Eis que mais um ano litúrgico se encerra no domingo, quando a Igreja celebra a Solenidade de Cristo Rei, e outro ano inicia-se com o primeiro domingo do Advento. Árvores de Natal já postas, luzes espalhadas, Papai Noel xerocado em vários shoppings nas cidades e, a cada ano que passa, menos e menos presépios com a família de Nazaré. Você, porém, caro leitor, tem, certamente, sua atenção dirigida ao que realmente celebramos neste domingo: O Reinado de Jesus Cristo.
Brevemente, apresentarei 3 modos de Jesus Cristo ser Rei na nossa vida. Atente-se a cada ponto e deixe que as próximas palavras encontrem o terreno do teu coração fértil e disponível às sementes lançadas aqui.
1 – Seja feliz!
Não me refiro a alguma saciedade temporária, como a alegria de uma festa de aniversário, sair com amigos, ter um apetitoso prato de comida à mesa, nem tampouco a saciedade de alcançar um projeto de vida, passar de ano na escola, formar-se, ser aprovado em algum concurso, receber aumento salarial ou o 13º. Essas são alegrias muito bem-vindas, sempre! – Venham alegrias, podem vir! Quero que venham em abundância! – Entretanto, a felicidade a qual me refiro aqui ultrapassa as alegrias temporárias. Falo “seja feliz”, mas poderia usar como sinônimo “seja santo”. Foi para santidade que fomos criados, é na santidade que seremos reinados por Cristo e alcançaremos a plena realização da vida, a vitória total, a comemoração por excelência. Disse-nos o papa João Paulo II em Tor Vergata: “é Jesus quem buscais quando sonhais a felicidade”[1]. Sem esse desejo de felicidade/santidade, não há como Jesus ser Rei. Ele será Rei em nossas vidas quando nós desejarmos a felicidade e começarmos a vivê-la em seu sentido mais pleno: a vivência da santidade! “Se não formos santos, não terá valido a pena nascer, porque para isto fomos criados por Deus”[2] (Moysés Azevedo).
2 – Sirva!
Em sua vida, Jesus deixa claro que seu reinado não é feito de regalias e escravos que fazem todas as vontades do rei. Pelo contrário, o reinado de Cristo consiste em servir. Jesus foi servo do início ao fim. Servia-nos ao falar da palavra de Deus, ao tratar e curar nossos males, ao interceder constantemente por nós; servia-nos ao lavar os nossos pés, ao dar-nos o pão e vinho, sua carne e seu sangue; serviu-nos ao carregar por nós a Cruz e ao morrer em nosso lugar, enfim. Portanto, Jesus será rei em nossas vidas quando servirmos como Ele serviu e quando sairmos de nós mesmos rumo a Deus e aos irmãos. Ora, se nós somos templo do Espírito Santo e filhos de Deus no Filho, é verdade que “o reino de Deus está dentro de nós, e a sua palavra está junto de nós”; portanto, “quando alguém implora a vinda do reino de Deus, o que pede realmente é que o reino de Deus, que está dentro de si, se desenvolva, frutifique e chegue à sua plenitude”[3]. Se Cristo Rei habita em nós, habita também em nós a capacidade de servir. Quanto mais servimos a Deus e ao nosso próximo, mais Seu reinado se desenvolve dentro de nós e mais presente se torna o Cristo Rei.
3 – Ame!
Felicidade fora do Verdadeiro Amor é falsa. Não é nada mais que algo passageiro, que não preenche o vazio no coração do homem. Serviço sem amor também não vale de nada, é como “o sino que retine”[4], muito barulho, mas vazio de sentido por dentro. Se quisermos que o Cristo Rei reine em nossas vidas, precisaremos transformar, converter nossos corpos em espaços de amor, onde Ele reinará. Seu reino não se associa com o ódio, nem com a indiferença, nem com o pecado e nem com nenhuma treva! Será uma via de mão dupla: quanto mais amarmos, mais Cristo reinará, e quanto mais Ele reinar, mais o nosso coração será capacitado para amar mais. Se vivemos em situação de rancor, falta de perdão ou indiferença, tomemos hoje o senhorio do Rei Jesus e convertamos nosso coração para misericórdia, perdão e compaixão. Foi para amar que nascemos, e para amar viemos ao mundo, porque amar é o maior testemunho da verdade e a maior ação de Jesus como Rei.
[1] http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/2000/jul-sep/documents/hf_jp-ii_spe_20000819_gmg-veglia.html
[2] Vós, quem dizem que eu sou? (p. 68)
[3] http://www.ibreviary.com/m2/breviario.php?s=ufficio_delle_letture
[4] I Cor 13, 1.
