“Meu prazer é fazer a vossa vontade, ó Senhor” (Salmo 39 (40), 9) — Este é o brado do salmista ao reconhecer que a vida ao lado de Jesus é a sua maior alegria. Seguir a própria vontade conduz ao vale sombrio do egoísmo; ao passo que escolher obedecer ao chamado do Pai leva ao vale do amor, da felicidade e da vida eterna.
Jesus nos ensinou que há mais alegria em dar do que em receber. E, de fato, somos mais felizes quando gastamos a nossa vida do que quando a retemos. Amar pode até doer, mas é no amor que encontramos a verdadeira liberdade e a plena alegria.
Às vezes, podemos pensar que os desígnios de Deus nos pesam e roubam a nossa “liberdade”. Todavia, o que realmente nos pesa e aprisiona são os nossos pecados. É certo que fazer o que se quer, nem sempre, é o melhor a ser feito. Por isso, se o fim da nossa liberdade não for o bem, correremos o risco de fazer escolhas que nos levam a degradação.
Por vezes pensamos que a nossa felicidade está fora de nós e, desesperadamente, a procuramos em objetos, amizades, relacionamentos, festas ou vícios. Contudo, a experiência dos santos nos ensina que, mesmo tendo experimentado tudo o que o mundo pode oferecer de mais belo e prazeroso, somente Deus é capaz de preencher os vazios do coração humano e de nos tornar plenamente felizes. Refletindo sobre isso, Santa Teresinha do Menino Jesus nos diz:
“A alegria não se encontra nos objetos que nos cercam, mas no íntimo da alma. Pode-se possuir a alegria no mais profundo de uma prisão, assim como no palácio dos reis.”
Os caminhos que Cristo nos aponta conduzem à vida — à verdadeira vida. Por isso, quando decidimos deixar de lado os nossos próprios planos e desejos para abraçar a vontade do Pai, já começamos a provar um pouco do Céu, da plenitude e da eternidade. E, um dia, quando chegarmos à Glória, contemplaremos aquilo que o Senhor preparou para aqueles que O amam, como nos recorda São Paulo aos Coríntios.
“É feliz quem a Deus se confia” (Salmo 40(39), 5).
Sim, é feliz quem entrega toda a sua vida nas mãos do Criador. Ele conhece o mais profundo do nosso ser e sabe de tudo o que necessitamos. É Ele quem caminha à nossa frente e também atrás de nós, protegendo-nos e livrando-nos das armadilhas do inimigo.
Muitas vezes corremos o risco de pensar que podemos enfrentar sozinhos os problemas e batalhas da vida, confiando apenas na força do nosso braço. Mas sem Ele nada podemos fazer. O Senhor é a nossa força e a nossa paz. Foi Ele quem acalmou a tempestade, quem abriu o mar Vermelho, quem caminhou à frente do seu povo com o bastão e o cajado, quem segurou a mão de Pedro quando este afundava em seus medos.
Por isso, não temamos abandonar-nos inteiramente nos braços do Senhor, pois Ele é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim.
“Não tenhais medo: Cristo sabe o que há em vós. Ele vos chama a pertencer a Ele com todo o coração. É esta entrega que gera a verdadeira alegria.” — São João Paulo II
Por fim, a alegria da vida com Cristo não deve ser guardada apenas para nós, mas testemunhada a todos os que nos cercam. Em meio a uma sociedade que, ansiosamente, busca realização, paz e felicidade, sejamos luz! Sejamos como um farol que guia os pequenos barcos ao porto seguro: Jesus Cristo — fonte da vida e da paz.
O Papa Francisco recorda na Christus Vivit: “Se deixares que o Senhor te cative com o seu amor, se lhe permitires que renove o teu coração, então poderás viver sempre a alegria. Essa alegria é missionária: não se guarda para si, mas transmite-se.”
Não percamos tempo com o supérfluo. Vivamos já o Céu, vivamos do Amor. E, com um coração cheio de gratidão, anunciemos com a vida que Cristo é a nossa Alegria.