Formação

A ação Católica

comshalom

Há não poucos decênios, em diversas nações, os leigos,consagrando-se cada vez mais ao apostolado, reuniram-se em várias formas deatividade e de grupos que, mantendo uma mais estreita relação com a Hierarquia,visavam e ainda visam fins propriamente apostólicos. Entre essas instituiçõesou entre as similares que, mesmo por métodos diversos de trabalho, apresentaramno entanto os mais abundantes frutos para o reino de Cristo. Devidamenterecomendadas e promovidas pelos Sumos Pontífices e por muitos Bispos, por elesforam denominados Ação Católica e muitíssimas vezes descritas como cooperaçãodos leigos no apostolado hierárquico.

 Estas formas de apostolado, quer levem o nome de AçãoCatólica quer outro, as quais exercem em nosso tempo um apostolado precioso,estão constituídas pelas seguintes características, tomadas em conjunto.

A finalidade imediata de tais organizações é a finalidadeapostólica da Igreja, ou seja, evangelizar e santificar os homens e formar-lhescristãmente a consciência, para assim conseguirem impregnar com o espírito doEvangelho as diversas comunidades e os diversos ambientes;

Os leigos, cooperando segundo o modo próprio deles com ahierarquia, apresentam sua experiência e assumem a responsabilidade na direçãodestas organizações, na apreciação das condições nas quais se deva exercer aação pastoral da Igreja, como também na elaboração e execução do planejamento;

Os leigos agem unidos, à maneira de um corpo orgânico, paraassim significar de modo mais apropriado a comunidade da Igreja e tornar maiseficaz o apostolado;

Os leigos, quer oferecendo-se espontaneamente, quer convidadospara a ação e cooperação direta com o apostolado hierárquico, agem sob asuperior orientação da mesma Hierarquia, que pode confirmar esta cooperaçãotambém por mandato explícito.

As organizações em que, a juízo da Hierarquia, taiscaracterísticas se encontrarem reunidas, devem considerar-se Ação Católica,mesmo que por causa das exigências dos lugares e povos assumam várias formas enomes.

O Sacrossanto Concílio recomenda insistentemente estasinstituições que, em muitas nações, respondem certamente às necessidades doapostolado da Igreja: convida sacerdotes e leigos, que nelas trabalham, atornarem mais e mais realidade as notas acima enunciadas, e cooperem semprefraternalmente na Igreja com todas as demais formas de apostolado.

Valor das Associações

  Todos os agrupamentos de apostolado merecem estima;aqueles porém que a hierarquia, segundo as necessidades dos tempos e lugares,citar ou recomendar ou decretar como mais urgentes a serem instituídos, devemser tidos em alto apreço pelos sacerdotes, religiosos e leigos e promovidossegundo a forma que lhes é própria. Entre estas porém merecem figurar, hoje emdia, sobretudo, as organizações e grupos internacionais dos católicos.

Leitos que a Título Especial servem à Igreja

Dignos de honra e apreço especial na Igreja não osleigos, quer celibatários, quer casados, que se dedicam com sua habilidadeprofissional, ou para sempre, ou para algum tempo, ao serviço das Instituiçõese de suas obras. Causa-lhe grande alegria o fato de diariamente crescer onúmero de leigos que oferecem seu serviço às associações e às obras deapostolado, seja dentro dos limites de sua nação, seja no campo internacional,seja sobretudo nas comunidades católicas das missões e das igrejas novas.

Acolham os pastores da Igreja a esses leigos com alegria egratidão. Cuidem que a situação deles corresponda o melhor possível ásexigências da justiça, eqüidade e caridade, sobretudo quanto no sustentohonesto, deles e de suas famílias, e que eles próprios desfrutem da necessáriaformação, consolo e incentivo espiritual.

OBSERVÂNCIA DA RETA ORDEM

O apostolado dos leigos, individual ou em grupos defiéis, deve inserir-se de maneira ordenada dentro do apostolado de toda aIgreja. Mais. A união estreita com aqueles a quem o Espírito Santo estabeleceupara regerem a Igreja de Deus. (cf. At 20,28) é elemento essencial deapostolado cristão. Não menos necessária é a cooperação entre as diversasiniciativas do apostolado que devem ser ordenadas de maneira conveniente pelaHierarquia.

Para promover o espírito de união e assim resplandecer acaridade da fraternidade em todo o apostolado da Igreja, colimarem-se objetivoscomuns e evitarem-se emulações perniciosas, impõe-se na Igreja a mútua estimade todas as formas de apostolado, além de uma coordenação acertada,conservando-se, embora a índole própria de cada uma.

Isso é sobremaneira conveniente, uma vez que a ação peculiarna Igreja exige harmonia e cooperação apostólica de ambos os cleros, dosreligiosos e dos leigos.

Relações com a Hierarquia

É dever da hierarquia incentivar o apostolado dosleigos, apresentar princípios e subsídios espirituais, orientar o exercíciodeste mesmo apostolado para o bem comum da Igreja e permanecer vigilante pararesguardar a doutrina e a ordem.

O apostolado dos leigos admite de fato várias modalidades derelações com a hierarquia, segundo suas diversas formas e objetivos.

Pois existem na Igreja muitíssimas iniciativas apostólicasque se criam por livre escolha dos leigos e se regem pelo prudente parecer dosmesmos. Por tais iniciativas em certas circunstâncias pode realizar-se maisperfeitamente a missão da Igreja. E, por isso, não raro são citadas erecomendadas pela hierarquia.2 Nenhuma iniciativa no entanto reclame para si onome de católica, se não obtiver o consenso da legítima autoridadeeclesiástica.

Algumas formas de apostolado leigo são explicitamentereconhecidas pela hierarquia, de vários modos porém.

Além disso pode a autoridade eclesiástica, por causa dasexigências do bem comum da Igreja, escolher e promover de modo peculiar algunsdentre os grupos e empreendimentos apostólicos que visam a um fim espiritualimediato, assumindo junto a estes responsabilidade especial. Assim ahierarquia, orientando de diversos modos o apostolado conforme ascircunstâncias, une mais estreitamente com seu próprio múnus apostólico algumaforma dele, conservando no entanto a natureza e a distinção entre a açãohierárquica e leiga, e não suprimindo tampouco a faculdade necessária dosleigos de agirem por própria iniciativa. Esse ato da hierarquia é chamado emvários documentos eclesiásticos de mandato.

Finalmente, a hierarquia confia aos leigos certas funçõesque estão mais de perto ligadas aos deveres de pastores, como na exposição dadoutrina cristã, em certos atos litúrgicos, na cura d’almas. Por força destamissão, os leigos, no exercício de sua função, estão de todo sujeitos àsuperior orientação eclesiástica.

No que diz respeito às atividades e instituições de ordemtemporal, é função da hierarquia eclesiástica ensinar e interpretarautenticamente os princípios de ordem moral que devem ser seguidos nos assuntostemporais. Compete também a ela julgar – depois de tudo bem considerado edepois de valer-se do auxílio de peritos – da conformidade de tais obras einstitutos com os princípios morais e distinguir dentre eles os que sãonecessários para tutelar e promover os bens da ordem sobrenatural.

 Os Bispos, os párocos e os demais sacerdotes de um eoutro clero tenham diante dos olhos que o direito e o dever de exercer oapostolado é comum a todos os fiéis, sejam eles clérigos ou leigos, e que naedificação da Igreja também os leigos tem sua função própria.3 Trabalhem porisso fraternalmente com os leigos, na Igreja e pela Igreja, e dêem especialatenção aos leigos nas obras apostólicas que realizam.

Selecionem-se conscienciosamente sacerdotes idôneos e bemformados, para assistentes das formas especializadas do apostolado leigo.5 Osque no entanto se dedicarem a tal ministério, depois de receberem a missão dahierarquia, representam-na em sua ação pastoral; estimulem as relaçõesoportunas dos leigos com a hierarquia, mantendo-se sempre fielmente ligados aoespírito e doutrina da Igreja; empenhem-se a si mesmos por alimentar a vidaespiritual e os senso apostólico dos grupos católicos a eles confiados;assistam-nos na atividade apostólica com seus conselhos prudentes e estimulemas iniciativas. Num diálogo contínuo com os leigos, investiguem com cuidadoquais sejam as formas capazes de tornarem a ação apostólica mais frutuosa.Promovam o espírito de unidade dentro do próprio grupo como também entre ele eos demais.

Saibam afinal os religiosos, irmãos e irmãs, apreciar asobras apostólicas dos leigos; segundo o espírito e as normas de seus instintos,dediquem-se com gosto a promover-lhes as obras6, procurem apoiar, auxiliar ecompletar as tarefas dos sacerdotes.

Meios para Mútua Cooperação

 Nas dioceses, enquanto for possível, existam conselhosque auxiliem a obra apostólica da Igreja, seja no campo da evangelização esantificação, seja no campo da caridade, da assistência social e outros. Nelescooperem convenientemente os clérigos e religiosos junto com os leigos. Taisconselhos poderão servir para a mútua coordenação dos vários grupos einiciativas dos leigos, mantendo-se a índole própria e autonomia de cada umdeles.

Tais conselhos existam, se possível, também no âmbitoparoquial e interparoquial, interdiocesano, como ainda em nível nacional einternacional.8

Crie-se além disso junto à Santa Sé um secretariado especialpara serviço e estímulo do apostolado dos leigos, como centro que forneça, pormeios apropriados, as notícias sobre as diversas iniciativas apostólicas dosleigos, que estude as pesquisas sobre as questões suscitadas neste campo e queassista com seus conselhos a hierarquia e os leigos nas obras apostólicas.Neste secretariado estejam representados os diversos movimentos e asiniciativas mundiais do apostolado dos leigos. Cooperem aí com os leigos tambémos clérigos e os religiosos.

 Cooperação com os Outros Cristãos e com os não-Cristãos

 O patrimônio evangélico enquanto comum e a conseqüentetarefa comum do testamento cristão recomendam e muitas vezes exigem acooperação, dos católicos com os outros cristãos, exercida pelos indivíduos epelas comunidades da Igreja, tanto nas atividades quanto nos agrupamentos, naesfera nacional ou internacional.

Os valores humanos comuns não raro reclamam tambémsemelhante cooperação dos cristãos, que visam objetivos apostólicos, comaqueles que não professam o nome cristão, mas reconhecem tais valores.

Por tal cooperação dinâmica e prudente,10 que assume grandeimportância nas atividades temporais, os leigos dão testemunho de CristoSalvador do mundo e da unidade da família humana.

Carta sobre o Apostolado dos Leigos – Concílio Vaticano II

» Apostolado dos Leigos
» O Apostolado de Evangelização e Santificação dos Homens

» Os campos de apotolados dos leigos
» As diversas modalidades do apostolado dos leigos na Igreja
» A ação Católica
» Formação para o apostolado
» Formação Adequada para os Diversos Tipos de Apostolado


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *