Formação

A Palavra e o Compromisso – não adianta só falar

comshalom
O mundo anseia pela manifestação dos filhos e filhas de Deus (Rm 8, 19), cada coração

de homem e mulher pede e clama para conhecer o Amor e a Verdade que os tornem
verdadeiramente felizes e livres.

Como nos diz o documento de Aparecida e a Encíclica “Deus Caritas est”, do Papa
Bento XVI, o que torna o cristão e a Igreja identificados com Cristo é a vivência do
amor de forma concreta e efetiva em cada batizado. Por isso, Jesus dizia aos seus
discípulos que todos conhecerão a presença dele em cada cristão, quando puderem
reconhecer, conhecer e tocar no amor que não para em si, mas ama sem medida, dá-se
inteiramente (Jo 13, 35; DAp 138).

Amar não é uma declaração de intenções, ou apenas um desejo e sentimento do
coração. Deus amou em ato enviando seu Filho, Cristo amou em ato entregando sua
vida inocente pelos nossos pecados; e nós somos chamados a amar em ato por meio de
uma vida nova convertida e configurada a Jesus. Amar em ato é ter uma vida firmada
na Palavra de Deus, e isso tem como conseqüência mudar de vida, ter coração novo e
decisões novas. Mas, esse amor de misericórdia que gera conversão pessoal, não pode
ficar paralisado, deve ser comunicado e gerar conversão social.

Assim, não haverá um mundo fraterno e solidário, se não houver homens e mulheres
que tenham um coração apaixonado por Cristo, e que em suas ações e decisões
coloquem-No sempre como medida e referência de todas as coisas. É preciso no mundo
de hoje ver, julgar agir e decidir com o olhar e o coração de Cristo.

É a santidade – como expressão da adesão real a Cristo e ao Reino de Deus –, de cada
cristão colocada na perspectiva concreta de uma vida guiada ao ritmo da Palavra de
Deus que firma as bases necessárias para que se construa um mundo de Paz, Justiça
e solidariedade, poderíamos dizer um “mundo santificado” pela presença do sagrado
encarnado na vida do homem.

É muito interessante percebermos que a Palavra de Deus sempre correlaciona a
santidade pessoal com a santidade universal, já que a conversão pessoal pela ação do
Espírito Santo que comunica os dons e graças de maneira inefável é fonte propulsora
da conversão social que tanto desejamos, com um mundo fraterno, solidário, de
Paz, construído sobre a base da Verdade, da Justiça e do Amor de Deus. O cristão se
compromete concretamente com o Plano de Salvação universal de Deus. Vejamos que
em Rm 12,2, São Paulo apresenta esse projeto de conversão social de maneira clara,
indicando à comunidade cristã que não lhe cabe a conformidade com o mundo, mas que
pela ação da graça, devem colaborar para a sua efetiva e concreta transformação.

Não cabe ao cristão aderir aos valores que contrariem a verdade do Evangelho; e não
cabe ao cristão uma postura passiva de conformidade com as realidades atuais que são contrárias a sua fé. Assim, a vida do cristão implica em decisões fundamentais e
cotidianas que visem a sua adesão de discípulo do Mestre quanto a santidade pessoal,
bem como de missionário da Verdade e do Amor construindo, com as decisões que lhe
cabem, o Reino de Deus ao seu redor.

Por isso que o Papa João Paulo II nos dizia que o mundo clama pela manifestação
dos santos e das santas, deste tempo, que com suas opções firmadas em Cristo e Sua
Palavra, vão manifestando clara e decididamente a vitória do Reino de Deus na face da
terra.

O mundo não mudará sem que os santos deste tempo se coloquem decididamente em
direção dessa mudança que é muito urgente e necessária, já que vidas humanas estão
constantemente sendo perdidas e sendo desprezadas em sua dignidade real, onde as
famílias são destruídas nas suas bases mais primordiais.

O discipulado e a missão deste tempo, somente, serão convincentes e eficazes se
firmados na Palavra de Deus. Os projetos humanos por mais belos e bem elaborados
se não estiverem fundamentados na Palavra de Deus e nos valores do Reino, não são
capazes de corresponder às necessidades humanas mais fundamentais, bem como não
têm vida longa e tendem inexoravelmente ao fracasso. Aliás, é exatamente isso que
o Papa Bento XVI alerta na Encíclica Caritas in Veritate, onde ele diz que qualquer
projeto de desenvolvimento humano (coletivo ou individual) somente será eficaz e
integral se tiver Cristo como referência e fundamento.


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