Formação

Vivendo e aprendendo

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Dom Pedro José Conti

Nãoprecisa ser grandes filósofos ou pensadores para entender que, na nossavida, nunca paramos de aprender. A razão é simples. O ser humano écurioso. Tem uma fase na nossa vida de criança durante a qualperguntamos continuamente o porquê das coisas. Outra causa do aprenderé o nosso próprio crescer, amadurecer e envelhecer. Todos nósdescobrimos muitas coisas no dia a dia,  nem que seja apanhando com ostropeços da vida. Fazemos novas experiências, conhecemos novas pessoas,encontramos novas idéias. Nunca deixaremos de conhecer e experimentarmais, até o fim.

Interessante:nascemos mesmo “zerados”, sem conhecimentos pré-gravados e aprendemoscom a vida. Esta, porém, nos pede para tomar decisões bem cedo. Mascomo decidir se ainda estamos aprendendo? Como tomar decisões se, ànossa frente, abrem-se tantos caminhos diferentes, todos com os seusatrativos, suas dúvidas e seus riscos?

Seantes de tomar qualquer decisão quiséssemos conhecer todo o pensamentohumano, todas as filosofias, todas as crenças e religiões, colocar numabalança todos os prós e os contras de tudo, não bastaria o tempo danossa existência. Com certeza chegaríamos ao final dela aindapesquisando, sem ter tomado alguma decisão. Na prática, teríamosresolvido não decidir nada. O que nos fará mais felizes na vida?Continuar buscando sem confiar nos outros e correndo o perigo de nãochegar a nada ou, continuar buscando, sabendo aproveitar do saber, daexperiência e, por que não, dos erros dos outros?

Chegamosao ponto central da questão. Precisamos confiar naqueles que nosprecederam no caminho da vida. O mundo, afinal, não está começandoconosco, também se nós, é verdade, chegamos somente agora. É o quetodos fazemos, mesmo sem estar bem conscientes disso. Quando somoscrianças confiamos nos pais; eles nos dizem o que está certo e que estáerrado. Depois encontramos muitos educadores; aliás, todos os adultosse acham no direito de dar conselhos aos mais jovens. Alguns ajudam,outros impõem, outros confundem. As crianças e os jovens tomam muitasdecisões confiando nos outros: nos pais, nos colegas, na televisão,naquilo que parece ser a opinião da maioria, ou da moda do momento.Assim vai a vida; para os adultos também. Alguns param para pensar eresolvem tomar um rumo mais consciente e responsável das própriasconvicções e da própria fé. Outros continuam levados ou sufocados pelasondas.

Tudoisso seria tão natural, quase automático, e nem mereceria tantaatenção, se não fosse que ao longo do caminho da vida cada um de nósdeve decidir, muitas vezes, não somente o que está certo e o que estáerrado, mas sobretudo entre o bem e o mal. Bem e mal, para nós, para osoutros, para a humanidade inteira de hoje e de amanhã, numasolidariedade surpreendente e inesperada. Como deixaremos este mundoapós a nossa rápida passagem? Melhor ou pior?

Comosaber se as nossas decisões, tomadas inevitavelmente confiando tambémno saber e na experiência dos outros, nos conduzirão à felicidade, àrealização dos nossos sonhos e projetos, ao sentido mais pleno da nossavida? Como saber se teremos ajudado ou não na construção de um mundomelhor? Se teremos aproveitado ou desperdiçado o tesouro tão preciosoda nossa existência?

Maisuma vez devemos olhar aos que nos parecem felizes, realizados, hoje.Olhar no profundo,  não superficialmente. Nas horas alegres e nas horastristes. Nas horas do sucesso e nas horas do desânimo. Nas horas dafartura e nas horas da precisão. Nos momentos de solidão e naconvivência com os irmãos. Quando falam e quando escutam. Se eles têm obrilho dos olhos que revela um coração puro. Se tiverem o coração e oolhar de quem enxerga bem e muito longe. De quem parece que está vendoum pouco do próprio Deus.

Assimdeveriam ser todos os cristãos, todas as testemunhas da ressurreição deJesus. Sempre felizes por ter encontrado o sentido e a alegria daprópria vida. Outros os seguirão.

As palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Bem sabemos. Ainda hoje.


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