Formação

Suplicando para Jesus ir embora!

comshalom

Nesta semana uma passagem do Evangelho que sempre meintrigou se fez clara. Pude transpô-la para a realidade atual e reconhecer o jeitocom que o mundo secularizado ao meu redor reage agressiva e defensivamente a JesusCristo Nosso Senhor e ao que Ele diz através de sua Esposa, a Igreja Católica, etambém pude entender que o Senhor me apresentava um desafio. Este desafio falada obra de Deus e da Igreja no mundo de hoje e que aponta e gera verdadeiraliberdade e libertação mesmo quando há perdas.

Os três evangelhos sinóticos relatam a libertação dohomem possesso cujos demônios pedem para serem mandados para uma vara de porcosque se afogam no mar da Galileia, causando grande prejuízo para o dono dosporcos e gerando grande temor entre a população dos gerasenos, que pedem, então,para Jesus ir embora! Assim falam os textos: Mateus 8,34: “Então a populaçãosaiu ao encontro de Jesus. Quando o viu, suplicou-lhe que deixasse aquelaregião”. Em Marcos 5,17 se lê: “Começaram então a rogar-lhe que seretirasse da sua região”, e por fim em Lucas 8,37, a reação da população éa mesma, rogam que Jesus se afaste e Ele sobe a barca e regressa. Sem dúvida acena deve ter sido assustadora, barulhenta, cheia da glória de Deus, fazendo tremeras bases de qualquer um. Fariam tremer as minhas também, seguramente.

Interessante é que são os demônios que matam os porcose não Jesus, mas é ao Senhor que o convite é feito. “Saia de nossa cidade”,pedem os habitantes. Que insanidade! Eles pedem para Deus ir embora, seafastar, eles rejeitam Jesus! É claro que ter uma vara de porcos afogada eperdida é uma perda real, mas que benefício real teriam os donos se mantivessemos porcos juntamente com todos os demônios? A população e osproprietários perderam os porcos mas ganharam a liberdade.

Penso que estamos diante de um concreto e frequenteimpasse que nos obriga a optar segundo aquilo que cremos ser real e definitivo.Ou seja, com que olhos optamos ver as realidades que nos cercam, com olhoshumanos iluminados pela fé no Senhor nosso Deus que nos dá todas as coisas masque muitas vezes parece nos tirar estes mesmos dons para nos dar liberdade evida, ou o olhar raso e somente humano que não vê para além do aqui e agora, doevidente? Fácil falar, muitíssimo exigente na vida concreta, mas vital enecessário para se viver a vida no Espírito, vida humana de batizados.

A cultura europeia e também a nossa, latino-americanae brasileira, que procura defender uma cultura laicista que se envergonha enega suas raizes judaico-cristãs e católicas, está fazendo a mesma coisa que ospersonagens do Evangelho, só que com roupagem e discurso do século XXI: queremtirar Jesus Cristo da sociedade, do ambiente público, das repartições e dasescolas, do imaginário, dos valores, tornando-o não mais referência absoluta daVerdade e das consciências, relegando-o meramente à piedade privada esubjetiva.

Não quero parecer maniqueísta ou quase simplória, masa verdade é que quanto mais tirarmos Jesus Cristo das nossas vidas epermitirmos que Ele seja tirado e negado na vida das pessoas e o renegarmos,mais nos restarão somente os porcos e os demônios, mesmo que a aparênciapermaneça de abundância! Sabemos que no contexto da cultura semita-oriental osporcos são sinal de impureza e quem deles cuida é escravo. Sabemos que ainda hásituações humanas e subumanas de escravidão ao redor do mundo em pleno séculoXXI, mas estamos falando de escravidão espiritual. Não há maior escravidão doque permanecer cego, nas garras do demônio e de todas as suas mentiras, garrashoje cada vez mais sutis e insidioas, que apelam para a soberba, a indepêndia eo esquecimento de Deus e que tornam as pessoas cada vez menos humanas! Odemônio insiste em querer voltar atrás no tempo, para novamente afastar a humanidadeda perfeita comunhão com o Pai, que o amor e o sacrifício de Jesus jálibertaram! Não há outra possibilidade de vida plena e satisfatoriamente humanasenão em Jesus Cristo,fazendo a experiência de sua Morte e Ressurreição, recebendo a sua vida no domdo batismo e, a partir dele, vivendo todas as dimensões e facetas do que é serhomem ou mulher. Quanto mais longe da Verdade revelada por Jesus Cristo epreservada pela Igreja Católica em todo o seu mistério, mais presa fácil se édas ideologias, sejam elas individuais ou coletivas. O demônio continua investindopesado para negar a obra de salvação e tem enganado a muitos e muitos…

Este sempre foi o anúncio da Igreja, é o kerigma, esempre será: a salvação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esta é a salvação quebuscamos, talvez já tenhamos alcançado e já a vivamos, da qual bebemos e nosalimentamos até chegarmos à visão do Senhor face a face. E quer creiamos, quernão, seja qual for nossa religião, cultura ou experiência de vida, um dia – quebelo dia – nós veremos o Senhor Jesus, Homem-Deus, face a face em toda a suaglória, esplendor e amor, com as marcas da Cruz e da Ressurreição em seu Corpo, e diante delenos prostraremos completamente absorvidos em seu Amor.

Aqueles homens do Evangelho, ignorantes, não tinhamconsciência do que faziam. Também hoje muitos que negam a fé Católica, a Igrejae Jesus não sabem o que fazem. Há os que sabem e o fazem deliberadamente, queDeus tenha deles compaixão e os liberte das mentiras do demônio e lhes devolvaa graça da vida e da conversão. Mas e o que cabe a nós que cremos e o amamos eservimos? Onde estamos nós que nos consagramos e doamos nossa vida pelo Reino epor Amor a Jesus? Onde ficamos e que papel temos como Comunidades Novas, comoShalom, como Juventude para Jesus, como povo de Deus, ficamos na linha defrente num Halleluya ou Missionário Shalom, ou no escondimento de nossa casa eintercessão?

Nós somos aqueles com quem o Santo Padre conta parareevangelizar o mundo pela vida de castidade, de oração, de compromisso deamor, de amor à Palavra de Deus e à vida sacramental. Somos o povo que optapela vida e pela cultura da vida, e vota tendo este critério em mente. Povo que unecultura, razão e fé e não se deixa manipular por qualquer vento ou modismo. Nóssomos o povo de Deus com quem conta o Santo Padre Bento XVI ao criar no dia 28de junho último um novo Conselho Pontifício para reevangelizar os paísesocidentais de tradição católica que “registram uma progressiva secularização dasociedade e uma espécie de eclipse do sentido de Deus”. Somos o povo a quem o Papapede uma urgente “nova evangelização”,já que o homem do terceiro milênio tem uma “fome mais profunda”, que só Deus pode saciar.

Continua o Santo Padre: “O homem do terceiromilênio deseja uma vida autêntica e plena, necessita verdade, liberdadeprofunda e amor gratuito. Inclusive nos desertos do mundo secularizado, a almado homem tem sede de Deus”. E este é o testemunho de vida que somoschamados a dar, e Jesus o Senhor, nos capacita a dar. Talvez o Santo Padre perguntea nós consagrados e da Obra Shalom, usando as palavras do profeta Isaías: “Quemenviarei eu?”. Pergunta esta que já foi um hit musical na década de 90 quando do início da expansãomissionária da Comunidade Shalom.

E nossa resposta poderá ser esta, também cantada, numtecido musical que diz: “Somos nós este povo alcançado por sua luz, fruto daSua obra na Cruz!” “Eis-me aqui!” “Quero ofertar minha vida, minha juventudepor amor”. Ao contrário dos que expulsaram Jesus, nós queremos viver nele,por Ele e para Ele, pois só Jesus merece todo amor do mundo e o mundo precisa emerece o Amor de Jesus. Fica conosco Senhor! Fica conosco!


Elena Arreguy Sala

Missionária da Comunidade Católica Shalom em Haifa/ Israel


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