosconceitos e palavras se esvaziam e são usados, não raro, de mododistorcido de seu sentido original. Nas religiões, no entanto,encontramos a noção de santidade como expressão de vida exemplar dequem é temente a Deus e procura estabelecer relação de fidelidade aEle, de modo a colocar em prática suas inspirações e suas orientações.A santidade de uma pessoa é reconhecida oficialmente pela Igreja comoexemplo a ser seguido e por sua instância junto a Deus em benefício dapessoa que o invoca.

Àsvezes se julga a santidade como algo inatingível por muitos, devido aospróprios limites, problemas e falhas. Deus nos fala para sermos santoscomo Ele o é. Jesus nos desafia a sermos perfeitos como o Pai. Dessemodo, a santidade e a perfeição parecem utopias. Mas, em relação a nós,pecadores, a santidade não é a conquista já ou imediata da perfeição. Ésim a busca sincera e comprometida com a realização do projeto de Deusa nosso respeito. Progressivamente vamos nos depurando ou purificandode nossos defeitos e erros: “Todo o que espera nele purifica-se a simesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3, 3). É evidente que a santidadenão é o simples esforço humano a conquistá-la. Para adquiri-la a pessoadeve ser humilde em reconhecer a própria fragilidade e a bondadeinfinita de Deus. Confia nele. Sua graça é que nos faz santos. Noentanto, o esforço humano em colaborar com a ação de Deus deve ser bemmanifesta.

Tivemosgrandes pecadores que, tocados pela ação de Deus, mudaram completamentesuas vidas e se puseram em consonância com o projeto dele. Pedro,Paulo, Agostinho, Inácio de Loyola e tantos outros são eminentesconvertidos. Não há tamanhos pecadores que não possam superar seuslimites. As bem-aventuranças são o caminho a ser buscado por quemrealmente quer se encontrar e realizar na vida (Cf. Mt 5, 1-12). É ocaminho da busca do ideal apresentado por Jesus.

Hásantos e santas no mundo atual, com verdadeiras características do serhumano engajado na história. Sua marca tem sido forte na família, naIgreja, nas profissões, no trabalho, na política, na ciência, naeconomia, na mídia… Não se deixam corromper. Defendem o direito e ajustiça. São éticos. Fazem família conforme sua razão de ser, seguindoos critérios e valores humanos e transcendentes. Não seguem o caminhodas facilitações imorais. Responsabilizam-se pelo bem da comunidade.Levam a sério sua condição humana e religiosa. Depois de sua caminhadaterrestre vão se encontrar no meio dos bem-aventurados: “Depois disso,vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos elínguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e doCordeiro…” (Ap 7, 9).

Ninguémjá é santo completo desde o nascimento, a não ser o Filho de Deus eMaria. É preciso que seja marcado com o sinal de redenção e correspondaao dom da mesma levada a efeito no decorrer da vida. Por isso, vale apena cada um fazer a própria história na correspondência à graça dasalvação recebida. A fidelidade a Deus nos coloca atentos ao sentido davida apresentada por Ele.


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