Papa aos bispos do Celam: a missão se faz com paixão e no corpo a corpo

Um dos discursos mais esperados do Papa Francisco, em Bogotá, foi dirigido aos bispos latino-americanos e do Caribe na tarde desta quinta-feira (7). O encontro com o Comitê Diretivo do Celam, o Conselho Episcopal Latino-Americano, aconteceu na Nunciatura Apostólica. Em sinal de gentileza, o Santo Padre agradeceu pelo esforço da presença de cada um, já que o encontro não pôde ser realizado na sede do organismo católico em Bogotá, “uma casa ao serviço da comunhão e da missão da Igreja na América Latina”, além de ser um “ponto de referência vital para a compreensão e aprofundamento da catolicidade latino-americana”. Francisco alinhavou seu discurso remetendo-se ao Rio de Janeiro, quatro anos atrás, quando falou sobre a “herança pastoral de Aparecida” e destacou a necessidade permanente de aprender com o método local, que “coloca a missão de Jesus no coração da própria Igreja”. Iniciativas que não são “programáticas que enchem agendas e desperdiçam preciosas energias”, mas que são baseadas “na participação das Igrejas locais”, com peregrinos que buscam Deus através da manifestação da “Virgem pescada nas águas”, e se estendem “na missão continental”. O esforço na realização desse método, sustentou o Papa, deve se transformar num “critério para medir a eficácia das estruturas, os resultados do trabalho, a fecundidade dos ministros e a alegria que são capazes de suscitar. Porque, sem alegria, não se atrai ninguém”. Ainda lembrando suas manifestações no Rio, o Papa se deteve às tentações, presentes ainda hoje, “da ideologização da mensagem evangélica, do funcionalismo eclesial e do clericalismo”. “Deus, quando fala ao homem em Jesus, não o faz com um apelo vago como a um estranho, nem com uma convocação impessoal como faria um notário, nem mesmo com uma declaração de preceitos para cumprir como faz qualquer funcionário do sagrado. Deus fala com a voz inconfundível do Pai que se dirige ao filho, e respeita o seu mistério pois foi Ele que o formou com as suas próprias mãos e destinou à plenitude. O nosso maior desafio como Igreja é falar ao homem como porta-voz desta intimidade de Deus. […] Por isso, não se pode reduzir o Evangelho a um programa ao serviço de um gnosticismo na moda, a um projeto de promoção social nem a uma visão da Igreja como burocracia que se autopromove; e a Igreja também não pode ser reduzida a uma organização dirigida, com modernos critérios empresariais, por uma casta clerical.” Francisco, assim, insistiu sobre o “discipulado missionário”, aquele “permanente sair com Jesus” em direção aos irmãos, usando os “instrumentos” de Deus, isto é, “proximidade e encontro”. O Papa, então, chamou a atenção para realidades  da Igreja que jamais devem ser consideradas monumentos, mas patrimônio vivo, como de Aparecida, “um tesouro, cuja descoberta ainda está incompleta”. “É muito mais cômodo transformá-las em recordações, de que se celebram os aniversários: 50 anos de Medellín, 20 de Ecclesia in America, 10 de Aparecida! Trata-se, porém, de algo diverso: salvaguardar e fazer fluir a riqueza desse patrimônio (pater munus) constituem o munus da nossa paternidade episcopal para com a Igreja do nosso Continente.” O encontro com Cristo vivo, prosseguiu Francisco, deve ser cultivado para que a missão pastoral não perca a força e não haja retrocesso da conversão pastoral: “Nós precisamos ainda mais deste estar a sós com o Senhor, para reencontrar o coração da missão da Igreja na América Latina, nas circunstâncias atuais. Há tanta dispersão interior e também exterior! Os numerosos eventos, a fragmentação da realidade, a instantaneidade e a velocidade do presente poderiam fazer-nos cair na dispersão e no vazio. Reencontrar a unidade é um imperativo. Onde se encontra a unidade? Sempre em Jesus. […] Se a razão do nosso caminhar não é Ele, será fácil desanimar no meio da fadiga do caminho, perante a resistência dos destinatários da missão, face aos cenários mutáveis das circunstâncias que marcam a história, ou pelo cansaço dos pés devido ao desgaste insidioso causado pelo inimigo.” O Papa, então, questiona: “o que significa sair com Jesus em missão, hoje, na América Latina?”. A missão no continente, insistiu Francisco, é vencer a tentação dos “bizantinismos dos ‘doutores da lei’, e partir com Jesus que “enquanto caminha, encontra; quando encontra, se aproxima; quando se aproxima, fala; quando fala, toca com o seu poder; quando toca, cura e salva”. Trata-se, então, de diariamente “trabalhar no campo, lá onde vive o Povo de Deus”. A missão “se faz no corpo a corpo”. Francisco também sublinhou a “dispersão” que desagrega hoje o continente e disse para se ter cuidado para “não ficar preso nessas armadilhas”. Segundo o Papa, “a Igreja não está na América Latina como se tivesse as malas na mão”, pronta pra partir depois de ter sido saqueada, como muitos fizeram ao longo do tempo: “Homens e utopias fortes prometeram soluções mágicas, respostas instantâneas, efeitos imediatos. A Igreja, sem pretensões humanas, respeitosa do rosto multiforme do Continente – que considera, não uma desvantagem, mas uma riqueza perene – deve continuar humildemente a prestar o seu serviço ao verdadeiro bem do homem latino-americano. Deve trabalhar incansavelmente por construir pontes, abater muros, integrar a diversidade, promover a cultura do encontro e do diálogo, educar para o perdão e a reconciliação, para o sentido de justiça, a rejeição da violência e a coragem da paz. Nenhuma construção duradoura na América Latina pode prescindir desta base invisível, mas essencial. A Igreja conhece, como poucos, aquela unidade sapiencial que antecede toda e qualquer realidade na América Latina.” O Papa Francisco, então, trouxe as imagens de Guadalupe e de Aparecida, como “manifestações programáticas dessa criatividade divina”, “o sentido de Deus e da sua transcendência”. Sobre a situação vivida hoje na América Latina, o Pontífice disse que não é permitido lamúrias, porque “sabemos bem que o coração latino-americano foi treinado para a esperança” e lembrou de João Bosco: “Como dizia um cantor e compositor brasileiro, ‘a esperança é equilibrista; dança na corda bamba de sombrinha’ (cf. João Bosco, O Bêbado e o Equilibrista). Quando se pensava que tinha acabado, eis que ressurge onde menos se esperava. O nosso povo

Papa na Colômbia: um abraço de milhares de fiéis

“Artesãos de Paz”: as primeiras atividades do Papa Francisco em Bogotá serão dedicadas a este tema. Depois da chegada do Pontífice à Colômbia na tarde de quarta, nesta quinta-feira estão previstos quatro compromissos para o Papa Francisco. O primeiro deles é o encontro com as autoridades no Palácio Presidencial. Segue o encontro com os Bispos no Palácio Cardinalício, com o Comitê Diretivo do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e, por fim, a última atividade do dia é a Santa Missa no Parque Simón Bolivar. Todos estes eventos serão transmitidos ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português. Chegada O avião com a comitiva papal aterrissou por volta das 16h15 locais, depois de cerca de 12 horas de voo. Segundo informações oficiais do Vaticano, a aeronave mudou de rota para evitar o furacão Irma, de categoria 5, que está sobre o Caribe. Ao invés de sobrevoar o território estadunidense de Porto Rico, o avião se deslocou mais ao sul, entrando no espaço aéreo das ilhas de Barbados, Granada e Trinidad e Tobago. Boas-vindas No Aeroporto internacional El Dorado da capital, Bogotá, o Pontífice foi recebido pelo Presidente do país, Juan Carlos Santos, e sua esposa. O Núncio Apostólico na Colômbia, Dom Ettore Balestrero, assim como alguns Bispos da Conferência Episcopal local também estavam presentes no aeroporto. Não obstante a longa viagem, o Pontífice estava sorridente, saudou inúmeras crianças, autoridades civis e políticas e assistiu a uma breve apresentação de artistas com danças e músicas do folclore colombiano. Depois da austera cerimônia de boas-vindas, o Papa se transferiu à Nunciatura Apostólica de papamóvel. Milhares de pessoas acompanharam o trajeto de 15 quilômetros. Evento histórico A mídia local analisa a visita do Pontífice como um evento “histórico” depois de mais de 50 anos de guerra, para além da tradição religiosa, mas “fundamental pela influência política do Papa na consolidação da paz no país”. A Colômbia não recebia a visita de um Papa há 31 anos, desde que João Paulo II visitou o país em 1986. Segundo estatísticas do Anuário Estatístico da Igreja, mais de 45 dos 48 milhões de colombianos se declaram católicos. Papa aos colombianos: não deixem roubar a alegria Na tarde de quarta-feira (06/09), o Papa Francisco pisou em terras colombianas às 16h30 para começar sua Visita Apostólica no país, que se estenderá até domingo. A Orquestra Sinfônica Nacional e o Coro da Ópera de Colômbia, acompanhados por grupos de dança folclóricos, deram a bem-vinda ao Papa Francisco. O primeiro presente ao Sumo Pontífice foi uma “pomba da paz”, entregue por Emanuel, filho de Clara López, nascido quando sua mãe estava sequestrada pelas FARC, grupo recém desmobilizado. Depois disso, o Papa subiu no papamóvel e seguiu pela avenida El Dorado (que liga o aeroporto ao centro da cidade) até a Nunciatura Apostólica. No caminho recebeu a calorosa saudação de uma multidão de colombianos e estrangeiros emocionados e alegres, que estiveram desde a manhã organizando-se para sua chegada, e que agitavam bandeiras e lenços ilustrativos, jogavam flores e gritavam “Papa Francisco”. O jovem colombiano Yecid Blanco manifestou seus sentimentos: “sem dúvida é uma alegria muito grande, é muito emocionante ver este homem (de Deus) passar a menos de um metro de mim. Foi uma experiência maravilhosa”. Angélica Linares estava muito alegre por haver tirado uma foto do Papa: “foi uma emoção, foi algo maravilhoso poder vê-lo tão perto de nós”. Ao chegar a Nunciatura, o Papa foi recebido com músicas e homenagens feitas por jovens recuperados do mundo das ruas e das drogas. Foi presenteado com uma “ruana” (um colete de lã próprio do mundo andino), que ele fez questão de vestir. Por fim, motivou os jovens a seguir adiante e a que “não se deixem roubar a alegria e a esperança!” e pediu que todos rezem por ele. Nesta quinta-feira o Papa visitará Bogotá, capital e metrópole com oito milhões de habitantes, onde terá encontros com membros do Governo, da Conferência Episcopal Colombiana (CEC) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), bem como um encontro com jovens e a celebração de uma missa campal no parque Simón Bolívar para aproximadamente um milhão de fiéis. A temática deste dia girará em torno à vida, à paz e recordando a Maria, Mãe da vida. Radio Vaticano

Papa rumo à Colômbia: esperança de paz e reconciliação

O Papa Francisco está a caminho da Colômbia, para sua 20° viagem apostólica internacional. O Pontífice embarcou na manhã desta quarta-feira (11h13, hora local – 6h13 no horário de Brasília) e sua chegada está prevista em Bogotá à tarde (18h30, horário de Brasília). Na breve cerimônia de boas-vindas no aeroporto o Papa será acolhido pelo Presidente colombiano, Juan Manuel Santos Calderón. Também participam da cerimônia autoridades políticas e civis, bispos e cerca de mil fiéis. Após mais de 12 horas de voo, do aeroporto o Papa se transfere de papamóvel diretamente à Nunciatura Apostólica. Ali, o aguarda um grupo de fiéis, com cantos e danças tradicionais. Na capela, oferecerá flores a Nossa Senhora, concluindo assim seu primeiro dia de viagem. Até domingo, estão previstos 12 discursos em quatro cidades diferentes: Bogotá, Villavicencio, Medellín e Cartagena. Reconciliação Em videomensagem divulgada na segunda-feira (04/09) para saudar o povo colombiano, o Papa afirmou que visita o país como peregrino de esperança e de paz, sob o lema “Façamos o primeiro passo”. “A paz é o que a Colômbia busca e para qual trabalha há muito tempo. Uma paz estável, duradoura, para que possamos nos ver e nos tratar como irmãos, não como inimigos. A paz nos recorda que somos todos filhos do mesmo Pai que nos ama e nos conforta.” O Pontífice declara-se “honrado” em visitar a Colômbia, “terra rica de história, cultura, fé, homens e mulheres que trabalharam com determinação e perseverança para torná-la um local em que reine a harmonia e a fraternidade, em que o Evangelho é conhecido e amado. Proteger o meio ambiente da exploração selvagem Para Francisco, o mundo de hoje necessita de conselheiros de paz e de diálogo e também a Igreja é chamada a esta tarefa, “para promover a reconciliação com o Senhor e com os irmãos, mas também a reconciliação com o meio ambiente, que é uma criação de Deus e que estamos explorando de modo selvagem”. Que esta visita, conclui o Papa, seja um abraço fraterno a cada colombiano. “Eu os abraço com afeto e peço ao Senhor que os abençoe, que proteja o país e lhe conceda a paz. E peço à Nossa Mãe, a Virgem Santa, que cuide de vocês. Não se esqueçam de rezar por mim. Obrigado e até logo.” Tradição Um dia antes de partir, como de costume, Francisco foi à Basílica de Santa Maria Maior para rezar diante da imagem da Virgem Salus Populi Romani. Já na manhã desta quarta, ainda na sua residência na Casa Santa Marta, o Papa saudou duas famílias (no total de 10 pessoas) que tiveram suas casas destruídas por um incêndio na periferia de Roma durante o verão. As famílias estão recebendo um auxílio, em nome do Santo Padre, da Esmolaria Apostólica.

Papa no Angelus: não ter medo da cruz de Cristo, verdadeiro amor é sacrifício

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (03/09), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, Francisco disse que “o Evangelho de hoje é a continuação do de domingo passado, que ressaltava a profissão de fé de Pedro, ‘rocha’ sobre a qual Jesus quer construir a sua Igreja. Hoje, em contraste estridente, Mateus, nos mostra a reação do próprio Pedro quando Jesus revela aos discípulos que em Jerusalém deverá sofrer, ser morto e ressurgir”, disse o Papa. “Pedro leva o Mestre para um lado e o repreende, porque isso, lhe diz, não pode acontecer a Ele, a Cristo. Mas Jesus, por sua vez, repreende Pedro com palavras duras: «Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!» Pouco antes, o apóstolo era abençoado pelo Pai, porque tinha recebido Dele esta revelação, era uma ‘pedra’ sólida para que Jesus pudesse construir a sua comunidade, e logo depois se torna um obstáculo, uma pedra não para construir, uma pedra de tropeço no caminho do Messias. Jesus sabe muito bem que Pedro e os outros ainda têm muita estrada para percorrer para se tornarem seus apóstolos!” A esse ponto, o Mestre se dirige a todos aqueles que o seguiam, apresentando-lhes claramente o caminho a ser percorrido: “«Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga». Sempre, e também hoje, a tentação é a de querer seguir um Cristo sem cruz, aliás, de ensinar a Deus a estrada certa; como Pedro: ‘Não, não Senhor, isso nunca acontecerá!’ Mas Jesus nos recorda que a sua estrada é a estrada do amor, e não há verdadeiro amor sem o sacrifício de si. Somos chamados a não nos deixar absorver pela visão deste mundo, mas a ser cada vez mais conscientes da necessidade e da fadiga para nós cristãos de caminhar contracorrente e em subida.” O Papa ressaltou que “Jesus completa a sua proposta com palavras que expressam uma grande sabedoria sempre válida, porque desafiam a mente e os comportamentos egocêntricos. Ele exorta: «Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la».” “Neste paradoxo esta contida a regra de ouro que Deus inscreveu na natureza humana criada em Cristo: a regra de que só o amor dá sentido e felicidade à vida. Gastar os próprios talentos, as próprias energias e o próprio tempo somente para salvar, proteger e realizar-se, conduz na verdade a se perder, ou seja, a uma existência triste e estéril. Se, ao invés, vivemos para o Senhor e estabelecemos a nossa vida no amor, como Jesus fez, poderemos saborear a verdadeira alegria, e a nossa vida não será estéril, será fecunda.” O Santo Padre frisou que “na celebração da Eucaristia revivemos o mistério da cruz; não somente recordamos, mas fazemos o memorial do Sacrifício redentor, no qual o Filho de Deus perde completamente Si mesmo para ser recebido novamente pelo Pai e assim nos reencontrar, pois estávamos perdidos, juntamente com todas as criaturas. Toda vez que participamos da Santa Missa, o amor de Cristo crucificado e ressuscitado se comunica a nós como alimento e bebida, para que possamos segui-Lo no caminho de todos os dias, no serviço concreto aos irmãos.” “Maria Santíssima, que seguiu Jesus até o Calvário, também nos acompanhe e nos ajude a não ter medo da cruz com Jesus crucificado, não uma cruz sem Jesus, a cruz com Jesus, ou seja, a cruz de sofrer por amor a Deus e aos irmãos, pois esse sofrimento, pela graça de Cristo, é fruto de  ressurreição”, concluiu o Papa. Radio Vaticano

Papa encontra líderes religiosos coreanos: diálogo pela reconciliação e a paz

O Santo Padre concluiu sua série de audiências, na manhã deste sábado, recebendo 20 membros do Conselho dos líderes religiosos coreanos, em visita ao Vaticano. Em seu discurso, o Papa Francisco expressou sua alegria de poder encontrá-los, sobretudo depois de terem percorrido tanta estrada para realizar sua peregrinação inter-religiosa a Roma. Aos líderes religiosos coreanos, o Santo Padre recordou as palavras que lhes dirigiu, em Seul, quando da sua visita ao país: “A vida é um caminho, um caminho longo, mas é um caminho que não pode ser percorrido sozinhos. É preciso caminhar com os irmãos na presença de Deus”. Eis, que hoje, aqui, se realiza uma parte do caminho que percorremos juntos”. Aos presentes, Francisco recordou que, desde o Concílio Vaticano II, a Igreja nunca se cansa de percorrer as veredas, às vezes difíceis, da unidade, promovendo, de modo particular, o diálogo com seguidores de outras religiões. E acrescentou: “O diálogo inter-religioso, composto de contatos, encontros e colaboração, é uma tarefa preciosa e agradável a Deus; é um desafio que deve ser enfrentado pelo bem comum e pela paz. O diálogo do qual precisamos deve ser aberto e respeitoso, para ser frutuoso”. De fato, disse o Papa, o diálogo deve ser aberto, ou seja, cordial e sincero entre aqueles que querem caminhar juntos, com estima e franqueza; deve ser respeitoso, porque esta é a condição e a finalidade do diálogo inter-religioso. E especificou: “De fato, é respeitando o direito à vida, a integridade física e as liberdades fundamentais – como o direito de consciência, de religião, de pensamento e expressão – que podem ser colocados os alicerces para a construção da paz, para a qual cada um de nós é chamado a rezar e a agir”. Temos diante de nós um caminho muito longo, a ser percorrido com humildade e constância, sem levantar a voz, mas arregaçando as mangas para semear a esperança em um futuro, onde o homem possa ser mais humano e onde possamos ouvir o grito daqueles que repudiam a guerra e imploram mais harmonia. E o Papa advertiu: “O mundo olha para nós e nos exorta a colaborar entre nós; o mundo exige de nós respostas e compromissos concretos sobre vários temas: a dignidade sagrada da pessoa, a fome e a pobreza; a rejeição da violência, sobretudo, aquela que se comete em nome de Deus; a profanação da religiosidade humana; a corrupção que fomenta injustiças; a degradação moral; a crise familiar, econômica, ecológica”. Neste sentido, concluiu o Santo Padre, os Líderes religiosos são convidados a promover, favorecer e acompanhar os processos benéficos e de reconciliação. Somos chamados a ser pregoeiros de paz, não de modo violento, mas com palavras convincentes que se opõem ao medo e à retórica do ódio. Radio Vaticano

Terceiro Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa

Celebra-se, nesta sexta-feira, 1° de setembro, o Terceiro Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa Francisco em 15 de setembro de 2015, um evento que tem caráter ecumênico por ser comemorado com a Igreja Ortodoxa. Para esta ocasião o Santo Padre publicou o seguinte tuíte: “Senhor, ensinai-nos a contemplar-vos na beleza da criação e despertai a nossa gratidão e o nosso sentido de responsabilidade”. Segundo Francisco, o objetivo do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação proporciona aos fiéis e às comunidades eclesiais a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardião da criação; esta data é uma ocasião para elevarmos a Deus um hino de ação de graças pela sua obra maravilhosa que confiou aos nossos cuidados, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. «Como cristãos, diz o Papa, queremos oferecer a nossa contribuição para superar a crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isso, devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação. Francisco recorda que a “crise ecológica impele a uma profunda conversão espiritual” e frisa que “os cristãos são chamados a uma conversão ecológica”. Assim o Santo Padre compartilha as preocupações do Patriarca Ecumênico, Bartolomeu I, sobre o cuidado e o futuro da criação. Neste contexto ecumênico, o Papa expressa seu desejo de que esta iniciativa possa envolver outras Igrejas e comunidades eclesiais e celebrar o evento em sintonia com o Conselho Mundial de Igrejas. Em sua preciosa Encíclica ecológica “Laudato si”, Francisco recorda que a terra “pode ser comparada a uma irmã, com quem partilhamos a existência, e a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Mas, frisa o Papa, sabemos que a terra está sendo maltratada e saqueada e seus gemidos se unem aos clamores de todos os abandonados do mundo. Por isso, o Santo Padre convida todos a ouvir esses gemidos e clamores, e os exorta a uma “conversão ecológica”, ou seja, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade e o compromisso do “cuidado da casa comum”, a Criação. O Planeta nos pertence, conclui a Encíclica, e, portanto, devemos defender a natureza e agir com responsabilidade na preservação de seus recursos, que vão além do papel dos ecologistas. Esta também é missão da Igreja! Radio Vaticano

Terceiro Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa

Celebra-se, nesta sexta-feira, 1° de setembro, o Terceiro Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído pelo Papa Francisco em 15 de setembro de 2015, um evento que tem caráter ecumênico por ser comemorado com a Igreja Ortodoxa. Para esta ocasião o Santo Padre publicou o seguinte tuíte: “Senhor, ensinai-nos a contemplar-vos na beleza da criação e despertai a nossa gratidão e o nosso sentido de responsabilidade”. Segundo Francisco, o objetivo do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação proporciona aos fiéis e às comunidades eclesiais a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à própria vocação de guardião da criação; esta data é uma ocasião para elevarmos a Deus um hino de ação de graças pela sua obra maravilhosa que confiou aos nossos cuidados, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos”. «Como cristãos, diz o Papa, queremos oferecer a nossa contribuição para superar a crise ecológica que a humanidade está vivendo. Por isso, devemos, antes de tudo, buscar no nosso rico patrimônio espiritual as motivações que alimentam a paixão pelo cuidado da criação. Francisco recorda que a “crise ecológica impele a uma profunda conversão espiritual” e frisa que “os cristãos são chamados a uma conversão ecológica”. Assim o Santo Padre compartilha as preocupações do Patriarca Ecumênico, Bartolomeu I, sobre o cuidado e o futuro da criação. Neste contexto ecumênico, o Papa expressa seu desejo de que esta iniciativa possa envolver outras Igrejas e comunidades eclesiais e celebrar o evento em sintonia com o Conselho Mundial de Igrejas. Em sua preciosa Encíclica ecológica “Laudato si”, Francisco recorda que a terra “pode ser comparada a uma irmã, com quem partilhamos a existência, e a uma mãe, que nos acolhe nos seus braços”. Mas, frisa o Papa, sabemos que a terra está sendo maltratada e saqueada e seus gemidos se unem aos clamores de todos os abandonados do mundo. Por isso, o Santo Padre convida todos a ouvir esses gemidos e clamores, e os exorta a uma “conversão ecológica”, ou seja, a “mudar de rumo”, assumindo a responsabilidade e o compromisso do “cuidado da casa comum”, a Criação. O Planeta nos pertence, conclui a Encíclica, e, portanto, devemos defender a natureza e agir com responsabilidade na preservação de seus recursos, que vão além do papel dos ecologistas. Esta também é missão da Igreja! Radio Vaticano

Jovem surpreende namorada e o Papa Francisco com pedido de casamento

Um jovem legislador venezuelano surpreendeu a sua namorada e o Papa Francisco ao pedir a mão da jovem em casamento no domingo, 27 de agosto, na Sala Clementina do Vaticano. O pedido de casamento foi feito durante uma audiência privada do Santo Padre com os 80 delegados de vários países que participavam da reunião anual da International Catholic Legislators Network (ICLN), em Roma. Em declarações ao National Catholic Register, Darío Ramírez disse que naquele dia, ele e a sua namorada Maryangel Espinal conversaram com o Papa sobre a situação da Venezuela e, em seguida, o jovem lhe mostrou as fotografias do grupo de teatro para adolescentes que apoia no Panamá, onde vive há três anos. Depois, pediu ao Pontífice que lhe desse uma bênção especial e disse que a sua namorada “não tinha ideia” do que ia acontecer. “Eu via que Maryangel estava pensando: ‘O que você vai fazer? Pedirá que nós façamos uma selfie?’ Ela ficou surpresa. Expliquei ao Santo Padre que a mulher que estava ao meu lado era a mulher da minha vida. Que eu a conheci em uma igreja, que Deus a colocou na minha vida e que eu queria pedir a sua mão em casamento. Então ajoelhei no chão e lhe perguntei”, contou. Recordou que o Pontífice disse: “Uau, diante do Papa! Ela não está falando. Ele te pediu em casamento, o que você vai responder?”. “Ela respondeu: ‘É claro que sim!’. E ele nos abençoou”, explicou Darío. Rodríguez disse que todas as pessoas que estavam presentes os felicitaram e até alguns delegados estrangeiros disseram que queriam ir ao casamento. O jovem venezuelano indicou que, para fazer o seu pedido de casamento, pediu a permissão do Cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena e promotor da ICLN. No exílio Darío Ramírez fugiu há três anos da Venezuela para o Panamá devido à repressão do governo de Nicolás Maduro contra a oposição. “Perdi tudo. Perdi o meu emprego, tive que deixar a minha casa, há três anos não posso voltar para a Venezuela. Sinto falta dos meus amigos, sinto falta da minha família”, expressou. Este legislador já havia cumprimentado o Papa Francisco em uma audiência privada concedida ao ICLN em 2015, mas para poder viajar nesta ocasião teve que conseguir um passaporte de refugiado no Panamá, pois se renovasse o seu passaporte venezuelano poderia ser preso. Conheceu a sua namorada, Maryangel Espinal, há 18 meses em uma igreja no Panamá e há seis meses pensou na possibilidade de casar-se com ela. “Rezei para ter uma orientação e, quando decidi, pensei em pedir-lhe em casamento da melhor forma possível”, manifestou. Os seus amigos pagaram a sua viagem a Roma e ele mesmo fez o anel de noivado, depois de frequentar aulas com um joalheiro. Atualmente, Darío está realizando campanha a fim de que outros venezuelanos possam conseguir o passaporte de refugiado. “Muitas pessoas precisam disso. Eu realmente quero ajudá-los”. “Estou muito feliz de poder ajudar a Deus como posso e também estou tentando ajudar a Venezuela estando do lado de fora. Um bom amigo me disse: ‘Quando você coloca seus talentos a serviço de Deus, o impossível pode acontecer’”, destacou. “Nem sequer nos meus sonhos mais loucos pensei que isso aconteceria”, afirmou. Fonte: Acidigital   https://www.youtube.com/watch?v=4K2j8Pgtj3Q

“Eu tenho dentro de mim, no coração, o vento da alegria?”, questiona Francisco

“A memória da vocação reaviva a esperança”. Com este tema de sua catequese, o Papa Francisco voltou a realizar a Audiência Geral na Praça São Pedro, que esta quarta-feira teve a presença de sacerdotes do Colégio Pio Brasileiro e da equipe da Chapecoense, que na noite de sexta-feira disputará um amistoso no Estádio Olímpico contra o Roma. “Recordar-se de Jesus, do fogo de amor com o qual um dia concebemos a nossa vida como um projeto de bem e reavivar com esta chama a nossa esperança” é “uma dinâmica fundamental da vida cristã”. O Papa Francisco concentrou sua catequese da Audiência Geral desta quarta-feira – que voltou a ser realizada na Praça São Pedro -na relação entre memória e esperança, com particular referência à memória da vocação. E para ilustrar isto, usou como exemplo o chamado dos primeiros discípulos de Jesus, uma experiência que ficou de tal forma impressa em suas memórias, que João já idoso chegou até mesmo a precisar a hora: “Eram cerca de 4 horas da tarde”. Após a frase pronunciada às margens do Jordão por João Batista “Eis o Cordeiro de Deus”, Jesus ganha dois novos jovens seguidores, a quem pergunta: “Que procurais?”. “Jesus – observou o Papa – aparece nos Evangelhos como um especialista de coração humano. Naquele momento, havia encontrado dois jovens que estavam buscando, com uma saudável inquietude”: “Com efeito, que juventude é uma juventude satisfeita, sem uma busca de sentido? Os jovens que não buscam nada não são jovens, estão aposentados, envelheceram antes do tempo. É triste ver jovens aposentados. E Jesus, em todo o Evangelho, em todos os encontros que lhe acontecem ao longo do caminho, aparece como um “incendiário” dos corações”. Por isso faz a pergunta “o que procurais?”, justamente para “fazer emergir o desejo de vida e de felicidade que cada jovem traz dentro”. Então, Francisco pergunta aos jovens que estão na Praça São Pedro e aqueles que acompanham pela mídia: “Tu, que és jovem, o que procuras? O que procuras no teu coração?” E foi assim que começou a vocação de João e de André, dando início a uma amizade com Jesus tão forte, que criou uma comunhão de vida e de paixão com Ele. E esta convivência com Jesus, transformou-os logo em missionários, tanto que seus irmãos Simão e Tiago também passam a seguir Jesus. “Foi um encontro tão tocante, tão feliz, que os discípulos recordarão para sempre aquele dia que iluminou e orientou a juventude deles”, ressaltou o Papa. Francisco diz a seguir que a própria vocação neste mundo pode ser descoberta de diferentes maneiras, “mas o primeiro indicador é a alegria do encontro com Jesus”: “Matrimônio, vida consagrada, sacerdócio: cada vocação verdadeira inicia com um encontro com Jesus que nos dá alegria e uma esperança nova; e nos conduz, mesmo em meio às provações e dificuldades, a um encontro sempre mais pleno, cresce, aquele encontro, maior, o encontro com Ele e à plenitude da alegria”. O Papa observa então, que “o Senhor não quer homens e mulheres que o sigam de má vontade, sem ter no coração o vento da alegria”, perguntando aos presentes: “Vocês, que estão na praça, vocês têm o vento da alegria? Cada um se pergunte: Eu tenho dentro de mim, no coração, o vento da alegria?”: “Jesus quer pessoas que tenham experimentado que estar com Ele traz uma felicidade imensa, que pode ser renovada a cada dia da vida. Um discípulo do Reino de Deus que não é alegre, não evangeliza este mundo,  é um triste. Nos tornamos pregadores de Jesus, não aperfeiçoando as armas da retórica: tu podes falar, falar, falar, mas se não existe uma outra coisa, como pode se tornar pregador de Jesus? Tendo nos olhos o brilho da verdadeira felicidade. Vemos tantos cristãos, também entre nós, que com os olhos te transmitem a alegria da fé: com os olhos!”. Por isto o cristão – assim como o fez a Virgem Maria – deve proteger “a chama de seu enamoramento”: “Certamente, existem provações na vida, existem momentos em que é necessário seguir em frente não obstante o frio e os ventos contrários. Porém os cristãos conhecem o caminho que conduz àquele fogo sagrado que os acendeu uma vez para sempre”. O Papa por fim, alerta para não darmos atenção à quem nos tira o entusiasmo e a esperança, mas a sonharmos com um mundo diferente e cultivarmos sãs utopias: “Mas por favor, recomendo: não demos ouvidos às pessoas desiludidas e infelizes; não escutemos quem recomenda cinicamente para não cultivar esperanças na vida; não confiemos em quem apaga ao nascer cada entusiasmo, dizendo que nenhuma empresa vale o sacrifício de toda uma vida; não escutemos “velhos” de coração que sufocam a euforia juvenil.  Procuremos os velhos que têm os olhos brilhantes de esperança! Cultivemos, pelo contrário, sãs utopias: Deus nos quer capazes de sonhar como Ele e com Ele, enquanto caminhamos bem atentos à realidade. Sonhar um mundo diferente. E se um sonho se apaga, voltar a sonhá-lo de novo, indo com esperança à memória das origens, aquelas brasas que, talvez, depois de uma vida não tão boa, estão escondidas sob as cinzas do primeiro encontro com Jesus”. Antes de saudar os peregrinos de língua italiana, o Papa Francisco fez um apelo pelo Dia de Oração pelo Cuidado da Criação: “Depois de amanhã, 1º de setembro, recorre o Dia de Oração pelo cuidado da criação. Nesta ocasião, eu e meu querido irmão Bartolomeu, Patriarca ecumênico de Constantinopla, preparamos juntos uma Mensagem. Nela convidamos todos a assumir uma atitude respeitosa e responsável com a criação. Fazemos, além disto, um apelo àqueles que desempenham papeis influentes, para escutar o grito da terra e o grito  dos pobres, que são os que mais sofrem pelos desequilíbrios ecológicos”. Fonte: Radio Vaticano

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