Estava estudando um material da disciplina de sociologia até que, analisando a sociedade e as suas diversas formas de divisão e manifestação, me é apresentado o seguinte significado para marginalidade:
“Em outra situação, quando o comportamento contradiz totalmente a norma, este é denominado marginalidade. O indivíduo marginal faz uma opção muito consciente de que quer viver à margem da sociedade, e só pode voltar a viver nela se passar por um processo de reeducação”.*
Essa colocação abalou muito toda minha forma de ver, viver e estabelecer uma relação com Deus. Levando essa definição para minha oração, percebi o quanto posso estar vivendo nessa marginalidade na vida espiritual. Quando minhas escolhas são contrárias a vontade de Deus, quando não sigo as normas que me foram dadas desde a criação, repetindo o ato da desobediência que vemos em Gênesis, eu me encontro na marginalidade da minha vida com Deus.
O indivíduo marginal faz uma opção muito consciente. E por diversas vezes é muito consciente que desisto da santidade, da castidade, da obediência. É muito consciente que escolho não rezar, não ir à missa, e não buscar a confissão. É de forma consciente que escolho viver à margem da vida com Deus, como na beira de um abismo, na linha amarela de um trem, entre o espaço seguro e a linha com risco de morte.
Marginalidade da vida espiritual
Comecei a perceber que a marginalidade da vida espiritual é uma condição que proponho a mim mesmo, quando escolho usar da minha liberdade para infringir as normas que estão unidas ao plano do Pai. A marginalidade neste caso seria a escolha por uma vida negligente, sem o olhar para o Pai que me forma com normas para alcançar a santidade. Posso estar vivendo a marginalidade em pequenas coisas, e no simples fato de não querer obedecer às normas do plano de Deus na minha vida vocacional, profissional, financeira, fraterna…
Sempre relacionamos marginalidade com crime e violência, e parei para refletir como posso estar sendo violenta com o amor que existe em mim, sendo o próprio ladrão da minha história, roubando minha felicidade, minha paz. Agora, percebo que “quando o meu agir contradizer totalmente as normas próprias do plano divino, estarei vivendo a marginalidade da vida com Deus. Como filho de Deus torno-me um marginal na relação com o Pai, fazendo uma opção muito consciente de que quero viver à margem dos Seus planos” e consciente que só poderei voltar a viver nesse plano se passar por um processo de reeducação que o Pai mesmo realiza.
Que o Pai nos tire de toda marginalidade da relação com Ele, que Deus nos livre da escolha pela vida inferior onde Ele não é o centro. Sei que existem muitas definições desse termo, mas, hoje foi nesse sentido que Deus me fez revisar minha vida e fugir dessa marginalidade em que tenho vivido. Em sua oração, tente perceber também se você está conscientemente à margem de algo que na verdade espera sua decisão e determinação.
* Conceito extraído do material de sociologia do curso de Serviço Social, Anhanguera.
Larissa Sassi