1ª etapa: Precioso
Ao ser tocado pelo imenso amor de Deus, descobri o meu amado de forma especial. “És precioso aos meus olhos, te aprecio e te amo“.
2ª etapa: Miserável
Aos poucos (ou rapidamente) nos descobrimos incapazes de corresponder a este amor de Deus. De tanto cair e levantar, pedir perdão, ser perdoado e pecar novamente, nos deparamos com esta verdade: somos miseráveis.
3ª etapa: Pode piorar
Passamos a viver uma rotina que pode ser bem longa. Entre erros e acertos, vamos percebendo uma tendência forte ao orgulho. Sim: miserável e, ainda por cima, soberbo. Parece até que nos tornamos piores do que antes de encontrar a Deus (e talvez até seja verdade)!
4ª etapa: Rir de si mesmo
Graças a Deus, até nossa cegueira cansa e chega um momento em que rimos da nossa miserável condição. Por incrível que pareça, até nos redescobrimos preciosos (além de miseráveis, claro). Ao pensar na nossa miséria, damo-nos conta da ridícula impressão de saber sua medida.
5ª etapa: O segredo
Chega uma hora (e tem que chegar) que a gente acolhe a grande graça de sair da frente do espelho. Então descobrimos que o segredo está no outro e não está em nós. Descobrimos o Evangelho, a alegria de servir, a salvação. “No fim, seremos julgados pelo amor“, já dizia um postulante à santidade. Recordamos Mt 25,31-46. Recordamos e experimentamos que há mais alegria em dar do que em receber. Fazemos a experiência da perfeita alegria, até que… pecamos de novo!
Uma particularidade desta etapa é sentir-se presente em todas as anteriores. E assim o é. A cada confissão, fazemos este mesmo percurso. No entanto, não se trata de um itinerário sem futuro ou lamentável. Pelo contrário: o pano de fundo é a misericórdia.
Desconfio que na porta do céu, maravilhados e surpreendidos com coisas jamais vistas, faremos uma experiência semelhante (ainda que infinitamente mais bela) à experiência da primeira etapa, e poderemos dizer como Santa Clara em suas últimas palavras: “obrigado, Senhor, por me teres criado!”
