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10 dicas do Pe. Pio para viver bem a Quaresma

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No tempo da quaresma, muitas vezes nos questionamos de como poderíamos vivê-lo melhor, tanto na vida ordinária, quanto na vida comunitária. No texto a seguir, retirado do livro “Padre Pio – A história definitiva” de C. Bernard Ruffin, selecionamos 10 tópicos com orientações valiosas do São Padre Pio, para assim vivermos a quaresma e nossa vida em Deus com mais alegria, confiança e oferta.

Em relação ao cotidiano, os conselhos de Padre Pio para aqueles que o consultavam, coligidos de suas cartas e das recordações de seus filhos espirituais, podem ser talvez condensados e resumidos nos seguintes pontos:

Pe. Aristóteles: uma oferta de amor, especialmente aos jovens1. Deposite sua confiança em Cristo como seu Salvador pessoal

Padre Pio acreditava que as pessoas podem e devem escolher servir a Deus. A um correspondente, escreveu: “Quero que seja salvo a todo custo, e por isso você precisa se entregar a Jesus”. Em outra ocasião, escreveu: “Quero que seja salvo (…). Quando me dará essa consolação, irmão?”. As pessoas devem se abandonar em Jesus “como uma criança nos braços de sua mãe”. Padre Pio exortava seus discípulos a se dirigir assim a Cristo: “A quem tenho na terra senão a Vós? A quem tenho no Céu se não Vós, meu Jesus! Sois o Deus de meu coração e minha herança, e vos desejo eternamente”

2. Entenda que você não possui qualquer bondade em si mesmo

“Ninguém pode amar a Deus dignamente”, escreveu Padre Pio a Raffaelina Cerase a sua filha espiritual, a quem também declarou: “Como é deleitante e consolador saber que, sem qualquer mérito próprio da nossa parte, esse Pai tão terno nos elevou a semelhante dignidade!”. A uma outra filha espiritual, escreveu: “Considere-se (…) aquilo que realmente é: um nada… a epítome da fraqueza, uma fonte de perversidade sem limites ou fronteiras, capaz de transformar o bem em mal, de abandonar o bem pelo mal, de atribuir a bondade a si mesma e se justificar no mal, e, pelo amor desse mesmo mal, desprezar o Bem Supremo”.

Transmitiu as seguintes regras:

– Nunca esteja satisfeito consigo mesmo.
– Não reclame das ofensas contra você.
– Perdoe a todos com caridade cristã.
– Sempre suspire como um pobre miserável diante do seu Deus.
– Nunca se surpreenda com sua fraqueza, mas se reconheça pelo que é; envergonhe-se de sua inconstância e infidelidade a Deus, e deposite sua confiança n’Ele, abandonando-se com tranquilidade nos braços do Pai celestial, como um bebê nos braços de sua mãe.
– Nunca exulte de modo algum sobre quaisquer virtudes, atribua tudo a Deus e dê a Ele toda honra e toda glória.

3. Tenha cuidado com o demônio e resista-lhe

Padre Pio disse a uma de suas filhas espirituais: “Existem tantos demônios, que se cada um assumisse um corpo tão pequeno quanto um grão de areia, ainda assim bloqueariam o sol”. Todavia, ele insistia que o cristão não deve temer. “Não se assuste se nosso inimigo comum tiver reunido toda a sua força para evitar que você ouça o que lhe escrevo”, explicou ele a uma correspondente. “Este é o seu trabalho, e seu ganho. Portanto, despreze-o e arme-se contra ele com ainda mais perseverança na fé, pois está escrito: ‘Vosso adversário, o demônio, como um leão rugindo, perambula pelo mundo, buscando a quem devorar.
Resisti-lhe fortes na fé (I Pd 5,8)’. Não deixe que as muitas ciladas da besta infernal o aterrorizem; Jesus, que sempre está com você, e luta com você e por você, nunca deixará que seja enganado ou vencido”. Citando Santo Agostinho, declarou: “O diabo é um formidável gigante para aqueles que o temem, mas uma criança covarde para aqueles que o desprezam”.

4. Reze sempre a Deus e diga, em cada circunstância: “Seja feita a vossa vontade”

Padre Pio escreveu a uma de suas filhas espirituais: “Em todas as questões humanas (…) aprenda acima de tudo a reconhecer e a adorar a vontade de Deus em tudo. Repita
frequentemente as palavras divinas de nosso amado Mestre: ‘Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu (Mt 6,10)’. Que esta bela exclamação esteja sempre em seu
coração e em seus lábios durante todas as vicissitudes da vida. Repita-a na aflição. Repita-a na tentação e nas provas que forem do agrado de Jesus submeter-lhe. Repita-a ainda quando estiver imerso no oceano do amor de Jesus. Essa será sua âncora e sua salvação”. Quando o Papa Pio X faleceu, Padre Pio disse: “Creio que sua santa alma não tem necessidade de nossas orações intercessoras, porém, rezemos da mesma forma por seu descanso eterno, já que nossas orações nunca são desperdiçadas”. Aconselhou a uma filha espiritual: “Mesmo que seus pais estejam no Céu, devemos sempre orar. Se não precisarem mais de orações, elas acabam dirigidas a outras almas”. Recomendava até
mesmo a oração por pessoas há muito tempo falecidas, tendo dito a um amigo: “Talvez você não saiba que posso até mesmo rezar agora pela morte feliz de meu bisavô… Para o Senhor, o passado e o futuro não existem. Tudo é um eterno presente. Essas orações já tinham sido levadas em conta. E por isso, insisto que até mesmo agora posso rezar pela morte feliz de meu bisavô”.

5. Ame a cruz

Segundo Padre Pio, o sofrimento pode ser um sinal especial do amor divino. “Sem o amor pela cruz”, escreveu ele, “não podemos conquistar muito na vida cristã”. Ele frequentemente lembrava às pessoas que “o Pai celestial desejou que nos assemelhássemos a Seu divino Filho em Sua angústia no deserto e no Calvário”. Declarou: “A religião é um hospital para os espiritualmente doentes que desejam ser curados. Para tal, eles devem se submeter ao sofrimento, isto é, ao derramamento de sangue, à lança, à lâmina, à sonda, ao escalpelo, ao fogo e a todo o amargor da medicina. Para ser espiritualmente curado, temos de nos submeter a todas as torturas do Médico Divino”. Os filhos de Deus não devem resmungar. “Reclamar é um vício voluntário que mata o amor [de Deus]”, disse a uma filha espiritual. Padre Pio costumava explicar a necessidade de sofrer com o exemplo de uma mulher que se encontra a bordar: “O filho dela, sentado em uma cadeira baixa, vê seu trabalho, mas de forma inversa. Vê os nós da costura, os fios emaranhados… e diz: ‘Mãe, o que está fazendo? Não entendo o que está fazendo!’. Então a mãe deixa o cesto de costura e mostra a parte boa do seu trabalho. Cada cor está em seu devido lugar e os vários fios formam um desenho harmônico. Da mesma forma, vemos o reverso da costura, porque estamos sentados na cadeira baixa [desta vida]”.
Escreveu a um seminarista: “Eu sei, meu caro filho, que está sofrendo, porém digo que se resigne, pois, quando o sofrimento for suportado com um espírito cristão, ele o acabará santificando. Sofra, mas também se regozije, pois o seu sofrimento um dia será transformado em alegria. Sofra, mas nunca tema, pois Ele diz com o profeta: ‘Estou
convosco em vossa tribulação’ (Sl 90,15). Sofra, mas creia que o próprio Jesus sofre em você, através de você e com você, que Jesus não o abandonou e não irá abandoná-lo. […] Sim, caríssimo, sei que o compreenderá no Paraíso! Não tema, então, e deixe que Ele faça com você como for da Sua vontade”.

6. Ofereça cada ação a Deus

Padre Pio exortava seus filhos espirituais a realizar breves orações mentais, oferecendo todos os momentos e atos de suas vidas, por triviais que fossem, a Cristo. “Dirija tudo a Deus, viva e se mova n’Ele” (cf. At 17,28), escreveu. Em particular, os cristãos devem oferecer seus sofrimentos como um sacrifício de Cristo. Já que Cristo é Deus, sua obra salvadora, inclusive seu sofrimento, não está confinada ao século I d.C., mas se estende para além do tempo como compreendido pelos seres humanos. Portanto, as pessoas de todos os séculos podem unir suas experiências à obra salvífica de Jesus. Apesar de nem todos serem chamados, como o foi Padre Pio, a se tornar uma “alma vítima”, todos devem usar qualquer sofrimento para um bom propósito, oferecendo-o a Deus. A Lucia Campanile, o santo escreveu:
“Os males físicos e espirituais são as ofertas mais valiosas que você pode fazer àquele que a salvou por Seu sofrimento”.

7. Jamais se preocupe

“A ansiedade”, insistia Padre Pio, é “mãe de todas as imperfeições”. O demônio usa a preocupação para conspurcar nossas boas obras devido à falta de confiança na bondade divina. “Nosso doce Senhor acaba impedido de nos dar
muitas graças porque lhe fechamos a porta da santa confiança em nossos corações”, insistia ele. A preocupação “seca a piedade cristã e a torna estéril”. “Não se preocupe com nada”, pedia ele àqueles que buscavam seu conselho. “Só deve se preocupar com uma coisa: em amar Jesus, amar a virtude e aspirar ao Céu. Sempre que você confiar na
Mãezinha [Maria], ela o apoiará e lhe estenderá suas mãos. Não somente é um mal se preocupar com os eventos futuros, como é também prejudicial a ansiedade acerca da própria salvação. “Não se preocupe”, dizia Padre Pio. “Façamos nosso melhor, e Jesus sempre ficará feliz”.

8. Aspire à recompensa celestial

Padre Pio deixava claro que a vida seria insuportável e sem sentido não fosse pela esperança no Céu. Falava continuamente da esperança cristã. No Céu, o filho de Deus é sempre feliz, unido àqueles que ama, cuidando de sua família e amigos na terra. Quando seu pai morreu, Padre Pio disse às duas irmãs que se consolassem “com o doce pensamento de que seu Papai não está morto… Ele vive uma vida de alegria que não terá fim. Vive no Céu. Vive em meio àqueles que ama”. A um casal que perdera um filho de dois anos, escreveu: “Seu filho está no Paraíso protegendo-os, ajudando-os, sorrindo-lhes e preparando-lhes um lugar”. Quando alguém lhe perguntou se veremos nossos entes queridos no Céu, Padre Pio respondeu: “Que tipo de Céu seria esse onde não tivéssemos conosco aqueles que amamos?”. A uma outra pessoa, explicou: “A alegria do Paraíso bastará para que sigamos em frente. Todo sacrifício feito na terra será recompensado. O Céu é a alegria total e contínua. Estaremos constantemente agradecendo a Deus. É inútil tentar adivinhar exatamente como será o Céu, pois não podemos compreendê-lo, porém, quando se erguer o véu desta vida, compreenderemos as coisas de forma diferente. Nenhum sofrimento, não
importa quão insignificante seja a sua causa”.

9. Ame a Virgem Maria

Quando uma mulher lhe pediu: “Ensine-me um atalho para chegar a Deus rapidamente”, Padre Pio respondeu: “O atalho é a Virgem”. A Santíssima Virgem”, insistiu ele, “é o exemplo perfeito da misericórdia divina sobre a terra”. Disse a outro padre: “É ela quem nos traz vislumbre da imensidão e do poder divino”. Ao mesmo padre, disse: “Sinto-me como um veleiro em alto-mar, empurrado pelo sopro de nossa Mãe Celestial. Mesmo que esteja perdido no oceano, não me preocupo. Não sei dizer onde começam ou onde terminarão meus diversos trabalhos, porém nunca me sinto na incerteza, pois sou espiritualmente dirigido pela Virgem.”

10. Regozije-se no Senhor

Embora sua vida, seu ministério e sua teologia fossem bastante conectados a seu sofrimento, Padre Pio era geralmente um homem alegre, às vezes feliz e jovial. Disse a um amigo: “Espante a melancolia. A alegria, junto com a
paz, é irmã da caridade (…). Sirva ao Senhor com gargalhadas. Exortava as pessoas: “Sejam serenos e não deixem que sua imaginação trabalhe demais. É suficiente saber que Jesus nos ama e nos consolará”. “Tenha boa disposição”, dizia ele. “Aquele que abre feridas também saberá como fechá-las e curá-las”. Padre Pio desencorajava a curiosidade excessiva com relação aos milagres e ao sobrenatural. Quando as pessoas lhe perguntavam sobre visões ou eventos supostamente miraculosos, frequentemente ele dizia: “Deixe isso para as autoridades eclesiásticas”. Certa vez disse a um frade: “Estou convencido de que muitas pessoas não querem viver
pela fé, mas apenas buscar o extraordinário”. Sempre dizia a seus secretários que respondessem às pessoas que lhe escreviam em busca de milagres: “Viva pela fé!”.
Padre Pio não só advogava a vida pela fé, mas também a vida pelo amor. Insistia: “O julgamento de Deus não é o julgamento dos homens”. Quando ouvia alguém criticando outra pessoa, dizia-lhe: “Deixe a justiça nas mãos de Deus!”. Quando uma mulher perguntou o que poderia fazer para se tornar melhor, respondeu: “Ame! Ame! Ame!
Apesar de nossos pecados?”, perguntou ela. “Apesar de tudo!”, disse ele.
Quando as pessoas lhe diziam que não acreditavam em Deus, Padre Pio geralmente respondia: “Mas Deus acredita em você!”. O santo prometia a seus filhos espirituais que os guiaria por toda a vida e faria de tudo para que encontrassem a salvação. “Poderia eu algum dia esquecer aqueles que regenerei na graça, como uma mãe perversa gera uma criança e depois a abandona?”.

 

 

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós!

Rodrigo Veloso


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