Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. (Jo 13,21)
Se duvido primeiro de mim,
não pergunto-Te se serei eu,
mas reconheço-me pecador,
mesmo sendo um amigo Teu.
Não compreendo o que diz,
mesmo discernindo Tua voz;
são as paixões sem ordem,
como uma fera a rugir feroz.
Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: “Senhor, quem é?” (Jo 13,25)
Senhor, desejo-Te todo dia,
mas não faço sempre o bem,
porque o mal que não quero
faz de mim um “liberto refém”.
Preso pelos pensamentos,
escravo de minhas vontades;
um servo que se aprisionou
e fechou-se nas dificuldades.
Jesus respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho”. (Jo 13,26)
Difícil é ficar distante de Ti,
mas sinto que serei tentado;
até percebo essa distância
ao deixar a vocação de lado.
Pai, sou um amigo à mesa,
qual filho em direção à Luz,
mas os pecados me levam
à traição novamente, Jesus.
Depois do pedaço de pão, Satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: “O que tens a fazer, executa-o depressa”. (Jo 13,27)
Se dou permissão ao mal,
sou um consciente traidor;
se me distancio da Graça,
crucifico-Te, meu Senhor.
Vejo em mim a força falhar,
mas eu desejo, quero e vou,
recostar-me no Teu peito
no Teu Amor recriado sou.
Depois que Judas saiu, disse Jesus: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. (Jo 13,31-32)
Levanta-me se eu Te trair,
perdoa-me até amanhecer;
glorifico-Te nas fraquezas,
pra Tua graça me esconder.
Escondo-me em Ti, Jesus,
para agora Te transbordar;
na Tua Graça me silencio,
no repouso santo do Altar.
“Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir'”. (Jo 13,33)
