Formação

Um “T” E um “D”, nascemos para a eucaristia

comshalom

Uma vogal que equivaleria ao nosso “i” duas consoantes equivalenteao nosso “t” e ao nosso “d” mexeram por décadas e até por séculos com adoutrina cristã. De certa forma ainda mexem.  Por causa de um T, porséculos se discutiu entre os cristãos se Maria era apenas educadora dofilho de Deus ou era, de fato, mãe dele, “teo-dokos”, “teo-tokos”.

Por causa de um “i” também por séculos se discutiu na igreja seJesus era de substância semelhante a Deus ou se era da mesma substânciade Deus. O “i” caracterizava a diferença. Os que diziam que Jesus erafilho de Deus afirmavam que ele era homo-ousios, e os que diziam queele era apenas semelhante punham o “i” no meio, ele seriahomo-i-ousios. Este simples “i” jogou grupos inteiros uns contra osoutros. Equivalente ao “ele é” e ao “ele não é”.

A encíclica de João Paulo II, Ecclésia de Eucaristia nos leva pelomesmo caminho. Quis dizer que a igreja nasce da eucaristia, depende daeucaristia, encontra o seu sentido a partir da eucaristia. Assim, osfiéis e assim também Maria. Ao usar a palavra “de eucaristia”, o papaquis dizer que nós estamos do lado de cá, como adoradores, e não dolado de lá, como parte da eucaristia.

Podemos ao receber o Cristo e nos tornarmos um com Ele. Essa unidadenão é hipoestática. Vem do fato claro de que somos assumidos por Ele,mas “in”, “inata”, na eucaristia está a divindade. Por isso, no altarestá Jesus. Nós estamos ao redor. No sacrário está Jesus e nós estamosao redor. Na cruz estava Jesus, Maria, as piedosas mulheres e odiscípulo estavam ao redor “juxta”…

É preciso esta distinção para entendermos o que é crer naeucaristia. Nós aqui e Jesus ali. Depois que o recebemos Jesus é emnós, mas o essencial da nossa fé na eucaristia é que ela é o próprioCristo. Não é o Cristo “na” hóstia, nem é o Cristo “da” hóstia; é o“Cristo-hóstia”. Ele não entra nem sai da hóstia. Ele é a hóstia. Não ésímbolo: é o mistério.

Seremos eucarísticos enquanto nos associarmos àquele que é a própriaeucaristia. Maria é eucarística enquanto se associa ao seu filho, que éa própria eucaristia, mas Maria não está na eucaristia. Não é adoradacom Jesus. É adoradora como nós. Não recebemos Maria na eucaristia.

Já vi pregadores na televisão a ensinar que se pode comungar Mariana missa. Maria não está naquela hóstia, não está naquele sacrário, nãoestá naquele altar, como não estava naquela cruz. Estava-lhe ao pé. Nãofazemos parte do mistério: somos adoradores do mistério; não somos aeucaristia: vamos à eucaristia, dependemos da eucaristia.

Como igreja podemos até dizer que nascemos para a eucaristia, vamosà eucaristia e nos situamos “juxta”, ao pé, ao lado, perto do Cristo;mas a hóstia, a vítima o crucificado, o adorado é Jesus Cristo. Sua mãeé mãe de Deus, mas não é deusa. Aí a grandeza do mistério queprofessamos. Firmemos esses conceitos para não corrermos o risco demisturar alhos com bugalhos.

Pe. Zezinho, scj


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