Formação

Vocações em tempo de crise

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O quarto Domingo da Páscoa, apenas celebrado, é conhecidocomo o Domingo do Bom Pastor; continuando os anúncios pascais, a Igrejaproclama: Jesus Cristo ressuscitado é o Pastor bom, que entregou sobre a cruzsua vida pelas ovelhas e se tornou a fonte da vida em plenitude para toda ahumanidade. Quem o acolhe, nele crê e segue seus passos, encontra a vida e, umdia, tomará parte no banquete da vida eterna.

 Esta é uma “boa nova” para toda a humanidade, também paraaquelas “ovelhas” que ainda não estão no aprisco do bom Pastor; conforme otrecho do Apocalipse, lido na Missa nesse Domingo, gente de todos os povos,tribos, línguas, raças e nações – uma multidão que ninguém pode contar -, seráconduzida às fontes da água da vida pelo “cordeiro imolado”, que também é opastor de todos (cf Ap 7,9.14-17).

 Jesus, Pastor bom, continua a agir no mundo, chamando a si econduzindo toda a humanidade e cada pessoa, de muitas formas; muitoespecialmente, através da Igreja, que envia ao mundo para prolongar sua missãopastoral através dos tempos; também através daqueles que na Igreja foramconstituídos “pastores” para, em seu nome, chamar, conduzir, servir e defendero rebanho do Senhor contra todos os falsos pastores, os lobos e os ladrões, queameaçam, dispersam ou desviam as ovelhas. Por isso, nesse Domingo do bomPastor, também foi celebrada a 47ª. Jornada Mundial de Oração pelas Vocações. AIgreja reza e pede para que não faltem continuadores autênticos da missão dobom Pastor.

 A Mensagem do papa Bento XVI para esta ocasião estárelacionada com o Ano sacerdotal: “o testemunho suscita vocações”. Embora ochamado seja, acima de tudo, fruto da ação gratuita de Deus, ele também éfavorecido pela qualidade do testemunho pessoal e comunitário daqueles que jásão padres e exercem o ministério sacerdotal. Muitos padres podem confirmarisso. Eu mesmo senti o desejo de ser padre, estimulado pelo exemplo de vidasacerdotal de um velho missionário, que era pároco do lugar onde morava minhafamília. Antes que ele falecesse, ainda pude convidá-lo para ser meu padrinhode ordenação, o que o deixou muito feliz. Vários outros jovens do lugar tambémentraram no seminário e ficaram padres, estimulados pelo exemplo dele.

 Isso, de resto, é confirmado pela experiência histórica daIgreja: já no começo, são discípulos entusiastas e arrebatados por Jesus, quechamam outros e os apresentam a Ele (cf. Jo 1,41-42). Quantos despertaram paraa vocação sacerdotal porque foram marcados pelo exemplo e o testemunho de umoutro padre! Quantos seguiram o exemplo de Inácio de Loyola, de Dom Bosco, deFilipe Néri, de São João da Cruz… Poderíamos discorrer sobre todos osfundadores de Congregações ou Fraternidades sacerdotais, que confirmam estemesmo princípio: o testemunho de vida sacerdotal suscita novas vocações. Eainda hoje isso também acontece.

 O papa Bento XVI, em sua Mensagem, enumera alguns elementosfundamentais que devem marcar a vida sacerdotal: a amizade com Cristo, com quemse aprende a “estar na companhia de Deus”; a entrega total da vida a Deus, quese traduz, depois, na entrega total e jubilosa aos irmãos, confiados aoministério pastoral do padre; e o testemunho de sincera comunhão fraterna comos outros padres, que é a característica dos discípulos de Cristo (“nistoconhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” Jo.13,35). Tudo isso pode despertar em outros jovens o desejo de viver de formasemelhante também.

 Em tempos de divulgação de escândalos sobre comportamentossacerdotais, poderia vir a tentação de calar, de não dizer mais falar sobre avocação sacerdotal… Com tanta notícia ruim sobre “padres”, que efeito poderiater uma reflexão sobre a vocação sacerdotal? Essa seria a lógica derrotista…No entanto, devemos continuar a falar, a viver e a testemunhar de forma alegree humilde a fidelidade do sacerdócio, tornando conhecidos os exemplos de santossacerdotes. Não esqueçamos que a vocação é, acima de tudo, fruto da graça deDeus; e lembremos também: na história da Igreja, foram justamente os tempos decrise os mais fecundos no surgimento de novas vocações e iniciativas frutíferaspara a formação sacerdotal. Aprendamos com São Paulo: “onde o pecado foiabundante, a graça de Deus foi superabundante!” (cf Rm 5,20).


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