Formação

Sofrer por amor

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Marco Dias

Missionário da Comunidade Católia Shalom

 

    Como um jovem que anseia pela verdade, estive buscando emDeus, por meio da oração nesses últimos dias, qual seria o sentido dosofrimento humano, contra o qual tantas vezes quis lutar e eliminar da minhavida. Dessa vez, porém, fui tomado por uma grande alegria pelo novo olhar que oSenhor me deu sobre esse assunto. Quero compartilhar com vocês, jovens, essenovo olhar.

Outro dia fiquei bastante impressionado ao assistir a umdocumentário na televisão sobre os tradicionais circos chineses, no cuidado depreservar com fidelidade sua cultura milenar, através do ensino fidedigno dastécnicas e números que são apresentados nos espetáculos. Crianças, cujos paisou elas mesmas decidem seguir a carreira circense, entram em escolas de circo epassam por uma educação rigorosa, acordando cedo, dedicando-se intensamente aotreino, aos exercícios, tudo com muita disciplina e obediência.

O que mais me impressionou, no entanto, não foi ver criançasde 5 anos com essa disciplina toda, mas a imagem (que a televisão mostrou) deuma dessas crianças fazendo um exercício muito doloroso de alongamento damusculatura das pernas. A criança, literalmente, chorava de dor!

Dentro de mim, o primeiro grito que ecoou foi: “Crueldade!Que absurdo!”.

Logo em seguida, a reportagem mostrou a mesma criança doexercício “absurdo” sendo entrevistada entre muitos sorrisos, risadas ealegria. Ela deu o seu depoimento de que o alongamento doía muito, mas que nãose comparava ao tamanho do amor que ela tem pelo circo, portanto, nãodesistiria dele.

O documentário continuou mostrando, inclusive, que algumascrianças são mandadas de volta para a casa de seus pais (as crianças moram naescola e se submetem a seqüenciais processos de seleção), caso não alcancem odesempenho ou disciplina necessários. Outras, porém, como valentes guerreiros,se decidem por viver o dia-a-dia do circo, mesmo diante daquele notávelsofrimento humano, porque gostam realmente da escola, dos professores, dosamigos, da alegria que levam ao público… Nesse lugar, diferente do que nóspoderíamos imaginar (pela mentalidade ocidental predominante), o principalobjetivo não é o dinheiro nem o sucesso.

A lembrança desse documentário me veio durante a oraçãojuntamente à lembrança da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A imagem deJesus Ressuscitado, sorridente e sempre com as marcas das chagas gloriosasevidentes em seu Corpo,foi a que prevaleceu em meu pensamento.

Eu utilizava um trecho do livro Tecendo o Fio de Ouro1 comoum “pontapé” para a minha oração pessoal. E, foi através dele que o Senhorsuscitou a resposta para o meu questionamento sobre o sentido do sofrimentohumano. O documentário do qual me referi ganhou também um novo sentido depoisdessa leitura.

Descobri que, na Paixão e Ressurreição de Cristo e no fatode Ele ser sempre e totalmente Amor, Jesus mesmo deu sentido ao sofrimento desua Paixão-Morte, bem como a todo o sofrimento humano.

Na Sabedoria do Pai, Jesus morreu e ressuscitou para nosredimir de todo sofrimento (que teve início no pecado original). “REDIMIR”,porém, não significa “eliminar”, como eu mesmo pensava sem consultar odicionário, mas significa “LIBERTAR”. O sofrimento humano não deixou de existir(isso é evidente na minha e na sua vida!), mas perdeu a autoridade de nosescravizar. Jesus Cristo, em sua Morte e Ressurreição, “elevou o sofrimento à ordem doamor”2. Ele nos LIBERTOU! Por Jesus Cristo e com o auxílio da nossa vontade einteligência, não somos mais escravos do sofrimento, mas fazemos dele uminstrumento para amar.

Jesus nos mostra o caminho! “Vencemos o sofrimento lutandocontra nós mesmos, e não contra ele! Lutamos contra nós mesmos, e não contraquem nos faz sofrer”3. Não foi isso que Jesus mesmo fez? Lutou, em sua condiçãohumana, contra os anseios da própria carne, que não queria sofrer, mas, poramor, assumiu o peso dos nossos pecados e morreu por nós.

Ele também nos diz: “Ninguém me tira a vida, eu a doulivremente” (Jo 10,18). É isso! O sentido do sofrimento está no Amor! Independenteda dimensão de nosso sofrimento (injustiça, doença, pobreza, corrupção…), nóspodemos sofrer por amor a Deus, ao próximo (nossos familiares, amigos, colegas,jovens de nossa cidade/país/mundo, os pobres, os discriminados, etc.) e a nósmesmos. Jesus Cristo, Nosso Senhor, já fez isso por amor a nós. E, como foigrande o seu sofrimento, conhecido como o pior tipo de morte que se poderia ternaquele tempo!

Muitos de nós, jovens do terceiro milênio, não fomoseducados para sofrermos por amor, para vencer a nós mesmos, nem para nosexpormos por amor a alguém. Fomos educados para vencermos os outros,competirmos, termos prestígio, poder e ser egoísta. Fomos poupados por nossospais, de todas as formas, do sofrimento, como se ele fosse, por si só, o motivode toda infelicidade.

É preciso descobrir como Teresa de Calcutá, “que para seramor tem que doer…” E que Cristo já nos redimiu, meu chapa!

 

 

 Pesquisa

1. Livro deMaria Emmir O. Nogueira e Silvia Maria L. Lemos (Ed. Shalom, 2006)

2. Retirado dolivro supracitado

3. Idem


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