A devoção à Sagrada Família foi promovida pelos jesuítas na Itália, na França e na Bélgica. Dentre os promotores da devoção cabe destacar São François de Laval primeiro Bispo de Québec, então um território de missão que abrangia boa parte do atual Canadá e parte dos Estados Unidos da América. São François Laval fundou uma confraria para promover a devoção à Sagrada Família na Diocese de Québec, celebrando pela primeira vez a sua Festa no II Domingo após a Epifania de 1665.
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A partir do século XIX diversas congregações religiosas (masculinas e femininas) foram fundadas sob o título da Sagrada Família. Nesse período, outro grande promotor da devoção foi o Papa Leão XIII que no dia 14 de junho de 1893, instituiu a Festa da Sagrada Família, a ser celebrada no III Domingo após a Epifania.
A Festa só foi estendida para toda a Igreja de Rito Romano pelo Papa Bento XV em 1920. A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, por fim, transferiu a Festa da Sagrada Família para o domingo após o Natal do Senhor.
O evangelho desta festa (Mt 2,13-15.19-23) revela a importância da missão espiritual do homem e traz duas perguntas fundamentais para as famílias atualmente: a quem estamos ouvindo e obedecendo? e como estamos zelando do dom que é a família? E é o próprio evangelho que nos dá um testemunho luminoso de como a Família de Nazaré respondeu a essas perguntas.
Por duas vezes, o evangelho narra que José “se levantou” para colocar em prática o que havia ouvido em sonho do anjo de Deus. Nos é revelado um homem íntimo de Deus, que vivendo o abandono e a confiança aprendeu a reconhecer sua voz e a distingui-la de tantas outras vozes, um homem que se move a partir da voz de Deus. Sem nunca dizer uma palavra nas Escrituras, seu exemplo de silêncio, vida interior, escuta e obediência a Deus deseja nos falar hoje também. Vivemos em um tempo onde há pouco espaço para o silêncio tão propício para o encontro com Deus, a crescente quantidade de informações, se entrelaça com uma avalanche de ideias e mentalidades contrárias a fé e ao projeto de Deus para o homem, a mulher e a família, propagadas por influencers preocupados apenas em obter seguidores. Temos visto cada vez mais homens e mulheres perdidos e confusos no que diz respeito a sua identidade e sua missão. José obedeceu fielmente ao projeto de Deus, por que o escutou atentamente, tornando assim modelo de homem orante, esposo fiel, pai presente, trabalhador incansável e santo. Santa Teresa de Jesus dizia: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”.
Logo após o nascimento de Jesus, José é visitado pelo anjo que lhe comunica a mensagem de Deus, que anuncia perigos.“Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise! Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo”. (Mt 2,13). A mensagem é clara, a vida corre risco de morte, Deus então lhe diz para onde deve ir com Maria e Jesus a fim de que todos pudessem estar resguardados e protegidos. Nos tempos de hoje ainda existem Herodes que desejam destruir as famílias e matar os filhos. Estejamos atentos, pois Herodes atualmente costuma se disfarçar também de: ausência paterna e materna na educação dos filhos, falta de diálogo e perdão na família, ausência de afeto e firmeza de maneira equilibrada, uso equivocado e desordenado de internet/redes sociais tanto pelos filhos como pelos pais, o aborto, a eutanasia, o abandono dos idosos, ativismo que esgota as forças e o tempo e aos poucos vai fragilizando a vida de oração e sacramental (eucaristia e reconciliação), falta de comunhão familiar, abandono dos filhos, egoísmo que impede de estar a serviço do próximo, sobretudo, dos pobres, etc. Como você tem zelado e protegido sua família destes Herodes?
O homem tem uma missão única diante de sua família que não deve ser renunciada, pois é o homem a cabeça (Efésios 5,23), que serve com amor e conduz espiritualmente sua família. O evangelho faz um convite hoje a levantar e a retomar o leme espiritual do barco da família, através de uma vida de oração, da vigilância, da busca pelos sacramentos da eucaristia e da reconciliação, do serviço ao Reino de Deus e ao próximo.
Que São José, o guardião da Sagrada Família e da vida, que fez da sua vida serviço e sacrifício, nos dê essa graça!
José Felipe Barbosa Júnior
Setor Família

