Formação

Segredo da credibilidade de João Batista

comshalom

João Batista, o profeta do Advento 

 Marcos 1, 1-8

Umadas grandes estrelas das narrações do Advento e do Natal, João Batista,faz hoje sua aparição no cenário bíblico. Consideremos juntos algunsdetalhes da vida de João e vejamos por que é tão bom modelo para nós.João Batista não tem travas na língua. Dizia o que pensava e o queprecisava. Hoje nos dirigirá palavras igualmente cruas: tocarãodiretamente os pontos fracos das nossas vidas. João Batista pregava oarrependimento com credibilidade porque antes amava a Palavra de Deus,que havia escutado no coração de seu próprio deserto. 

Escutou,experimentou e viveu a palavra libertadora de Deus no deserto. Suaeficácia no anúncio desta palavra se devia ao fato de que sua vida esua mensagem eram uma só coisa. A incoerência é uma das coisas maisdesalentadoras que temos de enfrentar em nossas vidas. Quantas vezesnossas palavras, nossos pensamentos e nossos gestos não são coerentes!Os verdadeiros profetas de Israel nos ajudam a lutar contra toda formade incoerência. 

Ao longo de toda a história bíblica, os líderese visionários foram ao deserto para ver com mais clareza, para escutarcom atenção a voz de Deus e descobrir outras maneiras de viver. Apalavra hebraica para dizer deserto, «midvar», deriva de uma raizsemítica que significa «levar o rebanho ao pasto». «Eremos», a palavragrega utilizada para traduzir «midvar», indica um lugar desolado, poucopovoado, e em seu sentido mais estrito, um terreno abandonado oudeserto. 

O termo «deserto» tem dois significados diferentes, masligados, que fazem referência a algo selvagem e intrigante. Foiprecisamente esta dimensão de desconhecido (intrigante) e descontrolado(selvagem) que levaram ao atual termo «deserto». 

Mas há tambémoutra maneira de compreender o sentido da palavra «deserto». Umaanálise atenta da raiz da palavra «midvar» revela a palavra «davar»,que significa palavra ou mensagem. A noção hebraica de deserto é,portanto, um lugar santo, no qual é possível escutar, experimentar,viver em liberdade a Palavra de Deus. Vamos ao deserto para escutar aPalavra de Deus, de uma maneira desapegada e completamente livre. 

OEspírito de Deus permitiu que os profetas experimentassem a presença deDeus. Deste modo, eram capazes de compartilhar as atitudes, os valores,os sentimentos e as emoções de Deus. Este dom lhes permitia ver osacontecimentos de sua época como Deus os via e ter os mesmossentimentos de Deus diante deles. Compartilham a cólera de Deus, suacompaixão, sua pena, sua decepção, sua repulsa, sua sensibilidade pelaspessoas e sua seriedade. Não viviam estas experiências de maneiraabstrata, mas animados pelos mesmos sentimentos de Deus diante dosacontecimentos concretos de sua época. 

João Batista é o profetado Advento. Com freqüência é representado apontando com o dedo Aqueleque deve vir, Jesus Cristo. Se, seguindo o exemplo de João, preparamoso caminho do Senhor no mundo de hoje, nossas vidas se converterãotambém em dedos de testemunhas vivas que mostram que é possívelencontrar Jesus, e que está perto. João ofereceu às pessoas de suaépoca uma experiência de perdão e de salvação, sabendo muito bem quenão era o Messias, o que podia salvar. Permitimos aos demais que façama experiência de Deus, do perdão e da salvação? 

João Batistaveio para ensinar-nos que há um caminho que nos tira das trevas, datristeza do mundo e da condição humana, e este caminho é o próprioJesus. O Messias vem para salvar-nos das forças das trevas e da morte,e nos leva pelo caminho da paz e da reconciliação para que voltemos aencontrar nosso caminho para Deus. 

O teólogo jesuíta KarlRahner, hoje falecido, escreveu em uma ocasião: «Temos de escutar a vozdo que nos chama no deserto, ainda que reconheça: não sou o Messias.Não podeis deixar de escutar esta voz ‘porque não é mais que a voz deum homem’. Do mesmo modo, vós tampouco podeis deixar de lado a mensagemda Igreja porque a Igreja ‘não é diga de desatar a correia dassandálias de seu Senhor, que a precede’. Nós nos encontramos, de fato,ainda no Advento». 

Talvez não tenhamos o luxo de viajar aodeserto da Judéia, nem o privilégio de fazer um retiro de Advento nodeserto do Sinai. De qualquer forma, podemos certamente encontrar umpequeno deserto no meio das nossas atividades e do barulho da semana.Vamos a esse lugar sagrado e deixemos que a Palavra de Deus nosinterpele, que nos cure, que volte a orientar-nos, a levar-nos aocoração de Cristo, de quem esperamos a vinda neste Advento.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *