Família leva o homem a recuperar seu estado de semelhança com Deus

Padre Sílvio Scopel abriu as pregações do Congresso das Famílias Shalom e destacou que a família é o princípio perfeito criado por Deus para que o homem aprenda a amar A família é o princípio perfeito criado por Deus para que possamos viver nossa humanidade, aprendendo a comunhão de amor e o sair de si. É nela que o homem aprende a se relacionar e plenifica o ser “imagem e semelhança de Deus.” O tema foi tratado pelo padre Sílvio Scopel, responsável pela Comunidade Shalom em Fortaleza, na manhã deste sábado, 30, durante o Congresso das Famílias. Os eixos centrais da pregação de padre Sílvio foram a teologia do sacramento do matrimônio, Jesus na vida familiar, o matrimônio no Novo Testamento e a missão da família a partir da missão da Igreja. O sacerdote explicou que Deus é uma comunhão de amor, uma união de três pessoas, e fez o homem e a mulher com a mesma dignidade à sua imagem e semelhança com a capacidade de se relacionarem. “Deus é uma família, uma comunhão de amor, comunhão de pessoas”, disse. Desde a infância, o homem aprende na família a relacionar-se. A família é imagem de Deus porque é uma comunhão de pessoas. Esta é a sua vocação. “A família é o princípio perfeito quando é constituída a partir de uma união estável e indissolúvel entre um homem e uma mulher porque é essa união entre os diferentes que faz com que gere a prole e seja o primeiro modelo de relação que vai ensinar ao homem o amor”, explicou. Para realizar seu ser imagem e semelhança de Deus, o homem precisa do outro. E essa relação começa na família. “A família é o princípio perfeito que leva o homem a recuperar seu estado de semelhança com Deus”, destacou. No entanto, não basta que vivam juntos, mas que estejam unidos. Além disso, a família não pode estar fechada à vida para ser comunidade de amor. O sacerdote destacou que dois documentos recentes da Igreja expressam bem o amor e podem ser aplicados às famílias: “Deus caritas est”, encíclica do Papa Emérito Bento XVI que trata do amor divino para com o ser humano, e a Exortação do Papa Francisco “Amoris laetitia” – a alegria do amor na família, publicada após dois Sínodos sobre as famílias. A Igreja em seus documentos tem falado constantemente acerca da unidade e indissolubilidade do matrimônio, a finalidade do matrimônio, a abertura à vida e a sacralidade dos fetos, o uso de contraceptivos. Os papas também têm tratado acerca da missão dos pais em educarem os filhos segundo o Evangelho e a doutrina da Igreja, o cuidado com as pessoas mais velhas. Os temas vêm sendo tratados de forma aspiral, ou seja, sendo aprofundados. Família santificada Jesus santificou a família escolhendo nascer e crescer em uma família simples e humilde. “Jesus viveu todas as fases que uma pessoa deve viver no seio da família”, ressaltou. Com sua obediência à sua mãe Maria e a seu pai adotivo José, Jesus santificou a obediência dos filhos. Além de ter vivido em uma família, Jesus também reconduziu o matrimônio ao seu princípio. Quando os fariseus disseram a Ele que Moisés permitiu que o homem desse uma carta de divórcio à sua esposa, Jesus disse que no princípio não era assim. Quando Deus criou o homem e a mulher, disse que o homem deixaria sua casa e se uniria à sua mulher e os dois seriam uma só carne. No sentido bíblico, a carne significa a própria pessoa. “Homem e mulher na ordem da graça passam a ser uma única pessoa. Por isso, não há como separar porque você não pode dividir uma pessoa ao meio. Jesus reconduz o homem ao princípio e o princípio é o próprio Jesus”, explicou. O Senhor também eleva o matrimônio à condição de sacramento. Um sacramento é um sinal visível da graça invisível de Deus. “Os casais se tornaram um sinal da união incondicional, única e eterna de Cristo com a Igreja porque a união de um homem e de uma mulher comunicam a união eterna e indissolúvel com a Igreja”, destacou. Por Teresa Fernandes

Se queremos ser famílias santas precisamos voltar a rezar

A comunhão familiar é graça do Espírito Santo e vai sendo sustentada à medida em que as famílias rezam juntas, de acordo com a missionária da Comunidade Católica Shalom, Goretti Menezes. Ela abordou o tema da oração em família em formação na tarde do último sábado, 30, como parte da programação do Congresso das Famílias. O evento, organizado pelo Projeto Família da Comunidade Católica Shalom, segue até este domingo, 1º de maio, no Hotel Romanos (Rua Padre Pedro de Alencar, 2012 – Messejana). É o Espírito Santo que gera nas famílias a comunhão, o espírito de amor e de comunhão entre os esposos. “Começar a amar é fácil, mas terminar a vida amando não é tarefa fácil. Necessitamos do apoio do Espírito Santo e de Deus nos fortalecendo”, destacou. Por isso, a oração é substancial para que os casais não vivam sua vocação apenas de modo humano ou superficial, mas que tenham razões profundas para vivenciar seu matrimônio. Goretti explicou que, quando a presença de Deus é excluída da família, ela vai se desfalecendo e perdendo sua unidade. É preciso estar atentos à voz de Deus, que vai se manifestando passo a passo em nossas famílias. “Se queremos ser famílias santas, o que Deus criou para nós, precisamos voltar a rezar”, disse. A família precisa ter uma espiritualidade profunda, seguindo o caminho de Deus e buscando o sentido do sagrado. “Não foi só a vontade humana que uniu os casais, mas um mistério da eleição de Deus. Precisamos aprender a rezar para nos aprofundarmos e crescermos no mistério de Deus que vai se revelando pouco a pouco. Nós nos vemos crescendo nesse mistério para nossa santificação.” A oração é, assim, um chamado profundo de Deus para ser família santa e acolher diariamente o mistério de Deus que vai se revelando pouco a pouco. “Se não rezo, vou fazendo tudo de forma natural, eu não entendo o sobrenatural que Deus está construindo e conduzindo a minha vida rumo à vontade de Deus”, ressaltou. Como exemplo de família de oração, Goretti citou Bernadette Soubirous, jovem que presenciou as aparições de Nossa Senhora em Lourdes. Sua família era muito pobre, mas não murmurava, louvava a Deus. “É na família que os filhos desde pequenos aprendem a oração, por isso nós pais precisamos ensinar nossos filhos e netos a rezar”, ensinou. A oração é um “trato de amizade com Deus” e, como dizia, São João Paulo II, uma questão de amor e não de tempo. O então Papa era um homem de muita oração e testemunhou que foi a partir do exemplo de horas de oração de seu pai no túmulo de sua mãe que ele compreendeu o valor de ficar todo o tempo possível ao lado de Deus que amamos. São João Paulo II costumava rezar três, quatro horas diárias. “Não ensinamos a rezar simplesmente com palavras. Temos que fazer mais isso com a nossa vida mais do que com nossas palavras”, ressaltou Goretti. Uma família santa busca deixar para os filhos mais os bens espirituais que os naturais. “A comunhão familiar é uma comunhão das pessoas, mas eu desejo um dia a comunhão dos santos”, disse. Ilhas digitais Uma das grandes ameaças à oração em família é a falta de tempo e as tecnologias, como a internet e televisão. Goretti lembrou que antigamente todas as famílias tinham um oratório em casa, um lugar para rezar. “Na vocação Shalom estamos resgatamos isso.” Mas, além de um lugar, é necessário gastar tempo em família. Precisamos estar muito atentos à agitação que rouba nosso tempo. Há famílias que almoçam e o celular permanece em cima da mesa ou cada um coloca o prato na mão na frente da televisão. O Papa Francisco insiste, então, que é necessário que as famílias rezem juntas de forma muito simples. “Não é difícil rezar um pai nosso em família antes de comer, agradecendo a Deus pelos alimentos que Ele colocou na mesa. Muitas vezes vamos perdendo essas pequenas coisas para a televisão, para a internet”, lamentou. Se os pais não derem limites às crianças e aos jovens, irá faltar o diálogo na mesa, o escutar, o partilhar. Ela ressaltou que precisamos nos acostumar a falar, a ir ao encontro do outro. “Acostumar-se a estar um com o outro, olho no olho e conhecer o outro.” Ela ressaltou que precisamos ter mais amigos reais que virtuais e dialogar dentro de casa. “Isso pode ameaçar o nosso encontro familiar, comprometer o diálogo na família. Fica cada um na sua ilha digital”, disse. A falta de diálogo também compromete o amor, a ternura e a atenção aos outros. Maria Santíssima era muito atenta e por isso se comprometia com os problemas das pessoas, a exemplo do que aconteceu nas bodas de Caná. “Se eu não sou atenta, tem uma pessoa passando mal ao meu lado e eu não me comprometo. Começa a não acontecer os gestos. Sem ternura, começa a haver a indiferença e isso é perigoso dentro da família porque ela cresce no amor. Oração e vida estão inteiramente ligados. Preciso crescer no amor”, explicou. Na família, é preciso cultivar momentos de encontro, de silêncio, de escuta, de atenção. Precisamos ouvir uns aos outros. Precisamos separar uma refeição para estarmos juntos deixando o celular a parte, momentos para conversar, para fazermos uma oração em família, um momento onde nos encontramos e louvamos juntos. O Beraká é a proposta de oração para a família Shalom, um momento onde vamos ouvir e partilhar a palavra de Deus. “A oração familiar tem que ser simples e é na simplicidade que Deus vai fazendo e falando”, disse. No Beraká, ouvimos a palavra de Deus e partilhamos como vamos viver. Isso é importante para a família e a une. Por Terezinha Fernandes Fotos: Marciano Rodrigues e Ricardo Girão

Missa pela cura da Famílias no Congresso das Famílias – Fortaleza

Congresso das Famílias 1 dia

Congresso das Famílias – Fortaleza

“Hierarquia familiar” é o tema da pregação de Carmadélio Souza no Congresso das Famílias

No sábado (30) o Congresso das Famílias acolheu Carmadélio Souza, consagrado da Comunidade de Aliança Shalom, que veio para pregar sobre o tema “Hierarquia Familiar” foi o escolhido, pela sua atualidade e importância, diante das ideologias do machismo e do feminismo. Carmadélio Souza, iniciou sua pregação com a Palavra de Deus, Gn 1,26, que fala das nossas origens e de que o Senhor nos criou sua imagem e semelhança. Portanto, se Deus criou o homem e a mulher, a família não é uma ideia, nem invenção humana. Foi Deus quem criou, foi obra de Sua Criação. Deus colocou no homem o desejo de amar, o desejo de união. O pregador fez ilustrou que desde a adolescência, o homem (diga-se homem e mulher) começa a olhar o sexo oposto, e perceber sua beleza. Mas observa que a vivência do matrimônio é um chamado de Deus. Viver o matrimônio comporta saber que o homem e a mulher são diferentes, embora iguais em dignidade e na filiação divina. De forma enfatizante, Carmadélio diz que a diferença não é cultural apenas, mas a diferença é genética, biológica, numa sexualidade específica (emocional, física…). Observados os ideais culturais da nossa sociedade, Carmadélio pergunta para todos: “Será mesmo que as mudanças culturais podem modificar o papel que o homem e a mulher têm no seio familiar?”. De forma dinâmica, o pregador motivou os casais a se olharem e perceberem quantas diferenças veem e queriam mudar no cônjuge, gerando um momento de descontração, mas de reflexão entre os participantes. “O seu esposo(a) lhe ensina a amar a partir das dificuldades que ele gera em você” Carmadélio ficou repetindo intencionalmente, levando os casais a refletirem e acolherem a graça da diferença, que é o que forma e completa a família. Machismo e Feminismo Entrando num ponto delicado, mas super esclarecedor, Carmadélio fala sobre o machismo e o feminismo, relacionando-os com a vivência familiar, na sociedade atual. Começando com o machismo, explica que este tende a afirmar a ilusória superioridade do homem sobre a mulher. O marido, muitas vezes, formado nessa mentalidade, não se permite abrir-se às atividades do lar, por considerar que não lhe cabe. Já abordando o feminismo, caracteriza suas fases: 1ª fase – momento em que a mulher lutou para adquirir os direitos civis iguais aos dos homens, e conseguiu; 2ª fase – a mulher entra em antagonismo com o homem, com mentalidades de “não preciso de homem para ser feliz”, “posso trabalhar e não depender de homem algum”, em que o homem é visto como um inimigo seu. Nessa fase ainda, a mulher luta para ter a mesma liberdade sexual, reivindicar também a liberdade de mudar de parceiros, ela adquire as deformações que o homem vivia, começando a perder sua feminilidade natural. Carmadélio toca num ponto muito importante, não é somente as mulheres não-cristãs que são inundadas por essa mentalidade, mas, de forma sutil, as mulheres cristãs, tiveram uma educação e hoje vivem comportamentos do tipo. Diante de ideais e comportamentos culturais que querem ferir e deformar a naturalidade da criação divina, do ser homem e do ser mulher e do ser família, segundo o coração de Deus, Carmadélio finalizou motivando um clamor suave, mas fecundo, a Deus, pedindo que todas as famílias não permitissem que esse tipo de mentalidade tome o lugar de Deus no seio familiar. Liana Mesquita

Missa de Abertura do Congresso das Famílias – Fortaleza

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