Uma jornada de conversão
Começo através do desafio de relatar os passos dessa caminhada a meditar sobre quando e porque cheguei ate aqui. O que me fez procurar Deus? Quem de fato me apresentou a seu Filho Amado? Crescer numa família sem a Fé Católica não me privou de ter uma formação moral e ética. A busca pela Verdade não veio como cura de algum mal tenebroso ou vício condenável; porém, hoje entendo que desconhecia completamente o amor, o amor ao próximo e principalmente o amor de Deus. Vivia num mundo materialista e naturalista, perdida e sem um sentido para a minha vida. Está aí um dos pontos chaves para o inicio de tudo! Ao enxergar a falta de sentido da minha vida sentia um vazio, e esse vazio gritava dentro de mim e me levava a buscar no mundo algo que me preenchesse: trabalho, estudos, conquistas materiais, teorias espirituais, nada disso chegava perto de saciar a minha sede. Foi quando meu amado amigo Pedro Subtil, hoje padrinho (e consagrado da Comunidade de Aliança Shalom), me convidou para um grupo de oração. Descobrir que esse tal grupo se chamava Sede de Deus foi encantador; alguém tinha dado nome ao que eu sentia há muitos anos. Comecei a frequentar as reuniões do grupo com alguma dificuldade. Constatei que esse grupo era uma inciativa do Projeto Mundo Novo da Comunidade Shalom. Temia ser criticada ou não ser aceita por não ter formação alguma, nem mesmo o Batismo. Assim, cheguei a perguntar ao Pedro se era correto participar não sendo Católica, porém, mesmo depois de expor ao grupo a minha situação sentia-me entre amigos e fui aceita como irmã por todos. Algo muito importante foi nunca me sentir julgada, pelo contrario, o carinho que demonstravam por mim era evidente apesar de injustificado na cabeça de quem não era cristão. Participando do grupo tive a oportunidade de ler alguns livros que começaram a me apresentar à Verdade. Descobri sobre as virtudes e pecados capitais com o professor Felipe Aquino, ouvi o Sim de Nossa Senhora a Deus e tentei entender a grandeza de seu silêncio nas palavras de Ignácio de Larranaga. No entanto foi quando aprendi sobre a Eucaristia que algo realmente começou a mudar dentro de mim. Eu crescia na fé através da luz natural da razão, porém quando descobri o amor de Jesus, Deus que se fez carne e se sacrificou na cruz, a luz sobrenatural da Graça tocou meu coração. Aquele coração completamente endurecido começou a ceder. Decidi que queria me converter, mas não sabia bem por onde começar. Segui no grupo aprendendo sempre sobre os dogmas da Igreja, mas me doando muito pouco, envolvida com minhas preocupações, com uma pesada carga de trabalho, sofrendo sem entender o que Deus pedia de mim. Tive a vivência da Adoração em total ignorância e meses depois voltei a vivê-la com toda devoção merecida; recebi a Graça de entender sua importância quando me foi ensinado que o Cristo ressuscitado vive e está aqui conosco todos os dias, até o fim dos tempos. Durante uma Adoração eu me senti amada por Deus pela primeira vez, algo tão sublime se aproximava de mim, eu, tão indigna e ainda assim Ele demonstrava me conhecer e querer se fazer conhecer. Decidi então, depois de ouvir um conselho de um amigo do grupo, participar do Seminário de Vida no Espirito Santo. Passei a noite em claro por conta do trabalho, mas não desisti e assisti as palestras com ânimo inexplicável. Mais uma vez minha vontade era impulsionada. Nessa experiência recebi outro ensinamento fundamental: conheci a terceira pessoa da Trindade e o seu poder, entendi que o Espirito Santo agia em nos através dos dons e tendo essa nova experiência com Deus mais uma vez meu coração se amoleceu. A decisão de me batizar já estava tomada, porém precisaria realizar um período de estudos sobre o Catecismo da Igreja Católica. Novamente algumas pessoas da Comunidade Shalom se dispuseram a me ajudar. Fazíamos encontros semanais para discutir sobre os temas do Catecismo. Nos encontrávamos no Shalom para as aulas. Eu já conhecia a alegria que sempre permeava aquelas pessoas abençoadas, porém comecei a notar a ternura e humildade com que cada um agia. Tenho por mim que esses exemplos evangelizaram mais do que qualquer outra coisa, nas suas atitudes eles me ensinaram, com seus exemplos testemunharam e me arrastaram a sair do meu egoísmo. Nosso grupo foi crescendo, os encontros se tornaram cada vez mais enriquecedores, mal podia esperar por eles. Foi através do aprofundamento no catecismo que entendi o real sentido da minha vida: amar a Deus (tão simples, talvez tão obvio…) e que a felicidade só viria em seguir a Sua vontade. Ao entender essa verdade voltei ao começo, por achar impossível me desesperei, pois sabia que jamais conseguiria. O fato é que tinha razão. Jamais conseguiremos sozinhos, precisamos sempre da Graça de Deus. Inúmeras foram as tribulações que passei durante essa caminhada. Tomei o hábito de agradecer a Deus por cada uma delas, pois foi através desse sofrimento que minha fé se fortaleceu. Após mais um tormento tomei a decisão de que a primeira coisa que faria todos os dias seria minha oração, um nada diante da oferta de Deus, mas por ora era o que tinha a oferecer a Ele. Percebi que com esse hábito não só minhas atitudes mudaram, mas também a minha mentalidade e pude desenvolver um relacionamento com Deus. Fui começando a me doar a Ele, mudar minhas prioridades e a forma com que me relacionava com as pessoas. Confesso porém que ainda me vejo como criança aprendendo a dar os primeiros passos e caindo insistentemente. Numa dessas quedas, ao não entender porque sofria mais uma perda, fui inspirada com a seguinte oração: A melhor coisa que Deus já me disse foi NÃO. Nesse NÃO estava toda sua Misericórdia, todo seu amor por mim, e, através dele, eu pude dar meu SIM. Eu pude me entregar e dizer: Que seja feita a Tua vontade Senhor! Por esse