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A curiosidade é um pecado?

Um sacerdote, uma psicóloga e os santos te respondem.

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Foto de SHVETS/ Pexels

A curiosidade é uma condição inerente ao ser humano, que o leva a buscar conhecimento e informações sobre tudo que vê como interessante e relevante. Foi-nos dada por Deus para que, perseguindo neste mundo a verdade sobre as coisas, busquemos fundamentalmente a Ele, que é por si mesmo a própria Verdade subsistente.

Com a curiosidade é possível fortalecer a inteligência, aumentar a energia física e mental, e ainda impulsionar e melhorar o desempenho pessoal.  As curiosidades são, e sempre serão muitas, não há como escapar. Mas a curiosidade canalizada para o mal e com a intenção errada, pode levar a uma série de consequências que tendem ao pecado.

A curiosidade gera ações 

A psicóloga Larissa Barros (CRP 11/08269), consagrada da Comunidade Shalom e mestre em abordagem Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), explica que “um comportamento é saudável para o sujeito a partir das consequências da emissão deste”.

“Se eu tenho um comportamento de, por exemplo, olhar a rede social do meu ex-namorado e após olhar fico mal, relembro o passado e me culpo, esse comportamento advindo de uma curiosidade vai ser considerado não saudável. Deste modo, haverão curiosidades que não me farão bem. Cabe a mim fazer uma avaliação pessoal para escolher aquilo que me ajuda e aquilo que me prejudica.”

Padre Denys Lima, consagrado da Comunidade Shalom, explica também que a curiosidade por si só não é um pecado, mas o ato de um curioso pode ser um pecado. “Podemos pecar pelo fato de querer ver algo que não devemos, nos deixar levar pela concupiscência do olhar“, afirma. 

Pecado, em termos gerais, é tudo aquilo que fere o coração de Deus e ferindo a Deus também nos faz mal. O comportamento de ser levado pela curiosidade e olhar coisas que podem nos gerar compulsão/ vício, por exemplo, é fruto de uma curiosidade disfuncional. 

Interesse pela vida alheia

A psicóloga explica ainda, que dentro deste universo curioso, há no comportamento humano um interesse em saber da vida alheia. “Quando me percebo sendo curioso e essa curiosidade me traz desordem é algo que não me faz bem. A curiosidade de olhar a vida dos outros, por exemplo, faz com que muitas vezes, passemos horas e horas, gastando nosso tempo olhando algo que não é frutífero e nos prejudica“.

Em tempos em que quase não fazemos nada sem postar fotos, nem que seja um “check in”, a  curiosidade leva a uma cobiça e uma comparação à vida alheia. Afinal, para muitos, ver aquilo é sinônimo de querer, imoderada e ardentemente, fazer o mesmo. 

Da mesma forma, quando se posta uma foto, um texto, uma ideia ou até uma imagem aleatória, surge uma legião de curiosos querendo saber o que aconteceu; o que a pessoa está pensando; se está apaixonada; carente; feliz; etc. 

“Somos curiosos e temos necessidade de olhar para o outro, em um processo de identificação ou não. Nós nos identificamos um com o outro. Então se me sinto gorda, me sinto gorda em relação a outra pessoa. O outro é minha referência. Então queremos olhar esse outro que se apresenta diante de mim. Esse processo de olhar o outro pode se tornar desequilibrado e desordenado demais, causando um certo vício, aí entramos em algo não saudável que deve ser repensado”, afirma Larissa. 

O que os santos dizem?

São Tomás de Aquino, no tratado sobre a temperança, aborda um assunto ao mesmo tempo, tão interessante e agradável quanto atraente e fascinante: a curiositas. Em resumo, ele afirma que muitas vezes se preocupa com futilidades e tolices, colocando-as no centro da vida, em detrimento do próprio Deus que é a causa primeira e fim último. Dele viemos e para Ele iremos! De que adianta interessar-se pelas criaturas e esquecer-se do Criador?!

Padre Pio de Pietrelcina fala sobre o perigo da curiosidade, “um defeito que é a destruição da caridade. “ O bem do homem está em conhecer a verdade, mas o seu bem máximo não está em conhecer toda e qualquer verdade e sim em conhecer, perfeitamente, a verdade suprema […]. Pode, então, haver vício no conhecimento de certas verdades, na medida em que essa busca não se ordena, devidamente, ao conhecimento da suma verdade, na qual se acha a suma felicidade.” 

São Josemaría Escrivá, comentando a curiosidade maligna dos fariseus (cf. Jo 9,13 e segs.), que se recusaram a acreditar na explicação de um cego sobre a cura operada nele por Cristo: “Não custaria nenhum trabalho apontar, em nossa época, casos dessa curiosidade agressiva, que leva a indagar, morbidamente, a vida privada dos outros. Um mínimo senso de justiça exige que, mesmo na investigação de um presumível delito, proceda-se com cautela e moderação, sem tomar por certo o que é apenas uma possibilidade.


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