Formação

Santificar-nos Igreja

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 Santifiquemo-noscomo Igreja

 Como é fácilconstatar, está ganhando terreno entre os cristãos o desejo profundo — diriaaté, a urgência — de servir à Igreja, não tanto e não somente de modo externo ematerial, mas antes de uma maneira diferente, mais conforme com a sua fé, maisessencial.

 Notamos,especialmente entre os leigos, que se tornar santo, como se concebia até agora,é pouco aceito, aliás, é até considerado superado, às vezes. O estilo desantidade do cristão de hoje vai além do de uma perfeição que se buscaindividualmente e se traduz com freqüência do seguinte modo: queremos nossantificar juntos, desejamos uma santidade coletiva.

 Desse modo, vãoformando-se aqui e ali grupos de cristãos empenhados, que se encaminham unidospara Deus.

 Pois bem, sentimosque é Deus quem quer isso, contanto que o todo tenha um caráter amplo, umfôlego eclesial, a unidade amorosa com a Hierarquia.

  O semblante daIgreja, aqui transparente de luz, acolá ofuscado por sombras, deve refletir-seem cada cristão, em cada grupo de cristãos. Isso significa que devemos sentircomo nossas, não apenas todas as alegrias da Igreja, suas esperanças, suasflorações sempre novas, suas conquistas, mas sobretudo sentir como nossas todasas suas dores: a dor da comunhão não plena entre as Igrejas, a dor lancinantede situações sofridas, de contestações negativas, da ameaça de desarraigartesouros seculares; a dor angustiante de tantos que renegam ou não aceitam amensagem que Deus anuncia ao mundo para a sua salvação.

 Em todas essasagruras, sobretudo nas espirituais, a Igreja que sofre aparece como oCrucificado dos nossos tempos que grita: “Deus meu, Deus meu, por que meabandonaste?” (Mt 27,46).

 Algum tempo atrás,estive no eremitério de Alverne, onde meditei sobre o dom excepcional dosestigmas que Deus concedeu a Francisco de Assis, como prova de sua imitação deCristo e do seu ser cristão.

 Pensei que todosos verdadeiros cristãos deveriam ser estigmatizados, não no sentidoextraordinário e exterior, mas espiritual.

 E tive a impressãode entender que os estigmas do cristão dos nossos dias são justamente asmisteriosas, mas reais, chagas da Igreja de hoje.

 Se a caridade deCristo não se dilatou a ponto de sentirmos em nós a dor dessas chagas, nãoestamos sendo como Deus quer que sejamos hoje.

 Em nossos dias,não é suficiente uma santidade apenas individual, tampouco uma santidadecomunitária, mas fechada. É preciso sentir em nós os sentimentos de dor etambém de alegria que Cristo sente hoje em sua Esposa.

 É necessário quenos santifiquemos como Igreja.


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