Experiência com Deus… Evangelização… Namoro cristão… Algum pedido que você fez a Deus e Ele te atendeu… Vocação… Experiência com os santos, com a Igreja… O comshalom.org quer saber qual é a sua história com Deus.
Todos os dias, publicamos um testemunho novo na home. O de hoje é de Jorge Marvão.
Quer ter a sua história publicada aqui? Envie texto e foto para redacao@comshalom.org e evangelize conosco.
Confira:
Moro em São Luís do Maranhão e me chamo Jorge Marvão. Formado em Filosofia com pós graduação na área de comunicação. Sempre gostei de estudar. Sempre li muito. Sou professor e leciono as disciplinas de Filosofia e História. Todos os concursos que prestei na minha área eu obtive aprovação e via isso como resultado de meu esforço, da minha dedicação. Agradecia a Deus pelos meus empregos, mas era só.
Como católico eu era adepto da teologia da libertação, pregando que o Reino de Deus só se faria real neste mundo com a nossa participação efetiva na vida política, que não seria pela vida de oração mas pela implantação do comunismo. Um dia cansei disso tudo, de ver que não adiantava nada, que Deus não estava nem ai, tornei-me um agnóstico, defendendo que até poderia existir um Deus, mas que ele não estava nem ai para a humanidade. Cheguei a admirar os niilistas que afirmavam que Deus estava morto e que diante da morte de Deus somos todos super-homens, que não precisamos mais de um ser superior, que Deus se tornara desnecessário. Nós éramos os deuses da modernidade, realizando com nossas ações o que Deus não fora capaz.
Era um racionalista convicto, tudo que não podia ser provado pela razão não poderia existir, não seria real. Eu era totalmente hegeliano pois defendia que “o real é racional e o racional é real”. Não poderia existir vida fora da racionalidade. Tudo o que existe neste mundo podia ser explicado pela razão, pela ciência. O que não passasse pelo crivo da ciência era classificado como mito, como pura perda de tempo, como atividades de pessoas alienadas, totalmente desprovidas de razão e de consciência. Coisa de gente atrasada, sem cultura. Eu era um homem totalmente preconceituoso com aquilo que eu não entendia. Por não entender eu preferia classificar as pessoas e os acontecimentos com os adjetivos mais pejorativos.
E assim fui vivendo, me afastando cada dia um pouco mais de Deus e da Igreja, até o dia que sem perceber eu me afastara totalmente de Deus. Não ia mais a missa, não dobrava meus joelhos diante de dificuldade alguma, não orava em situação alguma. Vivia como se não existisse uma vida além desta, fui morrendo por dentro. Eu era um homem que pensava estar acima de toda situação. Trabalhava, ganhava bem e vivia como eu queria. Tinha adquirido o hábito de fumar e beber. Não sentia falta de nada. Eu ignorava totalmente a existência de Deus, de sua igreja e de seus sacramentos. Não me importava com a pureza do corpo. Eu me acostumara totalmente com o pecado e de tão mergulhado que eu estava nele eu não percebia que aquilo que eu fazia era errado. No entanto, Deus me preservou de usar drogas. Nunca em minha vida eu usei drogas ilícitas, mas eu viajava muito e nessas viagens eu participava de todo tipo de festas. Eu tinha mais era que me divertir.
Do homem de Deus não restava mais nada. Mas eu não endurecera meu coração. Eu me comovia diante das necessidades das pessoas e ajudava no que podia. Nunca deixei faltar a caridade em minha vida. E assim ia vivendo. Não percebia que eu morria um pouco a cada dia. Entendo que sou fruto de meu tempo, dessa sociedade pós-moderna que critica o duradouro, o eterno, que acredita nos sentimentos descartáveis, nos relacionamentos de um dia.
Em outubro de 2012 minha mãe que já vinha doente é internada para fazer uma pequena cirurgia de troca da sonda gástrica (gastrotomia). Ela vai para a UTI e passa a semana inteira internada, e fiquei acompanhando-a e visitando-a, estava faltando ao serviço. Porém precisei viajar a trabalho, e nunca mais vi minha mãe com vida.
O tempo passava e a dor não diminuía. Só aumentava. Eu me perguntava se minha mãe estava no céu. Eu tinha dúvidas porque, apesar de não me considerar mais um crente, eu desejava que ela tivesse ido para junto do Deus que ela tanto amava, não por mim, mas por ela que tanto sofrera aqui. Eu tinha saudades, muitas saudades e eu mergulhei na dor. Eu chorava á noite em meu quarto, eu sentia a dor física da saudade.
As pessoas começaram a pensar que eu estava vivendo uma crise séria de depressão, as pessoas comentavam que eu não estava conseguindo superar a perda. Comecei a rever toda a minha vida, me afastei de muitas pessoas. Eu lembrei então de uma frase de uma professora que uma vez dissera que tem pessoas que se não vão a Deus por amor irão pela dor. Eu não daria meu braço a torcer.
Eu não iria me deixar vencer por Deus, até porque eu não me achava digno de pedir nada a Ele. Eu não tinha coragem de orar, eu pensava que não merecia receber de Deus consolo algum. Precisava sofrer. Mas não estava aguentando mais. Então três meses depois, em um domingo à tarde eu decidi me ajoelhar e disse “Deus eu não estou aguentando mais. Eu não aguento. Mostra-me o que eu devo fazer”. E assim fiquei orando. De repente, do nada, eu vejo uma palavra. Eu me levanto e pego o notebook e digito a palavra que vira: SHALOM.
Aparece o site do comshalom.org e eu abro e procuro descobrir o seu significado. Vejo que tem um endereço do Maranhão e procuro o telefone. E me informo que vai ter missa as 17 horas. Fui!
Pois bem, o padre começa a homilia e faz toda uma introdução sobre família e sobre os filhos que abandonam os pais nos asilos sem o menor remorso e continua falando sobre essa nova mentalidade que é desumana e contra os projetos de Deus que quer preservar as famílias. Do nada ele fala “no entanto tem filhos que jamais abandonam seus pais. Tem aqueles pais que adoecem e são cuidados por seus filhos. Tem casos de mães que adoecem de Parkinson e vão para UTI e morrem, mas os seus filhos não os abandonam. Essa mãe está no céu!”. Eu não conseguia mais prestar atenção em nada. Meus olhos se embaçaram e eu comecei a chorar, mas me deu uma paz tão grande, um conforto imenso que eu me senti chamado a comungar mesmo estando há mais de vinte anos sem me confessar. Após a missa eu sai sem falar com ninguém e fui direto para casa tentar assimilar o que havia acontecido. Hoje eu entendo que Deus me salvou mais uma vez.
Depois desse domingo eu comecei a ir todos os domingos à missa no Centro de Evangelização do Shalom, mas só aos domingos. Um dia fui convidado a entrar em um grupo de oração. Depois fiz o Seminário de Vida no Espirito Santo e entrei em um grupo de oração. Em 2014 fiz o vocacional e hoje sou postulante da Aliança de primeiro ano da Comunidade Shalom. Bendito seja Deus pela vida do Moysés, pela sua doação, porque se não fosse pelo seu sim eu não seria alcançado.
Bendito seja Deus pelos primeiros irmãos e irmãs que motivados pelo Espirito Santo de Deus trouxeram a comunidade para São Luís. Bendito seja Deus pela manutenção do site, por aqueles que colaboram para que o site esteja no ar.

