De repente, o nosso mundo perde a cor. Tudo fica meio turvo e escuro. Esperamos ansiosamente um novo dia, mas parece que sol não vai surgir. A tristeza, a raiva, a angústia, a amargura, o ressentimento toma um espaço desproporcional no nosso coração e a dor parece-nos profunda demais.
Quando a Cruz nos pesa, o desespero toma conta do nosso coração, e, por um instante, podemos perder o sentido de viver. Todavia, mesmo em meio aos temporais mais escuros da vida podemos encontrar uma chama de Esperança — Cristo Jesus.
O Papa Leão XIV nos recordou que “na dor mais injusta se encontra a semente de uma nova vida”.
No primeiro momento essa frase gera em nós uma grande indagação: como na morte, podemos encontrar vida? Contudo, esse é o grande paradoxo cristão: a cruz, sinal de morte, se torna fonte de Ressurreição. Assim, mesmo em meio às trevas, a Esperança não desaparece; ela resiste, silenciosa, e aponta para a luz que virá.
O Silêncio
Em meio às nossas dores, muitas vezes sentimos uma angústia por não ouvirmos a voz de Deus. Ele parece distante e “indiferente” à nossa dor. Todavia, o Pai das consolações jamais nos abandona, mas permanece sempre ao nosso lado; mesmo que não possamos enxergá-Lo ou ouvi-Lo, Ele está conosco.
Cristo experimentou, no alto da cruz, o silêncio do Pai. Em vez de entrar em desespero, Ele exprime um grito de confiança: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?». O Papa Leão XIV nos recordou acerca deste episódio que:
“O Filho, que sempre viveu em íntima comunhão com o Pai, experimenta agora o silêncio, a ausência, o abismo. Não é uma crise de fé, mas a etapa final de um amor que se entrega completamente. O grito de Jesus não é de desespero, mas de sinceridade, de verdade levada ao limite, de confiança que perdura mesmo quando tudo é silêncio.”
Portanto, mesmo que Deus pareça distante, em um silêncio profundo que perturba o nosso coração diante da dor, elevemos um grito de confiança. O Senhor, nosso Deus, não nos abandona jamais. E é permanecendo n’Ele, unindo cada sofrimento à cruz de Cristo, que veremos a manifestação da sua glória e contemplaremos as suas maravilhas em nossas vidas.
Quando tudo parece terminado e nos encontramos em um profundo abismo, lembremo-nos de que a cruz de Cristo não foi o fim, mas apenas o início da Salvação — uma nova vida, um novo dia.
Que a dor seja, para nós, um lugar de encontro com Deus, de amadurecimento e crescimento da fé e da confiança. Não precisamos viver nossos sofrimentos de forma isolada, pois Cristo, como um “Cireneu”, pode carregar as nossas cruzes conosco. Portanto, como bem nos disse o Papa Bento XVI, que as nossas dores sejam uma verdadeira Escola de Esperança.
Cristo é a nossa Esperança em meio às trevas!
Ouça agora a música “Eu verei”, do Missionário Shalom, depositando toda a sua confiança no Senhor, na certeza de que Ele transformará toda dor em Alegria e toda lágrima em semente de Esperança.