Renascer Itinerante – a caminho da Localidade de Jurupucu | Chaves • Fevereiro 2015

Espetáculo – Por Dom Alberto Taveira Corrêa

Nosso povo gosta de festas e de se divertir, como os dias passados nos mostraram o ensaio de Carnaval, ou tudo o que acontecerá neste final de semana e até a terça-feira. Em muitos lugares, esta é uma ocasião para espalhar pelas ruas as críticas sociais, inclusive aos políticos que nós mesmos elegemos e cujos nomes até já escaparam de nossa memória. Para tantas pessoas, carnaval é tempo para desafogar as mágoas acumuladas, para “tudo acabar na quarta-feira”. Não pouca gente abusará de bebidas, drogas, sexo desenfreado. Pode acontecer que aumente a violência, os crimes e acidentes se multipliquem. Para muitas famílias, é ocasião para uma agradável viagem, cultivo do relacionamento, descanso sadio. Por todo o Brasil multiplicam-se ainda os encontros e retiros espirituais, nos quais uma porção considerável da população se dedica à oração, escuta e meditação da Palavra de Deus, formação e um pouco de diversão, sem os excessos correntes. Seja qual for a opção que fizermos, é bom pensar nas consequências, a fim de que o último dia de carnaval não deixe o gosto amargo do pecado, pois o divertimento é legítimo e importante! O sadio equilíbrio no uso do tempo indica que deveríamos dividir em três partes o tempo do dia que nos é dado pelo Senhor, a saber, oito horas para o trabalho, oito horas para o sono e oito horas para outras atividades. Certa vez, um sábio Diretor Espiritual me aconselhou dedicar pelo menos a décima parte das vinte e quatro horas do dia à oração, em suas várias formas, como um dízimo diário a ser devolvido ao Senhor, para não acumular atividades que esgotem as capacidades humanas e não correspondam à grande dignidade com que Deus nos criou. Certamente existem outras propostas para a organização do tempo, a serem seguidas de acordo com os valores que norteiam a vida das pessoas. Homens e mulheres muito santos e equilibrados foram capazes de fazer muito e com competência, nas respectivas áreas de atividades e competência, aprendendo e ensinando, ao formar discípulos na arte do bem viver, a disciplina pessoal, o uso adequado das forças físicas, o sustento da mente que passa pelos bons pensamentos, boas leituras e bons ambientes. Por outro lado, quantas foram as vezes em que nos foi recomendado não perder tempo, fugir da ociosidade, que é mãe de tantos vícios, planejar, rever, avaliar, reconhecer com humildade e realismo os erros e acertos, pedir perdão, recomeçar! São atitudes humanas a serem fecundadas com a unção de uma vida cristã autêntica, que não cancela, mas revigora, tudo o que é “de gente”. Permitamo-nos verificar de forma crítica o que atualmente nos é oferecido, por exemplo, pelos Meios de Comunicação. Se temos excelentes jornalistas e analistas da situação social e política, no entretenimento nosso país vive uma estação fraca de bons humoristas. Não sei se existe hoje um programa televisivo nesta área que possa ser visto sem que pelo menos um pouco de vergonha apareça em nosso rosto. Pena é que muitas vezes as pessoas prefiram ficar “amarelas” de acomodamento ou de omissão! E que dizer do atual e deprimente espetáculo de pornografia deslavada que entra em nossas casas durante este período do ano, com um programa cujo nome nem merece ser citado por quem deseja cultivar um mínimo de dignidade. E a participação do público votante nas várias etapas não é melhor do que vem diretamente do meio de comunicação. Podemos ampliar o leque, se quisermos fazer um levantamento dos filmes e novelas disponíveis. Como se sabe que sexo e violência “vendem”, continua a exploração das várias faixas da população, todas envolvidas até transbordarem em moda, trejeitos, costumes de vida. Seríamos nós da Igreja adeptos da censura? Desejaríamos fazer uma cruzada pelo bem vestir, o bem falar e o bem agir? Interessa-nos uma camisa de força a ser oferecida aos pais e mães? É claro que este não é o caminho. Há alguns dias o Papa Francisco perguntou com sabedoria: “O problema nos nossos dias não parece ser tanto a presença invasiva dos pais, mas ao contrário a sua ausência, o seu afastamento. Por vezes os pais estão tão concentrados em si mesmos e no próprio trabalho ou então nas próprias realizações pessoais, que se esquecem até da família. E deixam as crianças e os jovens sozinhos. Muitas vezes perguntava aos pais se brincavam com os seus filhos, se tinham a coragem e o amor de perder tempo com os filhos. E a resposta era feia, na maioria dos casos: ‘Mas, não posso, porque tenho tanto trabalho’. E o pai estava ausente daquele filho que crescia, não brincava com ele, não, não perdia tempo com ele… Gostaria de dizer a todas as comunidades cristãs que devemos estar mais atentos: a ausência da figura paterna da vida das crianças e dos jovens causa lacunas e feridas que podem até ser muito graves. Com efeito os desvios das crianças e dos adolescentes em grande parte podem estar relacionados com esta falta, com a carência de exemplos e de guias respeitáveis na sua vida de todos os dias, com a falta de proximidade, com a carência de amor por parte dos pais. É mais profundo de quanto pensamos o sentido de orfandade que vivem tantos jovens. São órfãos na família, não dão aos filhos, com o seu exemplo acompanhado pelas palavras, aqueles princípios, aqueles valores, aquelas regras de vida das quais precisam como do pão… É verdade que deves ser companheiro do teu filho, mas sem esquecer que és o pai! Se te comportas só como um companheiro igual ao teu filho, isto não será bom para o jovem… E vemos este problema também na comunidade civil. Os jovens permanecem órfãos de caminhos seguros para percorrer, órfãos de mestres nos quais confiar, órfãos de ideais que aqueçam o coração, órfãos de valores e de esperanças que os amparem diariamente. Talvez sejam ídolos em abundância mas é-lhes roubado o coração; são estimulados a sonhar divertimentos e prazeres, mas não lhes é dado trabalho; são iludidos com o

Carnaval: dois caminhos, uma escolha

Como passar o carnaval? Pra onde ir, onde ficar, o que fazer? Normalmente, dois grupos tomam caminhos bem opostos. O primeiro dá vazão à carne e cai na folia, aproveita para passear, assiste aos desfiles, come, bebe, diverte-se segundo os desejos próprios da carne. Outro grupo costuma tomar um rumo bem oposto: deixa tudo e retira-se para encontros e retiros espirituais. Participa de retiros abertos ou fechados, assiste ou ouve as pregações de retiros pelo rádio ou TV. De sexta a quarta-feira de cinzas dedica-se a estar com o Senhor: ouvindo a sua Palavra, louvando e adorando-O. Para este, aplica-se e torna-se realidade esta palavra de Neemias: “não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força”. (Ne 8,10). Trata-se, porém, de uma festa e alegria bem diferente daquela que o mundo oferece. Nos retiros espirituais não há preocupação com droga, camisinha ou contaminação com doenças. O único contágio que geralmente acontece com este grupo é o da alegria. Uma alegria que só o Senhor Deus pode oferecer. Há dois caminhos totalmente opostos. Mas, você pode escolher apenas um deles. Jesus lembrou: “não podeis servir a dois senhores” (Mt 6,24). Uma escolha que cada um de nós deverá fazer, sabendo que: “os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que queríeis”. (Gl 5,17). Cada caminho leva a um destino e final diferente. Por isso Jesus nos preveniu: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14) E quanto a você? Qual dos dois caminhos escolherá? Há outros alternativos, mas estes dois são os mais marcantes no carnaval. Jesus falou e nos alertou sobre as festas que o mundo oferece: um dia elas seriam parecidas com o que já aconteceu na face da Terra, nos tempos de Noé: “Como ocorreu nos dias de Noé, acontecerá do mesmo modo nos dias do Filho do Homem. Comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Veio o dilúvio e matou a todos”. (Lc 17, 26 – 27) É importante que estejamos bem atentos e procuremos fazer como Maria “que escolheu a melhor parte” (Lc 10, 42): ficou aos pés de Jesus. O efeito de cada uma das escolhas aparecerá claramente na quarta-feira de cinzas. Todos podem até estar cansados. Mas, o estado de ânimo será bem diferente. Enquanto uns estarão curtindo a ressaca e o vazio, outros estarão com o coração exultante da alegria do Senhor. Sejamos espertos: escolhamos a melhor parte, como Jesus mesmo afirmou: “Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”. (Lc 10,42). Bom retiro!   Padre Alir Sanagiotto, SCJ Paroquia Bom Jesus da Penha-RJ Formação: Fevereiro/2009 * Participe dos retiros de Carnaval que a Comunidade Shalom realiza pelo Brasil

Como surgiu o Carnaval?

Na vida, as coisas parecem já existir desde sempre e para sempre, e se acaba por viver tudo o que acontece ou que aparece na moda, no “auge”. Porém, cada coisa tem seu princípio e seus momentos de transformação. É sempre bom que as perguntas surjam, como aquelas da criança que está descobrindo o mundo: Quem criou isso?, por que isso existe? E que tal, como se diz na era da informação, navegar um pouco e descobrir como surgiu o carnaval? História Sua origem vem de uma manifestação popular anterior à era cristã, tendo se iniciado na Itália com o nome de saturnálias, festa em homenagem a Saturno, divindade da mitologia greco-romana, Baco (deus do vinho) e Momo (deus da graciosidade). Esses dividiam as honras dos festejos, que aconteciam nos meses de novembro e dezembro. Em Roma, era marcada por uma aparente quebra de hierarquia da sociedade, já que escravos, filósofos e tribunos se misturavam em praça pública. Na época ocorriam verdadeiros bacanais. Com o advento do cristianismo, esses festejos foram remanejados para antes quaresma. Por que Carnaval? Uma das versões mais aceitas para a origem do termo carnaval está no Dicionário de Frei Domingos Vieira, que define a palavra carnaval como provinda do italiano carne e vale. No dialeto milanês tem carnelevale, do baixo latim, e Carnelevamen de carne e levamen ação de tirar, assim, tempo em que se tira o uso da carne, pois a festa do carnaval é exatamente um dia antes da quarta-feira de cinzas. A origem no Brasil Rio de janeiro No Rio de Janeiro colonial existia uma festa chamada congada do rosário, organizada pelos negros da Igreja Nossa Senhora do Rosário, para homenagear os príncipes do Congo que tornaram-se escravos, ocorria próximo ao Natal, sendo proibida no ano de 1820 pela polícia, pois o desfile acabava em sérios conflitos entre os negros e os capoeiras. Os negros, não se deixando abater, foram-se misturando nos ranchos de reis (festa religiosa em que se celebra a adoração dos reis magos a Jesus Menino), transplantados de Portugal. No final do século XIX, passaram do Natal para o carnaval. É o princípio do carnaval carioca. Aí, se desdobraram em ranchos tradicionais e escolas de samba, sobrevindo o rei e a rainha do Congo, sempre com seus trajes de antigas eras, o que se chama hoje de mestre-sala e porta-bandeira. Os embaixadores e os capoeiras e a música, formaram a bateria, que ainda consta do mesmo instrumental de percussão de origem Anglo-Congolesa. Na Bahia O primeiro carnaval de rua de Salvador aconteceu cinco anos antes da Proclamação da República. Era uma festa com grande influência européia, como quase tudo o que existia no Brasil naquela época, com muito luxo, requinte. O ano de 1884 é considerado o primeiro carnaval no estilo de hoje, inclusive com o forte apoio da publicidade utilizada pelos comerciantes da época. Entre 1895 e 1896 surgem os primeiros AFOXÉS, organizados por negros. Representavam casas de culto de herança africana e saíam às ruas cantando e recitando seqüências de músicas e letras. Em 1938 surgiu a idéia do trio elétrico, quando Dodô (rádio-técnico, músico e estudioso de eletrônica) e Osmar (inventor e músico), se conheceram tocando em programas de rádio, ao lado de Dorival Caymmi, entre outros nomes já famosos na época. Em 1939, em um Ford – o fobica – equipado com dois alto-falantes, eles se apresentaram nas ruas da cidade como a “dupla elétrica”. Em Recife Os festejos, sobretudo a festa de reis, eram organizados pelas chamadas Companhias de Carregadores de Açúcar e as Companhias de Carregadores de Mercadorias, isso no século XVII, que constava de cortejos com caixões e bandeiras. O frevo, que significa ferver, provém das antigas marchas, maxixes e dobrados; as bandas militares do século passado, bem como as quadrilhas de origem européia. Uma forte característica do carnaval pernambucano é o Maracatu, que surgiu por volta do século XVIII, dito Maracatus de Baque Virado ou Maracatus de Nação Africana. Entre os clubes que eram a expressão carnavalesca no período de 1904 a 1912, destacam-se os seguintes: Cavalheiros de Satanás, Caras Duras, Filhos da Candinha e U.P.M., o último como piada aos homens que não tinham mais virilidade. No mundo O atual carnaval é uma mescla entre o carnaval de Veneza e da cidade francesa de Nice, onde ocorrem desfiles de pessoas fantasiadas sobre carros enfeitados, exibindo-se para a platéia, enfeita-se a cidade toda por grandes painéis luminosos com temas carnavalescos; à beira do mar, ocorre o desfile mais importante e diferente: a Parada das Flores. Cerca de vinte carros alegóricos, repletos de flores frescas formando arranjos e mosaicos variados, passam pela avenida e são saudados pela platéia. Todas essas comemorações duram até o mardi gras – a “terça-feira gorda”. O nome francês da data serviu para batizar uma comemoração americana que só acontece nesse dia, na cidade de Nova Orleans. A festa começou no século XVIII, quando a cidade ainda estava sob o domínio da França. Mantendo muitas de suas características originais, como o desfile de mascarados em carros alegóricos. No entanto, à semelhança do que ocorreu no Rio de Janeiro, ela se contagiou com elementos da cultura negra, muito forte na região. Outra presença da festa são os krewe, blocos de mascarados que dançam a pé pelas ruas. Personagens do carnaval MÁSCARAS: O uso das máscaras vem desde o tempo em que se pensava que elas protegiam os foliões de maus espíritos ou transformavam as pessoas em personagens diferentes. Já em Veneza, na Itália, o uso de fantasias no Carnaval surgiu por causa de uma proibição. No século XIII era comum as pessoas andarem mascaradas o tempo todo, aproveitando para fazer o que quisessem, inclusive crimes, sem serem reconhecidas. Por isso, foi decretado que o uso de máscaras seria permitido apenas durante o Carnaval. Se alguém fosse pego fantasiado em qualquer outro dia, seria punido com prisão e chicotadas. MOMO: Segundo a Mitologia Greco-Romana, o Filho do Sono e da Noite, ocupava-se unicamente em examinar as ações dos deuses

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