“A maternidade é divina! Todas as mulheres trazem a maternidade em si. Há, também, aquelas a quem Deus confia filhos espirituais. A maternidade expressa cuidado, serviço, doação, disposição, atenção ao outro e escuta. Essa é a missão das mulheres. Está na nossa essência o socorro ao outro, essa presença que vai ajudando, que vai amando. Posso reafirmar que todas nós trazemos em si a maternidade, mas hoje vivemos numa cultura onde querem deformá-la, querem mostrar que é só dor, que é difícil, que os filhos dão trabalho, mas é uma vocação divina!
É algo que Deus nos concede, e é Ele quem nos capacita a viver e a corresponder esse chamado de cuidar, de gerarmos filhos para Deus. Essa é a beleza da maternidade: gerar e educar filhos para Deus. Não obstante aos desafios próprios de cada fase, ela é sublime, é bela quando existe esta doação, esta entrega. O amor é sacrificial. Você vai perdendo para que o outro ganhe. Ela faz com que nós cresçamos, mas só quando assumimos, escolhemos a cada dia fazer o outro feliz, fazer o outro amado. Dar-me em serviço ao outro para o bem do outro: aí está a minha realização, a felicidade! É possível sim viver a maternidade leve, feliz, que na sua essência é generosidade de darmos sempre mais.
A maternidade é esse movimento de alargar o nosso coração para amar o outro. Um amor que nos consome, que nos faz ir além, superar os nossos limites, fraquezas para o bem dos filhos. Posso dizer que é também um processo de autoconhecimento muito grande. Os filhos vão nos revelando o que há em nós de melhor, mas também aquilo que em nós precisa ser melhorado. A cada dia, buscamos ser pessoas melhores para fazer o outro feliz, fazer os filhos felizes, para formá-los à luz da fé, na vivência das virtudes.
Educamos os filhos para Deus, para a santidade, mostrando a beleza que há na criação, na vida. Esse compromisso e responsabilidade dos quais a dor faz parte. A dor não diminui, ela não tira o sentido, mas, pelo contrário, a dor vai fazendo com que nos encontremos com o verdadeiro sentido, que é Deus. Porque Cristo, que morreu na Cruz, nos deu vida.
Também na maternidade temos várias oportunidades de viver esse amor oblação. Este amor que nós vamos escolhendo viver não para nós mesmos, mas sempre em vista do outro e do seu crescimento. É um compromisso muito belo você perceber que está fazendo parte da salvação realizada por Deus. Existe uma graça que nos acompanha. São muitas tarefas, muitas atividades, muito cansaço…Tem dias que as coisas fluem bem, tem dias bons, tem dias não tão bons, tem dias que não dá certo, tem dias que as madrugadas são longas, mas tudo é cheio de sentido. É quando a gente se decide em dar a vida pelo outro, como Cristo deu a vida por todos nós! Damo-nos neste mistério de dor e alegria para que nós possamos ser esses canais e instrumentos da presença de Deus na vida do outro, dos nossos filhos, esse amor incondicional.
A maternidade é, portanto, sinal de ternura, de acolhimento e de escuta. A cada dia, nós vamos descobrindo, nos exercitando na paciência, no amor e na caridade em busca da santidade. A maternidade é este caminho que me leva a ser santa na missão de educar e formar meus filhos para a santidade, para o Céu. É uma missão sublime, diante da qual muitas vezes nos encontramos impotentes, mas Deus nos capacita e o amor alarga os nossos corações. O amor faz-nos ser generosos, disponíveis.
Neste dia, só tenho a louvar e bendizer a Deus que me deu esta oportunidade. Louvar pelos meus filhos biológicos e por tantos filhos e filhas espirituais que Ele me confiou na Comunidade para ser esse instrumento, canal que os leva para Deus, que faz descobrir Sua Vontade. Louvo a Deus por este chamado, que me presenteou com esse dom maravilhoso que me faz crescer, que me faz amadurecer, que me faz ver o outro, sair de mim, que me desinstala, mas em vista de um bem maior, em vista do tesouro, fruto do amor e presente de Deus na minha vida que são os meus filhos.
Deus abençoe todas as mães biológicas e espirituais e que se renove em nós esse sentido do amor generoso, do amor que se dá, do amor oblativo, do amor que se oferta. Mas que essa oferta, essa oblação, essa renúncia sejam fecundas, gerem vidas, formando filhos para Deus!”
Kleilma Mascarenhas
Consagrada da Comunidade de Vida na Comunidade Católica Shalom
Mãe do João, 4 anos, e do José, 1 ano e meio. Casada com Marciano.
