Um dos maiores brados que se fez escutar na história da humanidade é o de que “o Amor não é amado”. De fato, essas palavras, ditas por São Francisco de Assis há mais de 800 anos, repercutem ainda hoje em nossos corações. E por quê?
Se pararmos um brevíssimo momento para refletir sobre como estamos amando a Deus — a quem devemos “amá-Lo com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todo o nosso entendimento e com todas as nossas forças” — logo chegaremos à resposta para essa grande afirmação de Francisco.
Um amor ainda pobre
O nosso amor a Deus é muito pobre, não é mesmo?
Quantas e quantas vezes o leproso passou à nossa frente e não tivemos a coragem de beijá-lo? Quantas vezes o Senhor nos pediu que ofertássemos o nosso “Isaac” e não tivemos a confiança de colocá-lo em Suas mãos? Quantas vezes preferimos o nosso conforto em vez das exigências do amar?
Jesus tem sede de nós, sede do nosso amor.
“Tenho sede.” (Jo 19,28)
Não percamos tempo com as excessivas reclamações e lamentações desse ser tão dominante que se chama “EU”.
Como dizia Santa Teresa de Jesus:
“Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta.”
Vamos amar o Amor!
Hoje é o tempo
Mas eis o tempo favorável, tempo da salvação, que se chama: HOJE. Nesta Quaresma, convertamo-nos ao Amor. Somos tentados a fazer muitos propósitos — e justos —, mas uma só coisa é necessária: em tudo, amar o Amor.
Como nos recorda São João da Cruz:
“No entardecer da vida, seremos julgados pelo amor.”
Santa Teresinha do Menino Jesus, com a sua pequena via, ensinou-nos que, em todos os nossos atos, podemos amar mais a Deus e, assim, subir um degrau a cada novo dia em direção ao Céu.
“É o amor somente que dá valor às nossas ações.”
Portanto, transformemos as nossas pequenas ações cotidianas em alavancas para a eternidade.
Amar no concreto
Estejamos atentos, pois o Senhor nos oferece diversas oportunidades para amá-Lo mais:
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no trabalho, limpando o espaço da copa que os colegas esqueceram de organizar;
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lavando as louças que foram se amontoando na pia misteriosamente;
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passando a noite em claro cuidando daquele irmão enfermo;
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dedicando-se com afinco aos estudos, mesmo quando não é agradável;
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ouvindo com paciência as reclamações da esposa que passou por um dia difícil.
Como ensinava São Vicente de Paulo:
“Não basta amar a Deus, se o nosso próximo não o sabe.”
O tempo do amor
O Papa Leão XIV, no início do seu pontificado, disse-nos que é chegado o tempo do amor. E, de fato, mais do que nunca, o homem — ferido por tantos desamores — espera ansiosamente encontrar o único Amor verdadeiro, capaz de saciar o seu coração. Por isso, mesmo imperfeitos, sejamos reflexos vivos do amor de Deus.
Ame-O na nossa pobreza.
Ame-O na nossa cruz.
Como dizia Santa Teresa de Calcutá:
“Nem todos podemos fazer grandes coisas, mas podemos fazer pequenas coisas com grande amor.”
Como o atleta olímpico que carrega a tocha em direção à pira, sejamos aqueles que levam o fogo do amor divino por onde passam.
Oração final
Como dizia São João Maria Vianney:
“Meu Deus, se a minha língua não puder estar sempre a dizer que Vos amo, que o meu coração o diga tantas vezes quantas eu respiro.”
Que, a cada segundo, a cada instante, a cada respiro, possamos amar o Amor. É nesses atos concretos que somos configurados a Cristo e nos enchemos de Céu. Que, nesta Quaresma e até o fim da nossa vida, deixemos o Amor ditar a regra do jogo.