Pode Deus falar com o homem de forma clara? Será que Ele nos conhece mesmo pelo nome?
Nunca fui de acreditar em fórmulas mágicas. Como todo arquiteto, sempre procurei planejar bem, calcular e avaliar para depois executar algo. Como diziam meus antigos professores: “Nossa profissão exige responsabilidades que não nos permitem esperar surpresas”.
Posso dizer que não é fácil ser assim. Metricamente fechado para as novidades… Cuidadosamente seguro quanto a situações que possam permitir desarrumações. De fato, ninguém consegue ser assim sempre. Justamente porque, quando queremos ser amigos de Deus, “as agradáveis surpresas são inevitáveis”, como diria o teólogo Hans von Balthasar.
Aos poucos, procurei entender no que consistia o seguinte provérbio bíblico: “O coração humano planeja seu rumo, mas é o Senhor quem lhe firma os passos”. E é neste universo de realidades práticas de nosso dia a dia, aberto às surpresas, que eu gostaria de contar uma simples e desconcertante história que aconteceu comigo.
Minha esposa engravidara, era nosso segundo filho. Já tínhamos a alegre Ana Gabriela, sempre sorridente, com sua energia contagiante! Mas enquanto não sabíamos o sexo do bebê que viria, especulávamos o nome que daríamos ao nascer. Época apaixonante! Expectativas mil! Imaginamos vários nomes! Nossos dias eram assim: “Se for menina… e se for menino?” “Que tal este nome? Ah, eu prefiro este…” Era engraçado. Até que eu propus à minha esposa colocar em nosso bebê o nome “Caio”. Ela gostou mas ficou pensativa. Fez sinal de afirmativo e, como quem quer contar um segredo, falou em uma voz suave seguida de uma piscadela: “Eu tinha pensado no nome Rafael, acho lindo este nome. É forte e terno”.
Nesse momento me lembrei como teria sido pra Jesus não contrariar sua mãe quando ela lhe pedira para ajudar os noivos de Caná.
Ali com a minha esposa, só escutava em minha mente o famoso versículo: “Façam tudo o que ele vos disser.” Na minha fraca exegese, sempre imaginei Jesus se esforçando para atender o pedido da “Mulher” sua mãe da melhor forma. Logo percebi que talvez eu devesse abrir mão do nome que eu tivera escolhido e abraçar o belíssimo nome Rafael, escolhido pela minha esposa. Mas será?
Eu precisaria de algo a mais. Como católico, eu sabia que o nome de uma pessoa traz em si sua missão. O nome carregaria ali uma unção particular. Se o nome é algo tão importante para o homem, também deve ser importante para Deus! Pois aprendi com São João Paulo II que a alegria de Deus é a vida do homem.
Se somos tão amados por Deus, poderia a providência divina ajudar alguém numa escolha simples como esta? Será que o próprio Deus se interessaria pelo nome do meu filho?
Meus caros, estamos acostumados a escutar que Deus faz grandes milagres. Coisas impossíveis são possíveis a Deus! Mas o quanto nossa vida seria diferente se nas coisas mais corriqueiras e simples suplicássemos pela sua providência.Permaneci com o coração inquieto e me coloquei em oração na capela do Shalom.
Fiquei em silêncio e bendisse a Deus pelo nosso novo filhinho que viria e pedi a Deus que me ajudasse a chamá-lo pelo nome. Assim foi minha simples oração:
“Pai, o Senhor disse nos conhecer antes do ventre de nossa mãe, nos gera em ti, nos chama e cuida de nós antes mesmo do nascimento. Senhor, que conhece o nosso filho antes de nós mesmos, ajude-nos a chamá-lo também pelo nome que o Senhor já chama. Simplesmente porque queremos amá-lo como o Senhor já o ama.”
Nesse breve momento de amizade com Deus, onde podemos falar o que quisermos, onde podemos ser quem nós somos, olhei para a Bíblia sobre o meu colo e pensei que talvez o Senhor quisesse me dar uma palavra de confiança nEle.
Estas palavras pareciam ter fogo! Era como se eu escutasse o próprio Deus pronunciando o nome “Rafael”.
Pode Deus nos ajudar em todos os momentos? Eu respondo: como não nos ajudaria Aquele que nos conhece antes mesmo de sermos formados no ventre materno! Hoje com 1 ano, nosso pequeno Rafael é a própria “cura de Deus” para nós! Compreendi ainda mais a providência amorosa de Deus que quer conduzir o homem a uma experiência concreta, forte e segura, no dia a dia.Espero pelo dia em que poderei explicar ao nosso filho que o nome dele foi pronunciado amorosamente por Deus antes mesmo do papai aqui! E que o meu amor por ele é reflexo do amor apaixonado do Pai do céu, Pai das misericórdias, Pai da providência! Percebi ainda que minha esposa é este canal da graça de Deus na nossa família, o socorro do Pai que se manifesta a cada dia! Minha esposa ficou muito feliz e hoje nosso Rafael nos apaixona a cada dia! Ele, mesmo sem saber, nos faz rezar por todos os Rafaéis, Marias, Gabrielas, Joanas, Terezas… que, infelizmente, não chegaram a ser chamados pelo nome porque tiveram suas vidas interrompidas pela cultura de morte, mas que o Pai do Céu, que conhece nossas vidas mais do que a nós mesmos, que nos ama e gosta de nos chamar pelo nome, acolhe com um abraço de eternidade! Hoje, nosso Rafael nos faz entender o quanto a vida do homem é a alegria de Deus! E em Breve direi tudo isso a ele!

Muito lindo, esse depoimento, glória a Deus nas maiores alturas. Ele nos ama e cuida nos mínimos detalhes.