Formação

Segurança Pública

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  Dom José Alberto Moura

    Otempo da Quaresma nos prepara à celebração da maior solenidadereligiosa da Igreja – a Páscoa de Jesus. É-nos propício passar pelaexperiência do Cristo da doação de vida. Ele nos convida a tomar umcaminho diferente do comum. Só ganha a vida quem der a própria pelosemelhante. Para convencermos nosso eu sobre isso, precisamos detreinamento ou ascese, com a exercitação da penitência, da oração, dojejum, da caridade, do compromisso com o bem comum. Nesta direção,usamos textos próprios ou cartilhas que nos ajudam a orar em comum comas famílias vizinhas e as comunidades, meditando na Palavra de Deus,examinando nossas atitudes, comparando-as com o projeto dele e tomandomelhores decisões para colocarmos em prática nossa fé e sermoscoerentes com o seguimento a Cristo.

    Duranteo tempo quaresmal, realizamos a Campanha da Fraternidade para canalizarnossa prática da fé com os frutos da vida. O tema deste ano“Fraternidade e Segurança Pública” nos estimula a vivermos ocompromisso de promoção e defesa da vida de qualidade para todos. Cadaum é responsável pelo bem do semelhante. Tirar as causas da violência épreciso. Todos queremos paz. Ela só acontece quando há justiça paratodos. O lema da Campanha é justamente “A paz é fruto da justiça” (Is32, 17). Precisamos dominar a selvageria da destruição paraconseguirmos o amor da construção da pessoa nova. Jesus, logo Ele quenão tinha pecado, quis nos dar o exemplo da doação total de si paraque, imitando-O, tenhamos condição de promover a regeneração do serhumano. Somente com a conversão para o amor, conseguiremos ter umconvívio na justiça. Aprendemos com o Salvador. Ele veio erradicar omal, que está no coração do ser humano. Consertar o coração é preciso,com a educação para o amor e alteridade. Pensar no bem da pessoa, dafamília, da sociedade é pensar no nosso próprio bem. Na complexidade daconjuntura social agressiva, podemos levar o lenitivo ou o remédio quecura, ou seja, a justiça misericordiosa apresentada pelo Divino Mestre.Ele veio salvar a mecha ainda fumegante do desejo humano de justiça ede paz.

    Ajustiça de Cristo realiza o bem, não porque o ser humano mereça oudeixa de merecer. É a justiça do amor que vai além da retribuição pormérito. Ela faz cada um dar de si pelo bem do outro, sem interesse. Oresultado será muito rico em compreensão, fraternidade, compromisso comos mais fragilizados e com todos, à semelhança do bom samaritano. Asuperação da vingança, dos interesses egoístas, da má política, dodesrespeito à criança, ao adolescente, à mulher, à família, dadiscriminação, da agressão ao meio ambiente, ao pensar só em si emdetrimento dos outros… Tudo, enfim, que agride a vida, a dignidadehumana e ambiental é banido. A cultura da paz deve ser uma educaçãocontínua para pensarmos no eu social, com o eu individual pensando notodo. O resultado, de fato, advirá com solidariedade, amor e vida dequalidade para todos. Jesus é o maior estímulo para nós. Com Ele, nostornamos novas criaturas. Superamos qualquer tipo de ódio, agressão emassacre da vida. Daremos, com Ele, vida abundante para todos.

    Coma Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos este tempo profundamente propíciopara repensarmos nossa caminhada de superação da violência, que levou oser humano a matar aquele que veio nos dar vida. Mas “agora, diz oSenhor, voltai para mim com todo o vosso coração com jejuns, lágrimas egemidos; rasgai o coração, e não as vestes, e voltai para o Senhor,vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio demisericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Joel 2, 12-13). Seguindoa Jesus, teremos a vida nova da ressurreição pessoal, comunitária esocial, já aqui na terra e um dia na eternidade.


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