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Vícios e virtudes

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“nº 1866 – Os vícios podem ser classificados segundo as virtudes que contrariam, ou ainda ligados aos pecados capitais que a experiência cristã distinguiu seguindo S. João Cassiano e S. Gregório Magno. São chamados capitais porque geram outros pecados, outros vícios. São o orgulho, a avareza, inveja, a ira, a impureza, a gula, a preguiça ou acídia.”

Sendo assim, a Igreja nos enumera sete pecados capitais, mas a estes se opõem sete virtudes. Engraçado notar como nos lembramos muitos dos pecados, mas nos esquecemos de cultivar as virtudes. E existe alguma maneira de cortar o pecado se não agimos na contra-mão dele? As virtudes em específico que são contrárias a estes pecados capitais e vendo as coisas por este aspecto, lembro-me sempre do Pe. Leo Trese, que no livro “A fé explicada”, disse o que transcrevo aqui:

“É pena que, para muita gente, levar uma vida cristã não signifique senão “guardar-se do pecado”. Com efeito, “guardar-se do pecado” é apenas um lado da moeda da virtude. É algo necessário, mas não suficiente. Talvez esta visão negativa da religião, que se contempla como uma série de proibições, explique a falta de alegria de muitas almas bem-intencionadas. Guardar-se do pecado é o começo básico, mas o amor a Deus e ao próximo vai muito mais longe”.

Quando vivemos nossa fé com amor, tudo muda. E somente com amor poderemos ultrapassar todas as barreiras que este mundo nos coloca, porque fora do Amor, nada há. Peço licença novamente ao Pe. Leo Trese, pois vou cita-lo aqui:

”Você é virtuoso? Se lhe fizessem esta pergunta, a sua modéstia o faria responder: "Não, não especialmente". E, no entanto, se você é batizado e vive em estado de graça santificante, possui as três virtudes mais altas: as virtudes divinas da fé, da esperança e da caridade. Se cometesse um pecado mortal, perderia a caridade (ou o amor de Deus), mas ainda lhe ficariam a fé e a esperança”.

Mas, antes de prosseguir, talvez seja conveniente repassar o significado da palavra "virtude". Em religião, define-se a virtude como "o hábito ou qualidade permanente da alma que lhe dá inclinação, felicidade e prontidão para conhecer e praticar o bem e evitar o mal". Por exemplo, se você tem o hábito de dizer sempre a verdade, possui a virtude da veracidade ou sinceridade. Se tem o hábito de ser rigorosamente honesto com os direitos dos outros, possui a virtude da justiça. O Catecismo apresenta uma definição equivalente: "A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais. a pessoa virtuosa tende ao bem, persegue•o e escolhe-o na prática" (nº 1803).

Se adquirimos uma virtude por esforço próprio, desenvolvendo conscientemente um hábito bom. Chamamos a essa virtude uma virtude natural. Suponha que decidimos desenvolver a virtude da veracidade. Vigiaremos as nossas palavras, cuidando de nada dizer que altere a verdade. A princípio, talvez nos custe, especialmente quando dizer a verdade nos causa inconvenientes ou nos envergonha. Um hábito (seja bom ou mau) consolida-se pela repetição de atos. Pouco a pouco se nos toma mais fácil dizer a verdade, mesmo que as suas conseqüências nos contrariem. Chega um momento em que dizer a verdade é para nós como que uma segunda natureza, e, para mentir, temos que fazer força. Quando for assim, poderemos dizer sinceramente que adquirimos a virtude da veracidade.E porque a conseguimos com o nosso próprio esforço, essa virtude chama-se natural.

Mas Deus pode infundir diretamente uma virtude na alma, sem esforço da nossa parte. Pelo seu poder infinito, pode conferir a uma alma o poder e a inclinação para realizar certas ações sobrenaturalmente boas. Uma virtude deste tipo – o hábito infundido na alma diretamente por Deus – chama-se sobrenatural. Entre estas virtudes, as mais importantes são as três a que chamamos tealogais: fé, esperança e caridade. E chamam-se teologais (ou divinas) porque dizem respeito diretamente a Deus: cremos em Deus, em Deus esperamos e a Ele amamos.

Estas três virtudes, junto com a graça santificante, são infundidas na nossa alma pelo sacramento do Batismo. Mesmo uma criança, se estiver batizada, possui as três virtudes. Ainda que não seja capaz de praticá-las enquanto não chegar ao uso da razão. E, uma vez recebidas, não se perdem facilmente. A virtude da caridade, a capacidade de amar a Deus com amor sobrenatural, só se perde pelo pecado mortal.

Mas mesmo que se perca a caridade, a fé e a esperança permanecem. A virtude da esperança só se perde por um pecado direto contra ela, pelo desespero de não confiar mais na bondade e na misericórdia divinas. E, é claro, se perdemos a fé, perdemos também a esperança, pois é evidente que não se pode confiar em Deus se não se crê n’Ele. E a fé, por sua vez, perde-se por um pecado grave contra ela, quando nos recusamos a crer no que Deus revelou.

Além das grandes virtudes a que chamamos teologais ou divinas, existem outras quatro virtudes sobrenaturais que, juntamente com a graça santificante, são infundidas na alma pelo Batismo.


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