Ataque químico na Síria: atenção internacional, do Papa à ONU

A atenção internacional sobre o ataque químico de terça-feira (4), na Síria, está mobilizada do Vaticano à ONU, em confronto entre Estados Unidos e Rússia. Durante a audiência geral de quarta-feira (5), na Praça São Pedro, o Papa Francisco se uniu às manifestações mundiais de “terror” e expressou a sua “firme deploração” contra a tragédia que matou ao menos 86 pessoas na província de Idlib, entre elas, 30 crianças. O Pontífice também exortou “à consciência dos responsáveis políticos, em nível local e internacional” para o fim da guerra e “alívio da população”. No Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, a reunião desta quarta-feira (5) abordou o ataque com armas químicas na Síria. Os Estados Unidos ameaçaram com uma ação unilateral caso a ONU não responda de forma adequada ao ocorrido. Junto ao Reino Unido e à França, apresentaram um rascunho de resolução para uma investigação exaustiva do ataque. A Rússia, porém, aliada ao governo sírio de Bashar al-Assad, afirmou que o texto era “categoricamente inaceitável”. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, denunciou inclusive um “projeto contra a Síria”, o que poderia agravar ainda mais a situação. Através de um documento alternativo ainda fez partir uma investigação, “antes de indicar os culpados”. A embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Nikki Haley, declarou que, frente “ao fracasso consistentemente na tarefa de atuar” coletivamente, “há momentos na vida dos Estados em que nos vemos impulsionados a atuar por conta própria”. Os EUA já estariam prontos para intervir na Síria se não for encontrada uma solução definitiva para o conflito que começou em março de 2011. Segundo Raffaele Marchetti, professor de Relações Internacionais da Universidade Luiss, de Roma, a ONU teria feito mal em levar “todos os atores ao redor de uma mesa, para contribuir no desenho de uma passagem de transição”. Prof. Marchetti – “Aquilo que as Nações Unidas podem fazer hoje é exatamente isso: criar as condições para que se alcance um acordo e, então, contribuir a manter, naturalmente, ao menos nas partes mais pacificadas, uma situação de estabilidade. Mas penso que o confronto irá continuar. A partida, de fato, se joga muito entre os Estados Unidos e a Rússia. Com os últimos fatos sírios, que embaralharam as cartas, eu diria que ainda é cedo para entender qual será o ponto de comprometimento que deverá acontecer entre Washington e Moscou.” Fonte: Rádio Vaticano

Papa: Europa precisa reencontrar o espírito de família

O Papa Francisco recebeu na tarde desta sexta-feira (24/03), no Vaticano, os Chefes de Estado e de Governo da União Europeia por ocasião do 60° aniversário dos Tratados de Roma. Os Tratados de Roma, assinados em 25 de março de 1957, na capital italiana, fazem referência à constituição da Comunidade Econômica Europeia (rebatizada nos Anos 90 como União Europeia), e à Euratom, a Comunidade Europeia da Energia Atômica (hoje autônoma). A assinatura dos Tratados representou um marco na história geopolítica do mundo, por culminar de um processo pós-Segunda Guerra Mundial que deixou a Europa econômica e politicamente destruída. “Voltar a Roma após sessenta anos, não pode ser apenas uma viagem de recordações. É preciso identificar-se com os desafios de então para enfrentar aqueles de hoje e de amanhã. Não se pode compreender o tempo em que vivemos sem o passado, entendido não como um conjunto de acontecimentos distantes, mas como a linfa vital que se destaca no presente”, disse Francisco em seu discurso. Futuro melhor Depois dos anos obscuros e cruentos da Segunda Guerra Mundial, os líderes da época acreditaram na possibilidade de um futuro melhor. Os Pais fundadores nos recordam que a Europa não é um conjunto de regras a serem observadas, nem um prontuário de protocolos e procedimentos a serem seguidos. Ela é uma vida, um modo de conceber o homem, a partir da sua dignidade transcendente e inalienável, e não apenas um conjunto de direitos a serem defendidos ou de pretensões a serem reivindicadas.  Roma, com a sua vocação de universalidade, é o símbolo desta experiência e, por isso, foi escolhida como lugar da assinatura dos Tratados, porque aqui “foram lançadas as bases políticas, jurídicas e sociais da nossa civilização”. Solidariedade “O primeiro elemento da vitalidade europeia é a solidariedade. Este espírito é muito necessário, hoje, diante dos impulsos centrífugos, como também da tentação de reduzir os ideais básicos da União às necessidades produtivas, econômicas e financeiras. Em um mundo, que conhecia bem o drama dos muros e as divisões, era bem evidente a importância de trabalhar por uma Europeia unida e aberta e o desejo comum de remover aquela barreira inatural que, do Mar Báltico ao Adriático, dividia o continente. Quanto esforço para abater aquele muro! Não obstante, hoje, perdeu-se a memória daquele esforço. Perdeu-se até a consciência do drama das famílias separadas, da pobreza e da miséria que aquela divisão provocou. Onde as gerações tinham a ambição de ver abatidos os sinais de inimizade forçada, agora se discute como excluir os “perigos” do nosso tempo, a partir da longa fila de mulheres, homens e crianças, em fuga da guerra e da pobreza, que pedem somente a possibilidade de um futuro para si e para seus entes queridos. Para os Pais fundadores era clara a consciência de se fazer parte de uma obra comum, que não ia apenas além dos confins dos Estados, mas também daqueles do tempo, a ponto de unir as gerações entre si, todas igualmente partícipes da construção da Casa comum. Crise entre as instituições Nos últimos sessenta anos, o mundo mudou muito. Uma crise econômica, que se destacou no último decênio; uma crise familiar e de modelos sociais consolidados; uma difundida “crise entre as instituições” e a crise dos migrantes: tantas crises que ocultam o medo e o extravio profundo do homem contemporâneo, que exige uma nova hermenêutica para o futuro. Este, portanto, é um tempo de discernimento, que nos convida a avaliar o essencial e a construir sobre ele: logo, é um tempo de desafios e de oportunidades. “O que os Pais fundadores nos deixaram? As respostas podem ser encontradas nos pilares sobre os quais eles quiseram edificar a Comunidade Econômica Europeia: Centralidade do homem, solidariedade concreta, abertura ao mundo, busca da paz e do desenvolvimento, abertura ao futuro. Quem governa tem a tarefa de discernir os caminhos da esperança”, frisou o Papa. Espírito de família A Europa reencontra esperança quando o homem é o centro e o coração das suas instituições. Afirmar a centralidade do homem significa também reencontrar o espírito de família, em que cada um contribui livremente segundo as próprias capacidades e dotes, à casa comum. É oportuno ter presente que a Europa é uma família de povos e – como em toda boa família – existem susceptibilidades diferentes, mas todos podem crescer na medida em que se está unido. A União Europeia nasce como unidade das diferenças e unidade nas diferenças. As peculiaridades não devem por isto assustar, nem se pode pensar que a unidade seja preservada da uniformidade. Ela é antes a harmonia de uma comunidade. A Europa reencontra esperança na solidariedade, que é também o mais eficaz antídoto aos populismos modernos. A solidariedade não é somente um bom propósito: é caracterizada por fatos e gestos concretos, que aproximam ao próximo, em qualquer condição este se encontre. Ao contrário, os populismos nascem precisamente do egoísmo, que fecha em um círculo restrito e sufocante e que não permite de superar o limite dos próprios pensamentos e “olhar além”. É preciso recomeçar a pensar de modo europeu, para esconjurar o perigo oposto de uma cinzenta uniformidade, ou mesmo o triunfo dos particularismos. A Europa reencontra esperança quando não se fecha no medo de falsas seguranças. Não se pode limitar em administrar a grave crise migratória destes anos como se fosse somente um problema numérico, econômico ou de segurança. A questão migratória coloca uma pergunta mais profunda, que é antes de tudo cultural. Qual cultura propõe a Europa hoje? O medo que frequentemente se adverte encontra, de fato, na perda dos ideais, a sua causa mais radical. Sem uma verdadeira perspectiva ideal se acaba por ser dominados pelo temor que o outro nos  prive dos hábitos consolidados, nos prive dos confortos adquiridos, coloque em discussão um estilo de vida feito muito frequentemente somente de bem-estar material. Pelo contrário, a riqueza da Europa sempre foi a sua abertura espiritual e a capacidade de colocar-se perguntas fundamentais sobre o sentido da existência. A Europa reencontra esperança quando investe no desenvolvimento

A dor do Papa pelo atentado de Londres

“Profundamente entristecido pela perda de vidas humanas e pelos danos causados pelo ataque no centro de Londres, Sua Santidade o Papa Francisco expressa sua solidariedade através da oração para com todas as pessoas atingidas por esta tragédia”. Foi o que escreveu o Secretário de Estado Dom Pietro Parolin em um telegrama enviado em nome do Papa ao Cardeal Vincent Nichols, Arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e País de Gales. “Confiando aqueles que morreram à misericórdia amorosa de Deus Todo-Poderoso, Sua Santidade – escreve Dom Parolin – invoca a força divina e a paz sobre em suas famílias enlutadas e assegura à nação a sua oração neste momento”. Fonte: Rádio Vaticano

Papa envia mensagem para a CF 2017: “O criador foi pródigo com o Brasil”

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente, nesta Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017).  O tema  da Campanha: “Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida”,O lançamento foi na sede da entidade, em Brasília (DF). A campanha, que tem como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma. O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade 2017. Eis a íntegra do texto: Queridos irmãos e irmãs do Brasil! Desejo me unir a vocês na Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2017, tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, lhes animando a ampliar a consciência de que o desafio global, pelo qual toda a humanidade passa, exige o envolvimento de cada pessoa juntamente com a atuação de cada comunidade local, como aliás enfatizei em diversos pontos na Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado de nossa casa comum. O criador foi pródigo com o Brasil. Concedeu-lhe uma diversidade de biomas que lhe confere extraordinária beleza. Mas, infelizmente, os sinais da agressão à criação e da degradação da natureza também estão presentes. Entre vocês, a Igreja tem sido uma voz profética no respeito e no cuidado com o meio ambiente e com os pobres. Não apenas tem chamado a atenção para os desafios e problemas ecológicos, como tem apontado suas causas e, principalmente, tem apontado caminhos para a sua superação. Entre tantas iniciativas e ações, me apraz recordar que já em 1979, a Campanha da Fraternidade que teve por tema “Por um mundo mais humano” assumiu o lema: “Preserve o que é de todos”. Assim, já naquele ano a CNBB apresentava à sociedade brasileira sua preocupação com as questões ambientais e com o comportamento humano com relação aos dons da criação. O objetivo da Campanha da Fraternidade deste ano, inspirado na passagem do Livro do Gênesis (cf. Gn 2,15), é cuidar da criação, de modo especial dos biomas brasileiros, dons de Deus, e promover relações fraternas com a vida e a cultura dos povos, à luz do Evangelho. Como “não podemos deixar de considerar os efeitos da degradação ambiental, do modelo atual de desenvolvimento e da cultura do descarte sobre a vida das pessoas” (LS, 43), esta Campanha convida a contemplar, admirar, agradecer e respeitar a diversidade natural que se manifesta nos diversos biomas do Brasil – um verdadeiro dom de Deus – através da promoção de relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles vivem. Este é, precisamente, um dos maiores desafios em todas as partes da terra, até porque as degradações do ambiente são sempre acompanhadas pelas injustiças sociais. Os povos originários de cada bioma ou que tradicionalmente neles vivem nos oferecem um exemplo claro de como a convivência com a criação pode ser respeitosa, portadora de plenitude e misericordiosa. Por isso, é necessário conhecer e aprender com esses povos e suas relações com a natureza. Assim, será possível encontrar um modelo de sustentabilidade que possa ser uma alternativa ao afã desenfreado pelo lucro que exaure os recursos naturais e agride a dignidade dos pobres. Todos os anos, a Campanha da Fraternidade acontece no tempo forte da Quaresma. Trata-se de um convite a viver com mais consciência e determinação a espiritualidade pascal. A comunhão na Páscoa de Jesus Cristo é capaz de suscitar a conversão permanente e integral, que é, ao mesmo tempo, pessoal, comunitária, social e ecológica. Reafirmo, assim, o que recordei por ocasião do Ano santo Extraordinário: a misericórdia exige “restituir dignidade àqueles que dela se viram privados” (Misericordia vultus, 16). Uma pessoa de fé que celebra na Páscoa a vitória da vida sobre a morte, ao tomar consciência da situação de agressão à criação de Deus em cada um dos biomas brasileiros, não poderá ficar indiferente. Desejo a todos uma fecunda caminhada quaresmal e peço a Deus que a Campanha da Fraternidade 2017 atinja seus objetivos. Invocando a companhia e a proteção de Nossa Senhora Aparecida sobre todo o povo brasileiro, particularmente neste Ano mariano, concedo uma especial Bênção Apostólica e peço que não deixem de rezar por mim. Vaticano, 15 de fevereiro de 2017. [Franciscus PP.] Fonte:Radio Vaticano

Papa: escândalo e vida dupla destroem

“Não escandalizar os pequeninos com a vida dupla, porque o escândalo destrói”, disse o Papa Francisco na homilia da missa matutina celebrada, nesta quinta-feira (23/02), na Casa Santa Marta. “Cortar a mão”, “arrancar o olho”, mas “não escandalizar os pequeninos”, ou seja, os justos, “os que confiam no Senhor, que simplesmente creem no Senhor”. “Mas o que é o escândalo? O escândalo é dizer uma coisa e fazer outra; é ter vida dupla. Vida dupla em tudo: sou muito católico, vou sempre à missa, pertenço a esta e aquela associação; mas a minha vida não é cristã. Não pago o que é justo aos meus funcionários, exploro as pessoas, faço jogo sujo nos negócios, reciclo dinheiro, vida dupla. Muitos católicos são assim. Eles escandalizam. Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’. O escândalo é isso. Destrói. Joga você no chão. Isso acontece todos os dias, basta ver os telejornais e ler os jornais. Os jornais noticiam vários escândalos e fazem publicidade de escândalos. Com os escândalos se destrói.” O Papa citou o exemplo de uma empresa importante que estava à beira da falência. As autoridades queriam evitar uma greve justa, mas que não faria bem e queriam conversar com os chefes da empresa. As pessoas não tinham dinheiro para arcar com as despesas cotidianas, pois não recebiam o salário. O responsável, um católico, estava de férias numa praia no Oriente Médio e as pessoas souberam disso mesmo que a notícia não tenha saído nos jornais. “Estes são escândalos”, disse Francisco: “No Evangelho, Jesus fala daqueles que escandalizam, sem dizer a palavra escândalo, mas se entende: ‘Você chegará ao Céu, baterá à porta e: Sou eu, Senhor! Não se lembra? Eu ia à Igreja, estava sempre com você, pertencia a tal associação, fazia muitas coisas. Não se lembra de todas as ofertas que eu fiz? Sim, lembro-me! As ofertas! Lembro-me bem: todas sujas, roubadas aos pobres. Não o conheço. Esta será a resposta de Jesus aos escandalosos que fazem vida dupla.” “A vida dupla provém do seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original”, disse o Papa. A Primeira Leitura exorta a não se deixar levar pelas paixões do coração e a não confiar nas riquezas. A não dizer: “Contento-me de mim mesmo”. Francisco convidou a não adiar a conversão: “A todos nós, a cada um de nós, fará bem, hoje, pensar se há algo de vida dupla em nós, de parecer justos. Parecer bons fiéis, bons católicos, mas por baixo fazer outra coisa; se há algo de vida dupla, se há uma confiança excessiva: O Senhor me perdoará tudo. Então, continuo. Ok! Isso não é bom. Irei me converter, mas hoje não! Amanhã. Pensemos nisso. Aproveitemos da Palavra do Senhor e pensemos que o Senhor nisso é muito duro. O escândalo destrói.” Fonte: Radio Vaticano

Shalom comemora 10 anos de Reconhecimento Pontifício

“O motivo da existência do Shalom é professar a fé de Pedro. “ (Pe.Silvio Scopel) Em 22 de fevereiro de 2007, a Comunidade Católica Shalom recebia da Santa Sé, em Roma, o reconhecimento pontifício de seus estatutos em um período ad experimentum. Em 2012, na mesma data, dia da Cátedra de São Pedro, os estatutos eram aprovados definitivamente. A festa da Cátedra de São Pedro, em que celebramos a autoridade do Papa sobre a Igreja, fundamentada na Sagrada Escritura, é também hoje, para a Comunidade Shalom, um dia de muito júbilo pelos seus 10 anos de reconhecimento junto à Igreja. Segundo o missionário da Comunidade de Vida Shalom e assistente local de Fortaleza, padre Silvio Scopel, o Shalom ter sido aprovado no dia 22 de fevereiro, “significa que existimos para professar a fé de Pedro. Esse é o sentido da nossa existência. Foi para isso que Deus nos criou, que Deus nos constituiu essa família espiritual. O motivo da existência do Shalom é professar a fé de Pedro”. A graça do reconhecimento pontifício, na história dos 35 anos de Comunidade Shalom, foi marcada fortemente e passa pela voz de Pedro, primeiramente na figura do papa João Paulo ll, quando falou para as Novas Comunidades em maio de 1998, “Vós sois uma nova primavera para a Igreja”, e depois disse, “Vós sois a resposta providencial de Deus para a Igreja nos tempos de hoje”. Na figura de Bento XVI, Pedro, disse: “Mantende sempre em vós o espírito de igreja missionária”. Em outro momento ele afirmou: “Sejam alegres instrumentos do amor e da misericórdia de Deus”. E por fim Pedro, por meio do Papa Francisco disse à Comunidade: “Não tenham vergonha do Evangelho de Jesus Cristo”. “Não tenham vergonha de viver e de anunciar o Evangelho radicalmente”. Consolidar Em visita recente ao Papa Francisco, para os acertos de sua presença em setembro de 2017 na convenção dos 35 anos da Comunidade Shalom em Roma, Moysés Azevedo, o fundador e moderador geral da Comunidade Shalom, foi recebido em audiência privada, no Palácio Apostólico onde Francisco mais uma vez pela voz de Pedro, nos falou diretamente: “É necessário consolidar cada vez mais essa graça que vocês receberam de Deus, consolidar a Comunidade para que ela possa continuar dando abundantes frutos na Igreja”.  Afirmou que “consolidar” não significa fechar-se sobre si mesmo ou ficar preocupados consigo mesmos, mas tornar-se firme, rocha, lançar as raízes profundas na terra para que sejam, cada vez mais, fortalecidos para continuar crescendo, gerando frutos, servindo a Igreja, os jovens, as famílias, os pobres, a Comunidade. Estatutos Os Estatutos da Comunidade são um conjunto de regras e normas de como a Vocação Shalom deve ser vivida. Além de ter sido inspirado por Deus, o Estatuto é um sinal do Carisma, caminho concreto de conversão e de busca da santidade. Angela Barroso

Papa: diante das tentações pedir a graça da santa vergonha

Que o Senhor nos dê a graça da ‘santa vergonha’ diante da tentação da ambição que envolve todos, inclusive os bispos e as paróquias. Foi a exortação do Papa na homilia da missa matutina da terça-feira (21/02), na Casa Santa Marta. Francisco recordou que quem quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos. “Todos seremos tentados”: é o ponto de partida da homilia, inspirada nas leituras do dia. A primeira lembra que quem quer servir o Senhor se deve preparar para a tentação. Já o Evangelho fala de Jesus quando anuncia aos discípulos a sua morte, eles não entendem e têm medo de interrogá-lo. “Esta é a tentação de não cumprir a missão”, disse o Papa. “Jesus também foi tentado: no deserto, três vezes pelo diabo, e depois por Pedro, ante o anúncio da sua morte. Mas há outra tentação narrada no Evangelho: os discípulos discutem sobre quem deles é o maior e se calam quando Jesus os interpela sobre o motivo da discussão. Calam-se porque se envergonham: “Mas eram pessoas boas, que queriam seguir o Senhor, servir o Senhor, mas não sabiam que o caminho do serviço ao Senhor não era assim tão fácil, não era como filiar-se numa organização, numa associação de beneficência, para fazer o bem. Não, é outra coisa. Eles temiam isso. E depois, a tentação da mundanidade: desde o momento que a Igreja é Igreja e até hoje isto aconteceu, acontece e acontecerá. Por exemplo, as lutas nas paróquias. ‘Eu quero ser presidente desta associação, quero me promover um pouco’. Quem é o maior, aqui? Quem é o maior nesta paróquia? Não, eu sou mais importante do que ele; aquele não porque fez aquilo… e assim por diante… a corrente dos pecados”. A tentação que leva a ‘falar mal do outro’ e a ‘se promover’… Francisco fez outros exemplos concretos para explicar esta tentação: “Algumas vezes nós, padres, dizemos com vergonha, nos presbitérios: ‘Eu gostaria daquela paróquia… Eu queria aquela…’. É o mesmo: este não é o caminho do Senhor, mas o caminho da vaidade, da mundanidade. Inclusive entre nós, bispos, acontece o mesmo: a mundanidade chega como tentação. Muitas vezes ‘Eu estou nesta diocese mas estou de olho naquela, porque é mais importante, e articulo buscando influências, faço pressão, empurro neste ponto para chegar lá’. ‘Mas o Senhor está lá’. O desejo de ser mais importante nos leva ao caminho da mundanidade. O Papa exortou a pedir sempre ao Senhor ‘a graça de nos envergonharmos’  quando nos encontrarmos nestas situações: Jesus inverte aquela lógica. Sentado entre eles, lhes recorda que ‘quem de vocês quer ser o primeiro, seja o último e o servidor de todos’. E pega um menino e o coloca no meio deles. O Papa pediu para rezar pela Igreja, ‘por todos nós’, para que o Senhor nos defenda ‘das ambições, da mundanidade e de nos sentirmos maiores do que os outros’:  “Que o Senhor nos dê a graça da vergonha, aquela santa vergonha, quando nos encontrarmos nesta situação, diante da tentação. ‘Sou capaz de pensar assim? Quando vejo meu Senhor na cruz e quero usar o Senhor para me promover? E nos dê a graça da simplicidade de uma criança: entender que somente o caminho do serviço… E ainda, imagino ainda outra pergunta: ‘Senhor, eu te servi toda a vida, fui o último toda a vida. E agora, o que nos diz o Senhor?’. ‘Diga de você mesmo: ‘sou um servo inútil’. Fonte:Radio Vaticano

Papa: Estou certo de que Deus me ama?

A esperança não decepciona: este foi o tema da catequese do Papa Francisco, na Audiência Geral desta quarta-feira (15/02), na Sala Paulo VI, no Vaticano. Na catequese baseada na Carta de São Paulo aos Romanos, o Pontífice ressaltou que “desde pequenos nos é ensinado que vangloria-se não é uma coisa bonita. Está certo, pois gabar-se do que se é ou do que se tem, além de uma certa soberbia, traz consigo uma falta de respeito pelos outros, especialmente pelas pessoas desfavorecidas”. Abundância da graça Nessa passagem da Carta aos Romanos, o Apóstolo Paulo nos surpreende, pois por duas vezes nos exorta a vangloriar-nos. Mas, do que é justo nos vangloriar? Como é possível fazer isso sem ofender, sem excluir ninguém?, perguntou o Papa. Segundo Francisco, no primeiro caso, somos convidados a nos vangloriar da abundância da graça de Deus que recebemos de Jesus Cristo. “Paulo quer nos fazer entender que, se aprendemos a ver os acontecimentos à luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça! Se prestarmos atenção, quem age na história assim como em nossa vida, não somos nós sozinhos mas é sobretudo Deus. Ele é o protagonista absoluto que cria todas as coisas como um dom de amor, que tece a trama de seu desígnio de salvação, levado à plenitude em Jesus. Quando acolhemos com gratidão essa manifestação do amor de Deus, experimentamos uma paz que se estende a todas as dimensões de nossa vida: Estamos em paz com nós mesmos, estamos em paz na família, em nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos a cada dia em nosso caminho”, disse ainda o Papa. Misericórdia de Deus “O Apóstolo nos convida também a nos ufanar de nossas tribulações. Isso não é fácil de entender. Trata-se de algo mais difícil e pode parecer que não tenha nada a ver com a condição de paz que acabamos de descrever. Contudo, devemos pensar que a paz que Deus nos oferece não significa ausência de dificuldades, preocupações, desilusões e sofrimentos, mas é um dom que nasce da experiência de sabermos que somos amados por Ele, que sempre nos acompanha e nunca nos abandona. Isso faz com que sejamos pacientes nas tribulações, pois a misericórdia de Deus é maior do que tudo”. “Por isso, a esperança cristã é sólida, não decepciona. O seu fundamento não está no que nós podemos ou não fazer, e nem no que podemos crer. O seu fundamento é o que de mais fiel e seguro possa existir, ou seja, o amor de Deus por nós. É fácil dizer: Deus nos ama. Todos dizemos isso. Mas pensem um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: Estou certo de que Deus me ama? Não é muito fácil dizer isso. É um bom exercício dizer a si mesmo: Deus me ama. Esta é a raiz de nossa segurança, a raiz da esperança”, sublinhou Francisco. Vangloriar-se do amor de Deus “O Senhor infundiu abundantemente em nossos corações o Espírito, que é o amor de Deus, como artífice, como garante, para que possa alimentar dentro de nós a fé e manter vida essa esperança. Deus me ama! Mas neste momento difícil? Deus me ama. E eu que fiz coisas feias e más? Deus me ama. Esta certeza ninguém pode nos tirar e devemos repeti-la como uma oração: Deus me ama. Estou certo de que Deus me ama.” Agora, compreendemos porque o Apóstolo Paulo nos exorta a nos vangloriar sempre de tudo isso. “Vanglorio-me do amor de Deus, porque Ele me ama. A esperança que nos foi dada não nos separa dos outros, e muito menos me leva a desacreditá-los ou marginalizá-los. Trata-se de um dom extraordinário do qual somos chamados a ser ‘canais’ para todos, com humildade e simplicidade. Então, a nossa maior glória será a de ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, começando pelos marginalizados e distantes, para que como seus filhos aprendamos a nos consolar e nos ajudar reciprocamente”. Fonte:Radio Vaticano

Papa fala dos desafios que dificultam a fidelidade à vocação

O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (28/01), no Vaticano, recebendo na Sala Clementina, cerca de 100 participantes na Plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em seu pronunciamento, o Papa expressou sua satisfação em receber os membros da Congregação que, nestes dias, em sua plenária, refletiram sobre o tema da “fidelidade e dos abandonos”: “O tema que escolheram é importante. Podemos dizer que, neste momento, a fidelidade é colocada à prova: é o que demonstram as estatísticas que examinaram. Encontramo-nos diante de certa “hemorragia” que enfraquece a vida consagrada e a própria vida da Igreja. Os abandonos na vida consagrada nos preocupam muito. É verdade que alguns a deixam por um gesto de coerência, porque reconhecem, depois de um sério discernimento, que nunca teve vocação; outros, com o passar do tempo, faltam de fidelidade, muitas vezes a apenas alguns anos da sua profissão perpétua”. Aqui, o Papa perguntou: o que aconteceu? Como vocês destacaram no seu encontro, são muitos os fatores que condicionam a fidelidade nesse tempo de mudança de época em que se torna difícil assumir compromissos sérios e definitivos. Neste sentido, Francisco destacou alguns desses fatores: “O primeiro fator que não ajuda a manter a fidelidade é o contexto social e cultural em que vivemos. De fato, vivemos imersos na chamada “cultura do fragmento”, do  “provisório”, que pode levar a viver “à la carte” e ser escravo da moda. Esta cultura leva à necessidade de se manter sempre abertas as “portas laterais” para outras possibilidades, alimenta o consumismo e esquece a beleza de uma vida simples e austera, provocando muitas vezes um grande vazio existencial”. Vivemos em uma sociedade onde as regras econômicas substituem as leis morais, ditam e impõem seus próprios sistemas de referência em detrimento dos valores da vida; uma sociedade onde a ditadura do dinheiro e do lucro defende sua visão de existência. Em tal situação, disse o Pontífice, é preciso primeiro deixar-se evangelizar e, depois, comprometer-se com a evangelização. Assim, apresentou outros fatores ao contexto sócio-cultural: “Um deles é o mundo da juventude, um mundo complexo, rico e desafiador. Não faltam jovens generosos, solidários e comprometidos em nível religioso e social; jovens que buscam uma vida espiritual, que têm fome de algo diferente do que o mundo oferece. Mas, mesmo entre esses jovens, há muitas vítimas da lógica do mundanismo, como a busca do sucesso a qualquer preço, o dinheiro e o prazer fáceis”. Essa lógica, advertiu o Papa, atrai muitos jovens, mas nosso compromisso é estar ao lado deles para contagiá-los com a alegria do Evangelho e de pertença a Cristo. Essa cultura deve ser evangelizada. Aqui, indicou um terceiro fator condicionante, que vem da própria vida consagrada, onde, além de uma grande santidade não faltam situações de contra testemunho que tornam difícil a fidelidade: “Tais situações, entre outras, são: a rotina, o cansaço, o peso de gestão das estruturas, as divisões internas, a sede de poder… Se a vida consagrada quiser manter a sua missão profética e o seu encanto, continuando a ser escola de lealdade para os próximos e os distantes, deverá manter o frescor e a novidade da centralidade de Jesus, a atração pela espiritualidade e da força da missão, mostrar a beleza do seguimento de Cristo e irradiar esperança e alegria”. Outro aspecto ao qual a vida consagrada deverá prestar especial atenção é a “vida fraterna comunitária”, que deve ser alimentada pela oração comum, a leitura da palavra, a participação ativa nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, o diálogo fraterno, a comunicação sincera entre os seus membros, a correção fraterna, a misericórdia para com o irmão ou a irmã que peca, a partilha das responsabilidades. A seguir, o Santo Padre recordou a importância da vocação: “A vocação, como a própria fé, é um tesouro que trazemos em vasos de barro, que nunca deve ser roubado ou perder a sua beleza. A vocação é um dom que recebemos do Senhor, que fixou seu olhar sobre nós e nos amou, chamando-nos a segui-lo mediante a vida consagrada, como também uma responsabilidade para quem a recebeu”. Falando de lealdade e de abandono, disse ainda Francisco, “devemos dar muita importância ao acompanhamento. A vida consagrada deve investir na preparação de assistentes qualificados para este ministério. E concluiu dizendo que “muitas vocações se perdem por falta de bons líderes. Todas as pessoas consagradas precisam ser acompanhados em nível humano, espiritual e profissional. Aqui entra o discernimento que exige muita sensibilidade espiritual. Fonte: Rádio Vaticano

Papa: São os preguiçosos, os cristãos estacionados

Sejam cristãos corajosos, ancorados na esperança e capazes de suportar momentos difíceis. Esta é a forte exortação do Papa na Missa matutina na Casa Santa Marta. Os cristãos preguiçosos, ao invés, são parados, destacou Francisco, e para eles a Igreja é um belo estacionamento. O Papa desenvolve a sua homilia partindo da Leitura da Carta aos Hebreus. O zelo de que fala, a coragem de ir avante deve ser a nossa atitude diante da vida, como os que treinavam no estádio para vencer. Mas a Leitura fala também da preguiça, que é o contrário da coragem. “Viver na geladeira”, sintetizou o Papa, “para que tudo permaneça assim”: “Os cristãos preguiçosos, os cristãos que não têm vontade de ir avante, os cristãos que não lutam para fazer as coisas mudarem, coisas novas, coisas que fariam bem a todos se mudassem. São os preguiçosos, os cristãos estacionados: encontraram na Igreja um belo estacionamento. E quando digo cristãos, digo leigos, padres, bispos… Todos. E como existem cristãos estacionados! Para eles, a Igreja é um estacionamento que protege a vida e vão adiante com todas as garantias possíveis. Mas esses cristãos parados me fazem lembrar de uma coisa que nossos avós diziam quando éramos crianças: ‘Fique atento porque água parada, que não escorre, é a primeira a se corromper’”. Ancorados na esperança O que torna os cristãos corajosos é a esperança, enquanto “os cristãos preguiçosos” não têm esperança, estão “aposentados”, disse o Papa. É belo se aposentar depois de tantos anos de trabalho, mas – advertiu -, “passar toda a sua vida aposentado é ruim!”. Ao invés, a esperança é âncora à qual se agarrar para lutar inclusive nos momentos difíceis  : “Esta é a mensagem de hoje: a esperança, aquela esperança que não desilude, que vai além. E diz: uma esperança que ‘é uma âncora segura e firme para a nossa vida’. A esperança é a âncora: nós a lançamos e ficamos agarrados na corda, mas ali, indo ali. Esta é a nossa esperança.  Não se deve pensar: ‘Sim, mas tem o céu, ah que belo, vou ficar aqui…’. Não. A esperança é lutar, agarrados na corda para chegar lá. Na luta de todos os dias, a esperança é uma virtude de horizontes, não de fechamentos! Talvez seja a virtude que menos se compreende, mas é a mais forte. A esperança: viver na esperança, viver de esperança, olhando sempre para frente com coragem. ‘Sim, padre –vocês podem me dizer -, mas existem momentos difíceis, o que devo fazer?’. Agarre-se à corda e suporte”. Cristãos estacionados olham apenas a si mesmos, são egoístas “A nenhum de nós a vida é presenteada”, observa Francisco, devemos ao invés ter a coragem de ir avante e aguentar. Cristãos corajosos, tantas vezes erram, mas “todos erram”, disse o Papa, “erra aquele que vai em frente”, enquanto “aquele que está parado parece não errar”. E quando “não se pode caminhar, porque tudo é escuro, tudo está fechado”, você tem que suportar, ter perseverança. Em conclusão, Francisco nos convida a nos perguntar se somos cristãos fechados ou de horizontes e se nos maus momentos somos capazes de suportar com a consciência de que a esperança não desilude: “porque eu sei – afirmou – que Deus não desilude”: “Vamos nos fazer a pergunta: como sou eu? como é a minha vida de fé? é uma vida de horizontes, de esperança, de coragem, de ir para a frente ou uma vida morna que nem mesmo sabe suportar os maus momentos? E que o Senhor nos dê a graça, como pedimos na Oração da coleta, para superar os nossos egoísmos, porque os cristãos estacionados, os cristãos parados, são egoístas. Olhando somente para si mesmos, não sabem levantar a cabeça para olhar para Ele. Que o Senhor nos dê esta graça”. Fonte: Rádio Vaticano

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