Andando pelo Jardim, pensando na minha vida e aproveitando este tempo oportuno, deparei-me com uma roseira de rosas vermelhas muito bela e ao olhar para minha direita vi o Jardineiro se aproximando de mim e vendo meu encantamento pelas rosas, exclamou ele:
– Amor. O nome da roseira de rosas vermelhas que você está contemplando.
E, olhando para mim com um olhar fixo, disse:
– Tenho escutado e encontrado este nome com muita frequência, sempre acompanhada por outras palavras como Felicidade e Paz, por exemplo.
Ficava mais bela quando alguém tirava com carinho e cuidado algumas de suas rosas. O sol a aquecia e ela se revigorava a cada dia, dando sempre belas rosas.
Pude ver, então, que o perfume de Amor era puro e agradável. Exalava algo único! Ela estava junto com outras roseiras de rosas amarelas (Alegria) e outras de rosas laranjas (Solidariedade) e geravam uma harmonia. Quando o vento batia aquela roseira se mantinha sempre firme e ainda passava segurança para todas.
A rosa Castidade
No mesmo caule da roseira da rosa Amor, vi algo muito interessante acontecer. Existia uma rosa branca que o jardineiro então me explicou, dizendo:
– Meu jovem, a natureza tem suas particularidades. Esta rosa branca se chama Castidade. Ela está diretamente ligada a rosa Amor. Na verdade, o odor que você está sentindo exalar mais forte é o dela, pois é o mesmo das vermelhas, só que mais intensa.
Chamou-me para sentar ali num banco azul, olhou para as rosas e, apontando, explicou:
– Quando alguém ofende a esta rosa vermelha, a outra perde a beleza e não exala o agradável odor.
Perguntei, muito curioso:
– Por que e como isto acontece?
Com voz serena, disse:
– Quando acontece a agressão, a branca perde a essência de Amor e ela até sente-se ameaçada. A única forma de fazê-la voltar ao perfeito estado é quando o agressor põe nela o pó do perdão que só eu, o Jardineiro, posso dá na medida correta.
Passei uns minutos ainda ali parado e contemplando ainda o jardim. Me despedi do Jardineiro já cheio de saudade e pensei no que tinha aprendido ali.
Aprendi que quando eu busco no amor a satisfação dos meus meros desejos egoístas, firo a Castidade na essência. Mas quando procuro no amor a essência do perfume e a sua beleza mais profunda que é sentida na castidade, eu torno o jardim mais vivo e atrativo. É preciso sempre pedir à Deus, o Jardineiro por excelência, o pó do perdão para que o Amor renasça e faça permanecer viva a Castidade gerada no e pelo Amor.
Desejo que o jardim do meu coração seja regado pela água pura da oração, aquecido pelo Sol do Amor e seja visitado por desejos sinceros de amar e não de instrumentalizar, não vindo a perder a beleza da castidade.
Matheus Araújo
