Você já prestou atenção no jeito que você fala? Sabia que o jeito como você se expressa tem consequências nos seus relacionamentos? Você já pode ter vivido ou observado situações em que algumas pessoas se sentiram chateadas, magoadas em conversas ditas “normais”. Sim, é possível que a pessoa tenha se magoado por estar passando por um momento difícil em sua vida e estar fragilizada emocionalmente, psicologicamente. Mas pode ter sido por outro motivo: a falta de empatia e assertividade. Explico. Elas são importantes para o nosso convívio e podem ser exercitadas e aprendidas.
Empatia é, de uma maneira simples, saber se colocar no lugar do outro, é sentir com o outro. É uma habilidade importante para que você não escute, fale, se relacione de uma maneira superficial, quase indiferente. É um ato de misericórdia, pois você “consola os aflitos”, se compadecendo do outro, compartilhando daquele sofrimento e amenizando a sua dor.
Você se torna alguém que se importa e vai além de simplesmente dar respostas prontas, que muitas vezes o outro já sabe ou já escutou. Apesar de ser bom citar uma frase de um livro, de um pensador, de um santo às vezes, mas depois de ter mostrado que se importa, entende? Sabe quando você fala que é “besteira” o sofrimento que o outro vive, na tentativa de minimizar o problema, tentando tirá-lo daquela dor, não é este o caminho da empatia.
Existe uma cena no filme “Divertidamente” em que certo amigo imaginário está chorando e a personagem Alegria vai tentar animá-lo, ela está sendo simpática, tentando ver sempre o lado positivo das coisas. Mas quem, surpreendentemente soluciona a situação é a personagem Tristeza, que vivencia aquele momento junto com o amigo imaginário, o escuta, diz que o entende, divide aquela carga emocional e esta atitude faz o amigo se sentir melhor. A personagem Tristeza foi empática. Pessoas empáticas e simpáticas são diferentes, apesar de que você pode ter estas duas formas de agir.
Em muitos momentos, precisamos apenas ser escutados, chorar, abraçar. O autoconhecimento nos torna mais empáticos, pois vemos o quanto somos fracos, limitados, feridos e o quanto, mesmo assim, somos compreendidos e amados por Deus, sem precisar falar nada muitas vezes. Sabemos que não estamos sozinhos diante daquele sofrimento, pois Ele está conosco, nos escutando, sofrendo conosco, abraçando as nossas vidas, nos erguendo com sua ternura. O outro precisa saber que não está só, precisa sentir a sua presença e isto, muitas vezes, é apenas o que é necessário no momento.
Ao falar busquemos ser assertivos. Esta é outra atitude que nos ajuda a sermos misericordiosos para com os outros. Esta é uma habilidade ligada ao jeito de nos expressarmos, onde falamos o que queremos falar, mas sem ferir o outro. Existem três principais formas de nos expressarmos, podemos ser: assertivos, passivos ou agressivos. Não existe uma forma de se expressar corretamente para todas as situações, dependerá do momento, mas posso dizer que, na maioria das vezes, devemos ser assertivos.
Quando somos passivos, nós não falamos o que queríamos falar e guardamos para nós mesmos, o que fere a nossa liberdade interior, pois acabamos por nos “anularmos”, muitas vezes, por medo da reação do outro; mas, às vezes, precisamos ser passivos para evitar algo de pior, como quando queremos evitar uma briga. Quando somos agressivos, falamos o que queremos, não retemos emoções, mas, muitas vezes, ferimos o outro. Isto nos desgasta, fragiliza os nossos relacionamentos e pode afastar as pessoas; mas, às vezes, precisamos ser agressivos diante de alguma situação, como quando estamos lutando por algo de direito nosso. Precisamos ser assertivos.
Uma observação: existem palavras que ferem mesmo você sendo assertivo. Cuidado para não ferir o irmão “assertivamente”. Às vezes, a melhor atitude é o silêncio e a prudência.
Em muitos momentos focamos no jeito como o outro se expressa, o que é válido para o corrigirmos se necessário, mas busquemos reparar mais em nós mesmos e lutar para melhorar os nossos relacionamentos começando por nós.
Possamos refletir com essa sabedoria derivada da regra de ouro (Mateus 7, 12): não façamos com os outros o que não queremos que os outros nos façam. Deus nos faça verdadeiros instrumentos da sua misericórdia para que esta chegue aos corações mais necessitados!
Shalom!
José Almir Neto

