Formação

À imagem e semelhança de Deus. De qual deles?

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Dom Redovino Rizzardo


Desdeas suas primeiras páginas, a Bíblia proclama a dignidade do ser humanoao co-locar na boca de Deus estas palavras: «Façamos o homem à nossaimagem e semelhança» (Gn 1,26). Uma grandeza que comove a quantos sedeixam guiar pelo coração: «Vendo a lua e as estrelas brilhantes,perguntamos: Senhor, que é o homem para dele assim vos lembrardes e otratardes com tanto carinho? Pouco abaixo de Deus o fizestes,coroando-o de glória e esplendor; vós lhe destes poder sobre tudo,vossas obras aos pés lhe pusestes!» (Sl 8,4-7).

Naprática, porém, como conseqüência do pecado que entrou sorrateiramentena história humana, deve-se reconhecer que, até a encarnação de Jesus,a tentação da humanidade – e até mesmo de inúmeras páginas bíblicas –foi a de construir um deus “à imagem e semelhança do homem”, dominadopor sentimentos, paixões e atitudes mesquinhas, sempre pronto a sevingar das injúrias sofridas e a se alegrar com as desgraças de seusinimigos.

Algunsprofetas tentaram purificar essa imagem de Deus: «Sião disse: “O Senhorme abandonou, ele se esqueceu de mim”. Pode uma mãe se esquecer de seubebê, deixar de amar o filho de suas entranhas? Mas, ainda que ela seesqueça, eu não me esquecerei de ti. Veja: eu te levo tatuado na palmade minha mão» (Is 49,14-16).

Masquem verdadeiramente revelou à humanidade a face de Deus foi Jesus. Eiscomo ela é apresentada por um dos apóstolos que melhor compreendeu amensagem do Evangelho: «Meus caros, amemo-nos uns aos outros, porque oamor vem de Deus. Todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus.Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor. Foi assim que oamor de Deus se tornou visível entre nós: Deus enviou o seu Filho únicoao mundo para que tenhamos vida por meio dele. Nisso consiste o amor:não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou» (1Jo4,7-10). Nestas breves palavras, São João sintetiza e manifesta o quede mais importante tinha no coração: a identidade e o projeto de Deus ea essência da que considera verdadeira religião.

Emuma de suas homilias, Santo Agostinho explicou ao povo o sentido dessaspalavras que, em sua opinião, deveriam revolucionar a vida de quem asentende: «Não há ninguém que não ame. A questão é saber o que se deveamar. Não nos é pedido que não amemos, mas que escolhamos o que devemosamar. Mas, é possível escolher se, antes, não fomos escolhidos? Épossível amar se, antes, não fomos amados? Escutai o apóstolo João:“Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

Seprocuras saber como se pode amar a Deus, não encontrarás outra respostasenão esta: Deus nos amou primeiro. Aquele que nós amamos, entregou-sea si mesmo e nos deu a capacidade de amar. É o que diz claramente oapóstolo Paulo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações”. Porquem? Por nós, talvez? Não! Então, por quem? “Pelo Espírito Santo, quenos foi dado” (Rm 5,5).

Porisso, “cantai ao Senhor um canto novo” (Sl 150,1). Cantai com a voz,cantai com o coração, cantai com os lábios, cantai com a vida! Sede vósmesmos o canto que cantais! Vós sereis o seu maior louvor se viverdessantamente».

Dentreas festas populares que se celebram durante o mês de junho, a principalé a do Coração de Jesus. Mas, qual o significado dessa devoção? Seráapenas a comunhão feita nas primeiras sextas-feiras de cada mês, parater o céu garantido logo após a morte, sem passar pelo purgatório? Ou afita que piedosos fiéis carregam ao pescoço quando participam damissa? Ou então a romaria que algumas Dioceses promovem por terem comopadroeiro o Sagrado Coração de Jesus?

Averdadeira devoção ao Sagrado Coração de Jesus é a realização de umapromessa feita por Deus através do profeta Ezequiel: «Dar-vos-ei umcoração puro e colocarei em vosso íntimo um espírito novo. Tirarei dovosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne» (Ez11,19). Um segredo para operar esse maravilhoso transplante é adotarcomo estilo de vida a espiritualidade da comunhão, sugerida pelo PapaJoão Paulo II no início do terceiro milênio: «Antes de programariniciativas concretas, será preciso promover uma espiritualidade dacomunhão, elevando-a ao nível de princípio educativo em todos oslugares onde se plasmam o homem e o cristão, onde se educam osministros do altar, os consagrados, os agentes de pastoral, onde seconstroem as famílias e as comunidades».


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