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A Igreja é Santa!

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"Em qualquer tempo e nação, é aceito por Deus todo aquele que o teme e pratica a justiça (At 10,35). Aprouve, no entanto, a Deus santificar e salvar os homens, não individualmente, excluindo toda a relação entre os mesmos, mas formando com eles um povo, que o conhecesse na verdade e o servisse em santidade" (LG n.9)

A santificação do homem não pode deixar de passar pela sua vida eclesial. Deus quis assim, que a unidade da vida trinitária pudesse ser refletida no rosto de seus filhos, os cristãos. Somos todos um, filhos no Filho, membros de um Corpo Místico cuja cabeça é Cristo, e também como membros uns dos outros, em cujo processo de santificação somos capazes de influir positivamente, e também ser beneficiados por eles. Somos também, como "concidadãos dos santos, membros da família de Deus" (Ef 2,19) um com os membros da Igreja padecente e da Igreja gloriosa, de quem recebemos valorosas intercessões.

1. A SANTIDADE DA IGREJA

"Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito é proclamado o único Santo, amou a Igreja como sua esposa, entregou-se por ela para santificá-la, e uniu-a si como seu corpo, enchendo-a do dom do espírito santo para a glória de Deus( n.39 da LUMEN GENTIUM). Com isso se diz que a santidade da Igreja decorre totalmente da santidade de Cristo:

A. Que a amou com um amor que o impeliu ao sacrifício da cruz, para que ela pudesse ser Sua esposa:

B. Que a uniu a si como se fosse Seu próprio Corpo;

C. Que a cumulou com o dom do Espírito Santo, que nos une a Cristo.

O primeiro, como o terceiro motivo da santidade da Igreja estão intimamente ligados ao segundo, porque a santidade da Igreja consiste precisamente na sua união com Cristo.

2. A SANTIDADE DOS MEMBROS DA IGREJA

"Eu sou a videira e o meu Pai é o agricultor…permanecei em mim e eu em vós"(Jo 15,1-4). Há uma comunhão mística, que vincula em unidade o Senhor e os Batizados, uma comunhão vivificante, que nos torna propriedade de Cristo, como ramos ligados à uma videira. Cada Batizado, é como que "enxertado" em Jesus Cristo como os ramos sobre o tronco, para formar com Ele como que "uma única planta", vivendo da mesma vida (espiritual) que provém Dele, para se espalhar nos "ramos" que somos nós. A comparação pode ser transposta para a de um corpo, cuja cabeça é Jesus Cristo, e cujos membros somos nós, batizados. A vida da Graça provém dele e circula em todos. Todos os fiéis participam de fato da vida do único Senhor e são membros do Seu Corpo Místico, que é a Igreja.

Assim, em virtude da nossa incorporação a Cristo, quanto mais nos abrimos ao Seu Espirito, lhe oferecemos a oportunidade de viver em nós, e usufruímos da possibilidade de completar em nós a sua obra salvífica em favor da Igreja. Desta forma, Cristo, vivendo nos que se deixam animar pelo Espírito em todas as suas atividades, continua a estar presente no mundo; justamente por serem participantes, em sentido profundo, da vida de Cristo, difundem em torno de si o amor de Cristo, tornando-o visível nas circunstâncias concretas e no mundo em que vivem.

3. COMUNHÃO ENTRE OS MEMBROS DA IGREJA

" Da comunhão dos cristãos com Cristo brota a comunhão dos cristãos entre si: todos são ramos da única videira, que é Cristo. Para o Senhor Jesus, esta comunhão fraterna é o maravilhoso reflexo e a misteriosa participação na vida íntima de amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus reza por esta comunhão: ‘Que todos sejam um só, como tu, ó Pai, estás em mim e eu em Ti, que também eles estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste"(Jo 17,21).

Ser ‘membros’ da Igreja nada tira ao fato de cada cristão ser um ser único e irrepetível, antes, garante e promove o sentido mais profundo da sua unicidade e irrepetibilidade, enquanto é fonte de verdade e de riqueza para a Igreja inteira. (…) Assim, cada um na sua unicidade e irrepetibilidade, com o seu ser e o seu agir, põe-se a serviço do crescimento da comunhão eclesial, como, por sua vez, recebe singularmente e faz sua riqueza comum de toda a Igreja. esta é a Comunhão dos Santos, que professamos no Credo: o bem de todos torna-se o bem de cada um e o bem de cada um torna-se o bem de todos".(C.L. n. 18 e 28)

É o próprio Deus quem apoiando-se numa das mais profundas necessidades da natureza humana – a do amor mútuo – faz que se converta em lei operante na ordem sobrenatural esta misteriosa solidariedade, de modo que a santificação de um membro da Igreja importe, (e muito!) para outro. Assim o amor é exercido de maneira tão escondida que muitos, considerados aparentemente "inúteis" para o serviço à Igreja, podem ser os membros mais úteis, porque com sua vida santa elevam o nível de santidade dos membros da Igreja. Na realidade, o que nos torna inúteis à Deus e à Igreja é o pecado.

Esta Comunhão abrange não somente os membros da Igreja peregrinante, mas também os da Igreja Padecente e os da Igreja Gloriosa :

"Na vida dos que, embora participem de nossa natureza humana, se encontram ainda mais perfeitamente transformados na imagem de Cristo (II Cor 3,18), Deus manifesta com grande vitalidade aos homens sua presença e sua face. Neles, ele próprio nos fala e nos mostra o sinal do seu reino, para o qual nos sentimos poderosamente atraídos por termos em torno de nós semelhante multidão de testemunhas (Hb 12,1) e semelhante afirmação da verdade do Evangelho (…) Enquanto consideramos a vida dos que seguiram fielmente a Cristo, sentimo-nos mais inclinados, por outro motivo, a buscar a cidade futura (Hb 13,14 e 11,10), e, ao mesmo tempo, é-nos ensinado o caminho mais seguro pelo qual, entre as coisas transitórias do mundo, poderemos chegar à perfeita união com Cristo, isto é, à santidade segundo o estado e a condição própria de cada um"(LG n.50).

4. CAMINHOS PARA UMA ESPIRITUALIDADE ECLESIAL

4.1 Experimentar nela o acontecimento da salvação, ou seja, a comunhão com Deus;

A Igreja é "um povo reunido em virtude da unidade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo"(Veja LG n.4). Nela circula o amor entre o Pai, Cristo crucificado e ressuscitado, e o Espírito de Pentecostes, que nos faz vivê-la como realidade divina que é, e nos comunica vida espiritual. Por isso, viver na igreja significa encontrar-se com a pessoa concreta de Jesus Cristo, e justamente por isso ter a experiência do Pai, conhecendo e amando Sua vontade Salvífica.

– Como membros da Igreja, devemos nos sentir como um povo convocado pelo Pai, que caminha para voltar a ele (Veja LG n.2). Viver como Igreja em relação com o Pai significa portanto ter o anseio, o desejo pela consumação escatológica, mas também o impulso para reunir todos os homens em torno do Pai, pois esta comunhão não pode se consumar no individualismo. É preciso orar, desejar, e trabalhar para que todos os membros da Igreja cheguem à perfeição no reino, e assim venha o reino que glorifica o Pai.

– O Pai realiza através de Jesus Cristo Sua vontade salvífica. Deus quer salvar todos os homens através de um homem e através dos que chamou para seguí-lo. Ser Igreja é um serviço prestado à humanidade. " Não é possível ser santos sem sofrer pela Igreja (…) Para quem aceita a cruz inerente ao ser consciente e responsavelmente Igreja se abre o consolo de experimentar na própria carne o caráter concreto do amor do Pai, que se compraz em Seu Filho obediente em Sua condição humana e que O ressuscita"(D.E. p. 561)

– A Igreja recebe constantemente o Espírito Santo, enviado de uma vez por todas à ela no dia de Pentecostes. Viver a espiritualidade eclesial significa realizar a experiência do Espírito não sozinhos, porque todos comungamos do mesmo Espírito, nem somente para nós, mas sobretudo para toda a humanidade para trabalharmos pela renovação do mundo, no qual o Espírito Santo age misteriosamente. Significa crer que o mesmo Espírito que concede carismas particulares se autovincula soberanamente aos sacramentos e aos ministérios para a edificação de tudo. E significa não apenas crer na santidade indestrutível da Igreja, apesar dos nossos pecados, mas receber dela nossa santidade e não negar a ninguém na Igreja os instrumentos para a sua santificação.

4.2 Experimentar nela a comunhão fraterna;

Comunhão com Deus e comunhão entre os homens são aspectos intimamente correlacionados e necessários ao acontecimento único da Salvação:

"desde o começo da história da Salvação, deus elegeu os homens não somente como indivíduos, mas também enquanto membros de determinada comunidade. Esta índole comunitária aperfeiçoa-se e comsuma-se na obra de Jesus Cristo, participe desta solidariedade humana. Em sua pregação, encarregou ele claramente os filhos de deus que se comportassem entre si como irmãos. Em sua oração, rogou que todos fossem um. E aos seus apóstolos mandou pregar a mensagem evangélica a todas as gentes para que o gênero humano se convertesse em família de Deus, na qual o amor fosse a plenitude da lei. Primogênito entre muitos irmãos, Cristo constitui, mediante o dom de seu Espírito, uma nova comunidade fraterna, que se realiza entre todos os que o aceitam pela fé e a caridade. Neste sei corpo, que é a Igreja, todos, membros uns dos outros, devem ajudar-se mutuamente, segundo a variedade dos dons que lhes tiverem sido conferidos. Esta solidariedade deverá ser incrementada sem cessar até aquele dia em que será consumada, quando os homens, salvos pela graça, como grande família amada por Deus e por cristo, nosso irmão, darão a deus a glória perfeita" (GS 32)

4.3 Tornar-se, com ela, sacramento de salvação para toda a humanidade.

"Os que têm o dom e a responsabilidade de viver na plena pertença à Igreja hão de saber que seu "ser Igreja" constitui um serviço misteriosamente eficaz para todos os que se salvam sem conhecer a igreja (ou porventura sem culpa, rejeitando-a) .É-se Igreja, para a humanidade'(D. E. p.564)

"É preciso passar do temor servil para a Caridade, que aceita sofrer pela salvação de todos (…) Quem é santo pede para sofrer com Cristo pela conversão dos pecadores, porque um laço misterioso une a comunidade eclesial, e até mesmo todos os homens. não se trata de laço puramente invisível, porém orgânico. de fato, é estabelecido pelo verbo encarnado, que nos une indissoluvelmente e pessoalmente aos Sacramentos e aos ministérios. Por isso, os santos devem rezar pela santificação dos ministros e dos pastores, e corrigir com amor seus vícios e seus defeitos. Com amor, porque não se pode prescindir dos ministros, embora pecadores e corrompidos; de fato, os Sacramentos que eles administram têm valor em virtude da ação de Cristo Ressuscitado, e não por causa de sua santidade pessoal (…) a santificação da Igreja é obra somente de Cristo e dos fiéis que aceitam sofrer com seu coração, fazendo crescer a Caridade no Corpo Místico de Cristo"( Dic. de Espiritualidade, Paulus, 1993, p.555).


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