Formação

Sentido da fé, não bastam ritos

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A religiosidade é um fato da história humana de todos os tempos. Nem o regime comunista pôde erradicá-la de povos que ficaram sob seu domínio. Mas a fé religiosa se apresenta sob diversas modalidades e múltiplas religiões. Na proposta cristã não basta a pessoa dizer “Senhor, Senhor!”, para alcançar seu objetivo de salvação. É preciso seguir o que Deus indica: “Guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus… e os poreis em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência perante os povos” (Dt 4, 2.6). A palavra de Deus salva, mas deve ser colocada em prática, conforme lembra o Apóstolo Tiago (Cf. Tg 1, 22).

A realização de ritos, ofertas, sacrifícios e formalidades religiosas é própria de quem deseja manifestar a Deus sua vontade de estar unido a Ele e de confiar na sua bondade e ajuda. No entanto, isso seria muito pouco se não se fizesse a vontade do Criador. Ele cuida de suas criaturas, mas como as ama, confia parte do que lhes compete às inteligentes, como o ser humano. Aliás, Deus nos ama a ponto de valorizar nosso consentimento e opção em aceitarmos ou não suas propostas. O resultado de nossas escolhas vai ser positivo ou não, de acordo com o bem ou o mal escolhido. Quem ama respeita a decisão do outro, como Deus faz conosco. Ele, no entanto, faz tudo para nos convencer do que é o melhor. Quanto mais nos distanciarmos do que Ele nos propõe, mais nas trevas e infelizes seremos. Por isso, Ele até, como medida de extremo amor, enviou-nos seu Filho para nos endereçar para a salvação e plena realização. Imitá-lo é preciso. Confiar nele é necessidade vital. A religiosidade, com efeito positivo e abundante, está justamente na prática de seguir e aplicar em nossa vida seus ensinamentos.

Jesus, ao fundar sua Igreja, a quis para ser um instrumento de ajuda e ser luz indicativa do rumo da história, em bem da realização do projeto de Deus por parte da humanidade. Ela não é objetivo, mas o meio importante da sinalização do caminho que leva à vida plena, com instrumentos adequados e facilitadores da consecução desse ideal. As religiões podem ser meios de ajuda quando aceitam, de boa fé, os valores do Criador e os põem em prática, na perspectiva já apresentada pelo Filho de Deus. Ele, ao contrário da religião humana em busca de Deus, é o próprio Deus que vem a nós e nos oferece condição adequada e necessária à salvação. Por meio dele, o ser humano consegue o objetivo de se unir a Deus.

A fé puramente verticalista e alienante não favorece a prática da convivência, com promoção da justiça, que dê lugar à vida realmente fraterna. A união entre fé e vida faz a religiosidade atingir seu objetivo, conquistado na prática do amor provindo de Deus, para que o espalhemos a todos. Essa é a vontade do Criador, imprescindível para a religiosidade ter frutos em todos. A fé que leva à religiosidade puramente formal é recriminada por Jesus: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim… o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo” (Mc 7, 6.15.21-22). A religiosidade comprometida com a prática do amor faz a pessoa trabalhar seus impulsos para uma convivência de real promoção do bem para todos.


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