Parecia exalar amargura. Em seu tom de voz expressava a pura revolta de uma vida arrastada pela pobreza, fome e solidão. Aprendeu a murmurar muito cedo quando a vida começou a pesar . Era arrimo de família. Nada para ele estava bom e nem parecia melhorar. A perspectiva de um fio de esperança era abafada pela força do orgulho. Resignou-se.
Coração duro, fechou-se as oportunidades. Não aceitava ajuda e desconfiava de qualquer oferta de estudo dada a ele de mão beijada. Somente contava com o salário da força do trabalho e a rotina do compromisso. Melhor o pouco que tinha nas mãos calejadas que algo a mais no horizonte. Pensava!
A dureza da vida não o deixava sonhar. Trabalhava sol a sol. Tinha a seu favor uma saúde de ferro, cuja esta, sustentou a muitos. Era uma coluna ,um pilar. Referência para os irmãos que tiveram oportunidades melhores. Era orgulhoso, sabia.Não tinha orgulho de si. Só não sabia que era o orgulho da mãe, que junto com ele, em meio as migalhas, construíram não um castelo, mas a vida que segue.
